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Apresentação/Introdução O contexto capitalista neoliberal de industrialização desenfreada, degradação ambiental e precarização do trabalho tem ampliado desigualdades sociais e problemas de saúde. Como consequência principal desse contexto de impacto das atividades humanas no Sistema da Terra, as mudanças climáticas intensificam eventos extremos, que afetam a economia e a saúde, configurando uma sociedade de riscos. No Brasil o aumento da temperatura supera a média mundial, e o verão de 2024/2025 foi o mais quente desde 1961, acompanhado de incêndios, enchentes e secas prolongadas, com impactos severos sobre a infraestrutura, os ecossistemas e a população. No campo ocupacional, os riscos ampliados pelas mudanças climáticas afetam principalmente os trabalhadores, primeiros os expostos a eventos adversos, de forma intensa e inevitável, sobretudo em atividades ao ar livre. Entre os fatores ambientais, o calor extremo é o que mais compromete a saúde desses profissionais, como agricultores, garis, guardas municipais, trabalhadores da construção civil e ambulantes. Relatórios internacionais indicam que 70% da classe trabalhadora global está exposta ao calor extremo em algum momento do dia, com impactos sobre rendimento do trabalho, concentração, risco de acidentes e agravos à saúde. No caso dos trabalhadores da educação, o processo de ensino-aprendizagem também pode ocasionar riscos à saúde e à segurança, como distúrbios de voz e transtornos mentais, além dos riscos associados ao trabalho ao ar livre, como insolação, doença renal e câncer de pele, especialmente na educação profissional. Entre servidores públicos, tais riscos são agravados pelo estigma de não trabalharem e de fraudarem licenças médicas, responsabilizando-os pelo próprio adoecimento e resultando em políticas pontuais. Nesse cenário de futuro incerto, o trabalho decente e ambientes saudáveis são essenciais para o bem-estar e para uma sociedade justa. Objetivos Compreender os impactos do calor extremo e das mudanças climáticas sobre a saúde e as condições de trabalho dos servidores da educação profissional federal do Norte Fluminense do Rio de Janeiro. Metodologia A pesquisa está sendo desenvolvida no Doutorado Acadêmico em Saúde Pública e Meio Ambiente (Fiocruz/RJ) e encontra-se na fase de revisão integrativa. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional descritivo seccional, com abordagem qualitativa e quantitativa, abrangendo servidores públicos da educação profissional federal do Norte Fluminense/RJ. O estudo contempla os territórios institucionais das atividades pedagógicas, administrativas e práticas ao ar livre, em ambientes internos e externos. São investigadas estratégias de enfrentamento, percepções, condições de trabalho, impactos sobre a saúde relacionados ao calor extremo e aos efeitos das mudanças climáticas, além dos dados climáticos locais. Resultados O estudo identifica como o calor extremo e os eventos climáticos intensos interferem na saúde física e mental dos servidores, influenciam a capacidade para o trabalho, ampliam riscos de acidentes e agravos, e se relacionam com as condições e a organização do trabalho na educação profissional. Discussão Os achados são discutidos à luz do contexto neoliberal de precarização do trabalho, da intensificação dos eventos climáticos extremos, da crescente exposição ocupacional ao calor, dos estigmas e das políticas institucionais. A discussão dialoga com o conceito de sociedade de riscos e com a necessidade de reconhecer o trabalho na educação como atividade sujeita a impactos ambientais diretos, especialmente em regiões marcadas por desigualdades térmicas. Conclusões/Considerações A pesquisa contribui para o reconhecimento dos efeitos do calor extremo e das mudanças climáticas sobre a saúde e as condições de trabalho dos servidores da educação profissional federal, evidenciando a urgência de políticas públicas e institucionais que garantam ambientes seguros, saudáveis e alinhados ao princípio do trabalho decente. Os resultados subsidiam ações preventivas, adaptações infraestruturais e estratégias de cuidado que fortaleçam a proteção social e a justiça climática no campo da educação.
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