ACOMPANHAMENTO E PROTEÇÃO DA MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA SEXUAL: ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NA APS

Vol. 3, 2025 - 333611
Pesquisas Originais
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Resumo

Introdução: A violência sexual contra a mulher é um fenômeno de alta complexidade que exige abordagem multiprofissional e intersetorial. Para além do atendimento imediato, torna-se fundamental garantir acompanhamento contínuo e encaminhamentos adequados, de modo a proteger a vítima e promover sua reintegração social e em saúde. Na Atenção Primária à Saúde (APS), o enfermeiro exerce papel essencial nesse processo, articulando o seguimento clínico, a notificação e o direcionamento para serviços especializados. No entanto, obstáculos estruturais e fragilidades de rede ainda limitam a efetividade desse cuidado subsequente¹. Objetivo: Verificar como enfermeiros da APS atuam no seguimento das mulheres em situação de violência sexual, considerando acolhimento longitudinal, encaminhamentos na rede de saúde e práticas de proteção à vítima. Método: Estudo qualitativo, descritivo e exploratório, conduzido com 11 enfermeiros de duas Unidades Básicas de Saúde do Distrito Federal . As informações foram obtidas por entrevistas em profundidade, realizadas em ambiente reservado, com duração média de 5 a 15 minutos, guiadas por roteiro semiestruturado. Os discursos foram analisados no software Iramuteq® e submetidos à análise de conteúdo de Bardin, possibilitando a organização em categorias temáticas. Resultados: Da análise emergiram três classes principais sobre acompanhamento e proteção à mulher vítima de violência. A primeira, acolhimento e acompanhamento longitudinal, aborda como os enfermeiros mantêm o vínculo com a vítima no período pós-consulta, oferecendo suporte clínico e emocional. A segunda, rede de suporte e encaminhamentos, revela as dificuldades enfrentadas para integrar os diferentes serviços da rede de saúde e intersetorial, bem como os limites impostos por barreiras institucionais. A terceira, práticas de proteção da vítima, evidencia o conhecimento e as ações efetivas dos profissionais, como orientações sobre direitos, medidas preventivas e encaminhamentos especializados. Conclusões: O estudo aponta que os enfermeiros reconhecem a importância de um cuidado que ultrapassa o momento da consulta, mas encontram limitações para efetivar o seguimento e os encaminhamentos necessários. Fragilidades na articulação entre serviços, escassez de fluxos claros e insegurança profissional reduzem a efetividade das ações de proteção. Os achados reforçam a urgência de fortalecer a rede intersetorial, consolidar protocolos operacionais e  investir em capacitação contínua, assegurando que a APS desempenhe seu papel como porta de entrada qualificada para o atendimento integral às vítimas de violência sexual.

 

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Instituições
  • 1 Escs
  • 2 Escola Superior de Ciências da Saúde
Eixo Temático
  • Miscelânia
Palavras-chave
Delitos sexuais
Continuidade da assistência ao paciente
Atenção Primária à Saúde