A retomada da cafeicultura no estado do Amazonas nos últimos 10 anos está marcada pelo uso de genótipos clonais de cafeeiros Coffea canephora oriundos de Rondônia, os quais têm sido avaliados em ensaios de valor de cultivo e uso em diferentes localidades. Objetivou-se caracterizar 15 clones de C. canephora, com potencial de cultivo para o estado, a partir de caracteres agronômicos. O experimento foi implantado no município de Itacoatiara, em delineamento com quatro blocos e seis plantas por parcela (3 x 1 m), cujas avaliações ocorreram nos anos de 2021 e 2022 correspondendo ao primeiro e segundo ano produtivo. Foram mensuradas as características altura da planta (ALT); comprimento do quarto par de folhas (COMPF); largura do quarto par de folhas (LARGF); diâmetro da projeção do dossel (DPD); comprimento do ramo plagiotrópico produtivo (CRPP); distância dos ramos plagiotrópicos (DRPG); distância entre rosetas (DROS), todas elas medidas em cm; número de ramos plagiotrópicos produtivos (NRPP); número de ramos plagiotrópicos produtivos (NROS) e; número de frutos por roseta (FROS). Os dados foram submetidos as análises de normalidade e homocedasticidade para realizar ANOVA univariadas. Realizou-se o desdobramento das interações clones x anos significativas e os clones foram agrupados pelo teste Scott-Knott (P < 0,05). As características ALT, COMPF, CRPP, DRPG e DROS foram transformadas por funções Box-Cox, para atender as pressuposições da ANOVA. Em COMPF, LARGF, DPD, ALT, CRPP e DROS detectou-se interação (P < 0,05), sendo DPD a única variável dentre estas anteriores em que não houve diferenças entre clones. Houve variação entre anos para LARGF, DPD, ALT, NRPP, FROS e DROS, com diferença entre os clones para NRPP e FROS. No geral houve alta precisão experimental (conjunta), cujos coeficientes de variação residual variaram de 3,21 (ALT) a 30,18% (CRPP). Apenas a variável altura exibiu uma relação CVg/CVe superior a unidade, indicando haver possibilidade de ganhos genéticos na seleção desses genótipos. Os coeficientes de determinação genotípicos (H2) variaram de 39,60 (DPD) a 80,94% (ALT). Para todas as variáveis, exceto ALT, o componente de variação residual superou o componente quadrático genotípico, o que pode ser inerente a característica, ou pela menor quantidade de genótipos avaliados ou aparentados, ou por ser a maioria clones cultivares. Pelo agrupamento univariado foi possível diferenciar as médias dos genótipos em dois a quatro grupos, considerando os dois anos de avaliação. No ano agrícola de maior amplitude dos dados obteve-se os seguintes valores de média; mínimo e; máximo, respectivamente: COMPF/2021 (16,9; 13,7 e; 20,7 cm), LARGF/2021 (7,0; 5,2 e; 8,3 cm), DPD/2022 (288,1; 226,8 e; 362,1 cm); ALT/2022 (219,3; 187,3 e; 271,3 cm); CRPP/2022 (90,5; 54,2 e; 126,0 cm), DROS/2021 (7,2; 5,5 e; 8,4 cm) e, para aquelas em que não houve interação clones x anos, obteve-se NRPP com 95,2; 81,4 e; 112,2 e FROS com 24,1; 19,1 e; 29,6. A inclusão de mais anos ou ambientes pode ajudar a detectar efeitos significativos para interação e genótipos. Os valores observados coadunam com o comportamento agronômico de plantas de C. canephora com bom desempenho agronômico nas regiões produtoras da Amazônia Ocidental.