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Introdução: O complexo enzimático natural Bromelina é encontrado em diferentes estruturas de plantas da família Bromeliaceae, da qual podemos destacar o abacaxizeiro como sua principal fonte. Este complexo proteico é constituído principalmente por proteases, cuja ação enzimática é amplamente empregada na indústria, além de ser utilizado há décadas na medicina popular em aplicações terapêuticas, por atuar no sistema cardiovascular e circulatório, além de apresentar ação antitumoral e anti-inflamatória. Com base nos dados apresentados, este trabalho avaliou o potencial citotóxico e genotóxico da Bromelina, por meio do ensaio do MTT e teste do Cometa, utilizando células humanas de hepatocarcinoma (HepG2/C3A). Métodos: Para o teste do MTT, foi semeada uma suspensão de 0,25x104 células/poço em placas de cultura de 96 poços. Em cada placa, os grupos avaliados foram: Controle (meio de cultura DMEM suplementado com 10% de soro bovino fetal - SFB); Doxorrubicina [18µM]; Bromelina [5, 10, 20, 30, 40 e 50 μg/mL]. Após o tratamento, as placas foram incubadas por 24, 48 e 72 horas, e ao final de cada período, os tratamentos foram substituídos por meio de cultivo contendo MTT [0,167mg/mL]. As células foram incubadas por mais 4 horas, e após este período o meio foi descartado para realizar a adição de dimetilsulfóxido (DMSO), a fim de solubilizar os cristais de formazan presentes nas células viáveis. A leitura da absorbância foi realizada em leitor de microplacas a 550nm. Para o ensaio do Cometa, uma suspensão de 1x106 células/poço foi semeada em placas de cultura de 6 poços, sendo avaliados os grupos: Controle (meio DMEM suplementado com 10% de SBF); Metilmetanosulfonato (MMS, [75µM]); Bromelina [5 e 10 µg/mL]. Após o tratamento, as placas foram incubadas por mais 3 horas e foi realizada a colheita das células. A suspensão celular foi homogeneizada com agarose de baixo ponto de fusão e depositada em lâminas previamente gelatinizadas com agarose comum. As lâminas foram expostas a uma solução de lise, submetidas à eletroforese alcalina (25V, 300mA, 20 minutos), e posteriormente, foram neutralizadas, fixadas e mantidas sob refrigeração. A coloração foi realizada com brometo de etídeo, e a análise feita em microscopia de fluorescência (400x), foram contadas 100 células por lâmina, e foram classificados danos de classe 1, 2 e 3, de acordo com o tamanho da cauda do cometa. Os dados dos experimentos foram submetidos à análise de variância (ANOVA), seguido pelo teste de Dunnet (α=0,05 p<0,05). Resultados: Os resultados estatísticos demonstraram que a Bromelina possui ação citotóxica na linhagem tumoral de fígado nas concentrações de 10, 20 e 30 μg/mL em 48 e 72 horas de tratamento, e nas concentrações de 40 e 50 μg/mL nos três tempos de exposição, assim como possui ação genotóxica na concentração de 10μg/mL, mostrando que o complexo enzimático age em nível de DNA. Conclusões: Estes resultados demonstram a ação citotóxica e genotóxica da Bromelina na linhagem HepG2/C3A, evidenciando, o potencial biotecnológico do composto, com possibilidade para futuras aplicações.
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