LETRAMENTO EM SAÚDE DE IDOSOS COM HAS E/OU DM NA APS: ANÁLISE DE CLUSTER

Vol. 3, 2025 - 332691
Pesquisas Originais
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Resumo

Introdução: O envelhecimento impõe desafios crescentes à Atenção Primária à Saúde (APS), especialmente diante da elevada prevalência de doenças crônicas, como hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus tipo II (DMII). O letramento em saúde (LS) constitui um determinante social capaz de influenciar a autonomia, a adesão ao tratamento e os desfechos clínicos de pessoas idosas – saberes que permitem às pessoas acessarem, compreenderem, avaliarem e utilizarem informações e serviços, com o propósito de promover e manter o bem-estar para si e para os que o cercam. Contudo, a literatura ainda carece de investigações que explorem perfis diferenciados de LS, considerando múltiplas dimensões e a coexistência de condições crônicas. Objetivo: Descrever os pontos fortes e os desafios do letramento em saúde de pessoas idosas com HAS e/ou DMII atendidas na APS do Distrito Federal, por meio de análise epidemiológica e de clusters. Método: Estudo transversal realizado entre agosto/2023 e fevereiro/2024, com 136 pessoas idosas em acompanhamento em Unidade Básica de Saúde. Foram aplicados questionário sociodemográfico e a versão brasileira do Health Literacy Questionnaire (HLQ-Br), composto por nove escalas multidimensionais. A análise descritiva incluiu médias, medianas e desvios padrão LS e variáveis sociodemográficas. A análise de clusters, pelo método de Ward, identificou agrupamentos de LS com base nos escores das escalas. O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética da Universidade de Brasília (n° 5.901.042) e Secretaria de Saúde (n° 6.436.112) do DF. Resultados: A amostra foi majoritariamente feminina (65,4%), com média etária de 70,2 anos, baixa escolaridade (até oito anos), sem prática regular de atividade física (72,8%) e renda mensal de até um salário-mínimo (36,8%). As menores médias foram observadas na Escala 5 – Avaliação das informações em saúde e na Escala 8 – Capacidade de encontrar boas informações. Pessoas com maior renda apresentaram escores mais elevados em diversas escalas do HLQ-Br. A análise de cluster indicou três perfis distintos: Cluster 1 (11,8%) – maior vulnerabilidade, baixos escores em todas as escalas; Cluster 2 (44,8%) – melhores resultados globais; e Cluster 3 (43,4%) – perfil intermediário. Conclusões: Os achados evidenciam que parte expressiva da população idosa enfrenta barreiras para encontrar e avaliar informações em saúde, aspecto crítico para o autocuidado e possíveis descompensações de HAS/DMII. A identificação de perfis de LS fornece subsídios para o planejamento de intervenções personalizadas na APS, orientadas pela equidade, com foco em reduzir vulnerabilidades e potencializar capacidades, contribuindo para o cuidado centrado no idoso.

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Instituições
  • 1 Universidade de Brasília (UnB)
Eixo Temático
  • Saúde do Adulto e Idoso
Palavras-chave
Letramento em Saúde
Idoso
Doenças Crônicas não Transmissíveis