A ASSISTÊNCIA EM SAÚDE MULTIPROFISSIONAL E A PERCEPÇÃO FRAGMENTADA DOS PRINCÍPIOS DOS CUIDADOS PALIATIVOS

Vol. 3, 2025 - 333629
Pesquisas Originais
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Resumo

Introdução: Sistematizar o cuidado e organizar a assistência a indivíduos em seus últimos dias de vida permanece como um grande desafio para a equipe multiprofissional. Diante desse cenário, evidencia-se a necessidade de que os profissionais sejam devidamente qualificados para a prestação de cuidados de forma estruturada, potencializando a efetividade das ações implementadas. Entretanto, observa-se que o processo de formação acadêmica e profissional tende a reproduzir uma cultura de naturalização de práticas tecnicistas, compreendidas como única forma de assistência. Tal perspectiva gera um descompasso entre as expectativas dos familiares e a prática dos profissionais, uma vez que os primeiros demandam um cuidado compassivo e humanizado, enquanto os segundos frequentemente recorrem a práticas essencialmente técnicas, impessoais e distanciadas. Essa postura, por vezes, é justificada pelo receio dos profissionais de vivenciar processos de contratransferência diante da terminalidade. Objetivo: Descrever e analisar a percepção da equipe multidisciplinar acerca dos princípios que norteiam os cuidados paliativos. Método: A investigação utilizou um estudo de campo fundamentado nos princípios do fazer etnográfico, com abordagem qualitativa. Participaram 36 profissionais da equipe multiprofissional da Clínica Médica do Hospital Universitário de Brasília. A coleta de dados ocorreu em duas etapas: observação com registro em diário de campo e entrevistas semiestruturadas gravadas. As transcrições foram examinadas por meio da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo, que possibilitou integrar relatos individuais em um discurso representativo coletivo. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da  Universidade de Brasília – UnB (CAAE nº 86761518.4.0000.8093; parecer nº 2.642.997). Resultados: Da análise qualitativa emergiram eixos centrais que evidenciam uma compreensão fragmentada e reducionista dos cuidados paliativos, frequentemente restritos à dimensão físico-biológica, em detrimento de outras dimensões relevantes, como social, psicológica, familiar e espiritual. Foram identificados aspectos facilitadores, como o vínculo construído com pacientes e familiares. Entretanto, destacaram-se desafios, como a insuficiência de recursos humanos e materiais, a ausência de protocolos específicos, o risco de adoecimento emocional dos profissionais diante da terminalidade e a limitada atenção destinada às famílias. Outro eixo crítico foi a comunicação interpessoal, considerada essencial, mas que se mostrou fragmentada, comprometendo a integralidade do cuidado e podendo ocasionar falhas contrárias a princípios bioéticos. Considerações Finais: Constatou-se que a equipe multiprofissional possui uma percepção superficial sobre os cuidados paliativos, centrada sobretudo no alívio da dor. Evidencia-se a necessidade de maior preparo técnico, conceitual e emocional dos profissionais, bem como de ampliar a compreensão da paliação para além do controle álgico.

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Instituições
  • 1 Hospital Universitário de Brasília
  • 2 COMPLEXO HOSPITALAR DA UFC
  • 3 Universidade Estadual do Maranhão
Eixo Temático
  • Saúde do Adulto e Idoso
Palavras-chave
Humanização da Assistência
Equipe multiprofissional
Cuidados Paliativos na Terminalidade da Vida