Efeito de Solução de Nanopartículas de Poli-ε-caprolactona contendo Óleo Essencial de Melaleuca sobre Biofilme Bacteriano de Cepas de S. aureus isoladas de casos de Mastite Bovina

Vol. 2, 2019. - 114349
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Introdução: A mastite bovina é o processo de inflamação da glândula mamária desses animais, causada majoritariamente pela bactéria Staphylococcus aureus. O S. aureus causa preocupação pela sua crescente resistência bacteriana e alto potencial de contágio interespécies. Uma das principais formas de resistência apresentadas pelo S. aureus é a formação de biofilme em diferentes superfícies, o que dificulta não só a eliminação das bactérias mas também no tratamento aos animais acometidos. No intuito de reduzir o biofilme formado pelo S. aureus, o Óleo Essencial de Melaleuca (OEM) pode ser utilizado como alternativa em virtude da presença de terpenos em sua composição que conferem atividade antimicrobiana e antibiofilme ao óleo. Contudo, a atividade do OEM é prejudicada quando há exposição ao ar e à luz. Dessa forma, o processo de nanoencapsulação utilizando-se polímeros atóxicos como a poli-ε-caprolactona protege o óleo essencial e preserva suas propriedades. Métodos: uma solução contendo nanopartículas do OEM foi confeccionada através do método de deposição interfacial de polímero pré-formado. Para caracterização a solução foi diluída 1:1000 e analisada no equipamento Zetasizer ZS90 (Malvern) (Índice de Polidispersão (IPD), tamanho médio de partícula (DLS), e Potencial Zeta) e pH no pHmetro (Tecnopon). Vinte e sete cepas de S. aureus isoladas de casos de mastite resistente foram padronizadas em salina para atingir 0,5 MacFarland e diluídas 1:10 em caldo BHI acrescido de 1% de glicose. Em cada um dos poços de uma microplaca de ELISA, 80 µL de cada cepa de S. aureus em caldo BHI com 1% de glicose foi pipetada em duplicata em quatro poços: dois poços com 20 µL de solução de nanopartículas de OEM (grupo tratamento) e dois poços sem tratamento (grupo controle), para comparação. Uma bilha de aço inox 304 de 4 mm de diâmetro foi adicionada em cada poço a fim de avaliar a formação de biofilme bacteriano neste tipo de superfície após 24 horas de incubação a 37°C. Após 24 horas, cada bilha foi lavada 3 vezes em tampão PBS pH 7,2, corada com cristal violeta 0,1% durante 15 minutos e lavadas 4 vezes em água destilada estéril. O biofilme formado foi ressuspendido com 80 µL de ácido acético glacial a 33%. A densidade óptica do biofilme foi avaliada no equipamento ELISA Multiskan FC (Thermo Scientific) a 600 nm. Os grupos Controle e Tratamento foram avaliados por teste t-pareado no programa GraphPad Prism 7.00, considerando diferença significativa se p<0,05. Resultados: a caracterização da solução de nanopartículas de OEM revelou DLS de 323,2 nm, Potencial Zeta de -27,9 mV, IPD de 0,098 e pH de 5,37, dados considerados adequados para uma solução de nanopartículas. Na análise estatística entre grupo controle e tratamento obteve-se p = 0,0131. Conclusões: o método de deposição interfacial de polímero pré-formado foi considerado satisfatório para obter solução de nanopartículas de OEM. Além disso, o tratamento realizado com esta solução foi capaz de reduzir a formação de biofilme por S. aureus considerando o material utilizado e condições metodológicas propostas.

Instituições
  • 1 Universidade Estadual do Oeste do Paraná
  • 2 Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS)
Eixo Temático
  • Biotecnologia Microbiana
Palavras-chave
Mastite
nanopartículas
Staphylococcus aureus