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Resumo

Introdução: Os biossurfactantes são compostos de origem microbiana que exibem propriedades como a diminuição da tensão superficial e a alta capacidade emulsificante. Pesquisas na área dos biossurfactantes tem expandido nos últimos anos devido ao seu potencial de aplicação como agentes antibacterianos, antifúngicos e antivirais. Além disso, estes compostos superfície-ativos podem ser usados na área ambiental através da biorremediação de poluentes orgânicos como petróleo, e também, no processamento de alimentos. Existem poucos relatos sobre a produção de biossurfactantes a partir de fungos filamentosos. O objetivo deste estudo foi avaliar a capacidade de produção de biossurfactantes em fermentação submersa pelo fungo Trichoderma atroviridae, um fungo filamentoso isolado do solo. Métodos: Uma suspensão de esporos foi preparada a partir da adição de salina estéril aos cultivos fúngicos jovens (cultivo em tubos de BDA inclinado por até 5 dias a 28 oC) e 1 ml desta suspensão contendo cerca de 107 esporos/mL foi usada como inóculo. A produção do biossurfactante ocorreu por fermentação submersa agitada a 120 rpm por 5 dias a 28 oC em frascos Erlenmeyer 125 mL contendo 25 mL de Vogel e 0,25g de glicose ou de sacarose ou 0,25 mL de óleo de oliva. O processo fermentativo foi interrompido por filtração à vácuo e o extrato bruto livre de células (EBC) foi usado para determinação qualitativa do biossurfactante através do teste do Índice de Emulsificação. Para o teste, 2 mL do EBC foi misturado com 2 mL de querosene, e após agitação máxima em vórtex a camada emulsificada resultante ficou em repouso por 24h. Após este tempo, o índice de emulsificação foi calculado como a razão entre a altura da emulsão pela altura total do líquido, multiplicado por 100. Após 11 dias de formação da camada emulsificada, foi determinado novamento o Índice. Resultados: No extrato bruto de todos os cultivos foi observado capacidade emulsificante e pouca diferença foi encontrada entre os valores do Índice de Emulsificação quando os 3 substratos foram usados como substrato para a produção do biossurfactante. Após 11 dias de formação da camada emulsificada, cerca de 100% da capacidade emulsificante foi mantida no extrato bruto dos 3 cultivos. Conclusões: O fungo foi capaz de produzir biossurfactantes tanto com substrato lipídico quanto não lipídico sugerindo que diferentes classes de biossurfactantes podem ser sintetizadas pelo fungo avaliado. Os compostos tenso-ativos encontrados nesta pesquisa tem estabilidade por até 11 dias, sendo necessários mais testes para avaliar o limite da estabilidade das emulsões formadas.

Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Londrina
Eixo Temático
  • Biotecnologia Industrial
Palavras-chave
emulsificação
compostos tenso-ativos
Trichoderma atroviridae
fermentação submersa