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Resumo

Contextualização Historicamente, os/as trabalhadores de endemias têm papel central nas estratégias de enfrentamento de arboviroses no país. A categoria de agentes/guardas de combate a endemias (ACE) também se constituiu em um grupo de trabalhadores de grande preocupação para a saúde pública pela elevada exposição aos agrotóxicos usados em seu processo de trabalho, seja no Ultra baixo Volume/UBV, popularmente conhecido como fumacê, ou nas recentes estratégias de Borrifação Residual Intradomiciliar/BRI. Infelizmente, o modelo de combate de endemias empregado no país sempre foi centrado no uso de venenos, químico-dependente, e o quadro de adoecimento dos trabalhadores que vemos hoje é o resultado desse processo, que precisa urgentemente ser modificado. A estratégia ‘mosquitocêntrica’ - focada apenas no combate aos vetores e ainda dependente de agrotóxicos - empregada em nível nacional, mostra-se incapaz de resolver o problema. As arboviroses tornam-se endêmicas e continuam causando quadros epidêmicos de adoecimento e morte das populações, como a explosão do número de casos de velhas e novas doenças como dengue, circulação recente do vírus da chikungunya e do zika vírus, transmitidos pelo mesmo vetor, o Aedes. Esse modelo, com uso sistemático de agrotóxicos comprados de algumas poucas empresas de países do Norte global, vários dos quais com uso restrito ou já banidos nestes países, gera um círculo de envenenamento, movimento denominado pela pesquisadora Larissa Bombardi de "colonialismo químico". Também a falta de informação, saneamento e a má qualidade dos serviços básicos são, de fato, os maiores desafios para o controle das arboviroses. Descrição da Experiência Atualmente, experiências bem-sucedidas de controle do Aedes sem venenos estão em andamento em diversas cidades, estados e regiões do país (Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Nordeste) com foco na vigilância e educação em saúde desenvolvida pelos ACE com populações dos territórios. Estas experiências, assim como críticas ao modelo dependente de agrotóxicos para combate a endemias, têm sido discutidas entre ACE, gestores, sindicalistas e pesquisadores em Lives chamadas “Refletindo sobre Modelos de Enfrentamento de Endemias”, por meio de Instagram, visando à ampliação do alcance. Objetivo e período de Realização Essa estratégia tem sido testada desde final de 2025 como construção para troca dessas experiências desenvolvidas como propostas para substituir o uso de agrotóxicos e discussão das dificuldades e formas de como contorná-las e enfrentá-las. Resultados As ações de prevenção de arboviroses de longo prazo, focadas no saneamento ambiental, controle mecânico e biológico, educação e vigilância em saúde são alternativas mais seguras à saúde e ambiente se comparadas ao chamado “combate” químico-dependente para o efetivo controle vetorial. Há êxito no modelo baseado no trabalho técnico e conhecimento entomológico dos ACE, focando em ações coletivas, quebrando o ciclo biológico dos vetores de forma eficaz, sem o uso de venenos, com visitas domiciliares, monitoramento ambiental, delimitação de focos, eliminação mecânica de criadouros, uso de ovitrampas, telas para vedação de reservatórios de água para consumo e controle biológico empregando manejo de espécies participantes do ciclo dos vetores. Aprendizado e Análise Crítica Ações de educação em saúde e mobilização comunitária (em escolas, feiras, rádios, redes sociais, promovendo a participação da população na eliminação de criadouros), articulação e integração intersetorial, em luta com melhoria do acesso a saneamento no país. Imprescindível resgatar o emblemático caso de município brasileiro de Pedra Branca, no Ceará, que alcançou a ausência de transmissão local de dengue por, no mínimo, uma década, sem uso de venenos, consolidando-se como um modelo de gestão e ação em saúde pública, mas que infelizmente retrocedeu. A iniciativa consistiu na transição de um modelo de ações pontuais e campanhistas para uma abordagem permanente e de longo prazo de controle de endemias, com a participação da comunidade com ações integradas e intersetoriais, de prevenção e proteção ambiental, sem uso de agrotóxicos.

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Eixo Temático
  • Eixo 04 - Questões Epistemológicas, Teóricas e Metodológicas em Saúde e Ambiente: atualizações e inovações
Palavras-chave
exposição a agrotóxicos
colonialismo químico
educação e vigilância em saúde