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Introdução: A diversidade de gênero, entendida como expressão social da identidade, tem ganhado destaque nos debates contemporâneos e nas agendas de direitos humanos, embora ainda enfrente barreiras de acesso e discriminação nos serviços de saúde. Na formação em enfermagem, observa-se a predominância do modelo biomédico, que pouco contempla os determinantes sociais do processo saúde-doença e as demandas de populações vulnerabilizadas. Nesse cenário, torna-se essencial compreender percepções, atitudes e conhecimentos de estudantes concluintes de enfermagem sobre diversidade de gênero, de modo a identificar lacunas formativas e subsidiar práticas pedagógicas inclusivas, éticas e humanizadas.
Metodologia: Trata-se de estudo descritivo, de abordagem qualitativa, conduzido com 41 estudantes concluintes de enfermagem da Escola Superior de Ciências da Saúde, Distrito Federal. A coleta de dados ocorreu entre fevereiro e abril de 2025, mediante entrevistas presenciais semiestruturadas, autorizadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa da FEPECS (Parecer nº 7.431.442). As falas foram transcritas e submetidas à Análise de Conteúdo Temática de Bardin, contemplando as etapas de pré-análise, exploração do material e interpretação dos resultados.
Resultados: Foram identificadas 54 unidades de codificação, agrupadas em 25 categorias, organizadas em três eixos: conhecimento teórico, atitudes e percepção de preparo profissional. Verificou-se que 73% dos estudantes não receberam formação estruturada sobre diversidade de gênero, restrita a menções superficiais, e 70% relataram ausência de discussões sistematizadas durante o curso. Quanto às atitudes, destacou-se o discurso de respeito às diferenças, apoiado, em grande parte, em valores pessoais, com frágil sustentação acadêmico-científica. Em relação ao preparo profissional, emergiu sentimento de insegurança diante do cuidado a pessoas trans e não binárias, acompanhado do receio de reproduzir práticas discriminatórias, ainda que de modo não intencional.
Conclusão/Discussão: Os achados revelam lacunas expressivas na formação acadêmica, refletidas em insegurança técnico-científica e fragilidade na prática profissional diante da diversidade de gênero. Embora o respeito ético se mostre valorizado, a ausência de conteúdos estruturados limita a consolidação de práticas inclusivas e qualificadas. Dessa forma, reforça-se a necessidade de revisão curricular, com inserção de conteúdos específicos e metodologias ativas que promovam competências críticas, culturais e humanitárias, alinhadas às Diretrizes Curriculares Nacionais e aos princípios do SUS. Recomenda-se ampliar pesquisas em diferentes cenários formativos e investir em estratégias pedagógicas inovadoras, como oficinas, rodas de conversa e simulações clínicas, capazes de fortalecer a preparação ética, científica e profissional para o cuidado equitativo à população LGBTQIAPN+.
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