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Apresentação/Introdução Eventos climáticos extremos, como inundações e ondas de calor, têm se tornado mais frequentes e intensos nas últimas décadas, configurando desafios relevantes para a saúde pública e para a gestão socioambiental dos territórios, fenômenos associados a impactos significativos sobre a infraestrutura urbana, o acesso a serviços essenciais e as condições de vida das populações, especialmente em contextos marcados por desigualdades socioambientais. No Brasil, episódios recorrentes de enchentes, deslizamentos e temperaturas extremas têm evidenciado a vulnerabilidade de territórios urbanos e de populações expostas a múltiplos riscos e perigos ambientais. Nesse contexto, a mídia desempenha papel relevante na comunicação ambiental e na construção de narrativas públicas sobre mudanças climáticas e seus efeitos sociais e sanitários. No campo da comunicação ambiental, entende-se que os discursos midiáticos não apenas informam sobre problemas ambientais, mas contribuem para a construção social dos significados associados e formas de enfrentá-los mediante políticas de prevenção, adaptação e resposta a desastres. Objetivos Analisar como a mídia jornalística aborda eventos climáticos extremos no Brasil, com foco em inundações e ondas de calor, identificando os impactos relatados, as condições de vulnerabilidade socioambiental mencionadas e as intervenções governamentais descritas nas reportagens. Metodologia Realizou-se um estudo de caso baseado em análise documental de reportagens online publicadas entre 2015 e 2024 em jornais brasileiros de circulação nacional e estadual (Pernambuco). O corpus foi composto por 87 reportagens. A análise de conteúdo foi conduzida com auxílio do software IRaMuTeQ, utilizando estatística descritiva, classificação hierárquica descendente e análise de especificidade. Adicionalmente, foi realizada uma categorização manual dos impactos dos eventos climáticos e das intervenções adotadas por diferentes níveis de governo. Resultados A análise das reportagens indica que a cobertura midiática sobre eventos climáticos extremos se organiza em quatro eixos principais: (1) efeitos na vida da população; (2) alterações meteorológicas e ocorrência de ondas de calor; (3) condições socioambientais que influenciam a vulnerabilidade; e (4) intervenções governamentais. Entre as 87 reportagens analisadas, 63 (72%) mencionaram intervenções governamentais. As ações mais frequentes foram classificadas como intervenções de recuperação, incluindo resgates, evacuação de áreas de risco, assistência humanitária e oferta de abrigos temporários. Em relação aos impactos relatados, destacaram-se danos à moradia, deslocamento de populações, perdas materiais e danos à infraestrutura urbana. Também foram mencionados efeitos sobre a saúde física e mental, como ferimentos, doenças relacionadas à exposição a ambientes contaminados e relatos de ansiedade e sofrimento psicológico. As reportagens evidenciaram ainda situações de vulnerabilidade socioambiental, como moradias em áreas de risco, ausência de saneamento básico e maior exposição de trabalhadores e idosos a temperaturas extremas. Discussão Os resultados indicam que a cobertura midiática tende a enfatizar os impactos imediatos dos eventos climáticos extremos e as respostas emergenciais adotadas pelos governos. Embora essa abordagem contribua para dar visibilidade aos efeitos dos desastres, aspectos estruturais relacionados à vulnerabilidade socioambiental e às estratégias de adaptação climática aparecem com menor destaque. Observa-se também que esses eventos estão frequentemente associados a desigualdades territoriais e urbanas preexistentes, ampliando a exposição de determinados grupos populacionais. Assim, a forma como a mídia comunica esses eventos influencia a compreensão sobre mudanças climáticas e o debate sobre políticas de prevenção e redução de vulnerabilidades. Conclusões/Considerações A análise da cobertura midiática evidencia a centralidade dos impactos sociais e sanitários associados aos eventos climáticos extremos, especialmente em contextos urbanos marcados por desigualdades. No entanto, as narrativas jornalísticas priorizam respostas emergenciais e dão menor atenção a estratégias estruturais de adaptação e prevenção. Os achados reforçam a importância de integrar comunicação ambiental e saúde coletiva para compreender como riscos climáticos são representados no espaço público e como essas narrativas podem ampliar o debate sobre justiça ambiental, prevenção de desastres e enfrentamento das mudanças climáticas.
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