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O acesso ao saneamento básico é fundamental não somente para evitar doenças, mas também para proteger o meio ambiente, promover a saúde e aumentar a qualidade de vida da população. Para atingir a universalização do acesso ao saneamento no Brasil, formas de tratamento descentralizado de esgotos podem ser vistas como uma alternativa a essa lacuna de atendimento às comunidades mais isoladas, rurais ou de baixa densidade demográfica; associado ao fato serem mais amistosas ao meio ambiente. Um modelo de tratamento de esgotos descentralizado é proposto, no qual buscou-se não somente altos padrões de eficiência no tratamento, mas também que fosse sustentável, gerando subprodutos que pudessem ser usados na produção agrícola e na geração de energia, relacionando o tripé água-alimentos-energia. A metodologia utilizada partiu de revisão da literatura e estudo exploratório de publicações, normas técnicas e legislações referentes a tratamentos descentralizados e sustentáveis de esgotamento sanitário. A estação de tratamento de esgotos proposta foi dimensionada para atender uma população de até 30 pessoas, com uma carga de DBO afluente de 360 g/d, resultando em uma área superficial de 30 m², e contempla as seguintes etapas: tanque séptico (tratamento primário), filtro anaeróbio (tratamento secundário) e o sistema de wetland como tratamento complementar. A macrófita escolhida, o aguapé (Eichhornia crassipes), possui um crescimento acelerado e uma reprodução rápida, seu sistema radicular funciona como filtro, adsorvendo o material particulado e gerando um ambiente propício para fungos e bactérias que realizarão a decomposição da carga orgânica. Adicionalmente, a biomassa gerada pela wetland poderá ser aproveitada em um biodigestor para a geração de biogás e biofertilizante. Além de dar um passo em direção à universalização dos serviços de saneamento, garantindo aos moradores de áreas rurais mais qualidade de vida e saúde, uma estação ecológica de tratamento de esgoto integrada a um biodigestor é uma maneira eficiente de minimizar impactos e aumentar ganhos. O efluente tratado poderá ser reusado e a biomassa da wetland convertida em biogás e biofertilizantes, dois subprodutos que podem gerar economia e renda, podendo substituir adubos químicos e combustíveis antes utilizados.
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