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O objetivo da pesquisa é analisar a formação identitária presente nos discursos de sexo e gênero. Para Fairclough (2016), o uso da linguagem é uma prática social e não como uma atividade individual, pois os discursos têm muito a dizer sobre nossa identidade social. A hipótese é de que o processo de formação identitária passa por um momento de mudança social, em que os sujeitos clivados buscam consolidar suas identidades. O caráter da pesquisa é qualiquantitativa e os pressupostos teóricos são embasados na concepção da Análise Crítica do Discurso, de linha inglesa de Fairclough (2016), com enfoque no texto, prática discursiva e prática social. Seguido pelos seguintes autores que deram suporte à pesquisa como Foucault (1999), Louro (2007), Miranda; Miranda; Nascimento (2015), Miranda (2016), Miranda; Almeida (2017), Orlandi (2005), Scott (1995). Foram analisadas 72 entrevistas com informantes da zona urbana de Caxias. As entrevistas foram realizadas com 58 questões-guias, nas quais nós iremos analisar aquelas as quais se referem à questão de sexo/sexualidade na questão 31 e de gênero na questão 20. Os resultados foram divididos em três tipos de respostas, para o sexo: Não preconceituosos, sim preconceituosos e não sabem responder e para o gênero: não machista, sim machistas e não querem ou não sabem. Para a identidade social de sexo, os resultados mostram os discursos dos sujeitos que tiveram respostas tanto homofóbicas como machistas, que equivalem a 57% não são homofóbicos, 18% são homofóbicos e 25% não sabem ou não quiseram responder. Isso é percebido em discursos como: “Ah eu ia ficar muito triste sabe. Pra mim era uma tristeza maior que eu ia passar na minha vida sabe”. Os resultados mostram que o discurso enquanto texto evidencia um léxico marcador de preconceitos; apresenta fragmentos de outros textos, intertextualidade, bem como de outros discursos, interdiscursividade, e em algumas realizações tais discursos são evocados e realizam uma prática discursiva a fim de fundamentar um pensamento, uma ideologia, uma prática social. Nos fragmentos acima, tem-se a interpretação de uma identidade social religiosa e homofóbica referente ao sexo. Para a identidade social de gênero, temos 68% não machistas, 18% machistas e 14% não souberam responder. Isso é observado em discursos como: “Olha eu alcancei meus pais assim o homem é superior à mulher e eu encontrei na bíblia que toda mulher tem que ser submissa ao seu marido...”. Com os resultados, percebemos que o sujeito se refere à superioridade do homem no casamento. Identificamos nesses discursos enquanto texto o léxico marcado pelo machismo e uma identidade cultural repassada de pai para filho, que de acordo com análise do discurso chamamos “formações discursivas e ideológicas”, ou seja, o sujeito apresenta sua prática discursiva sobre uma perspectiva histórica, pois suas ideologias, atitudes e crença constituem a prática social voltada ao discurso machista e religioso. Por fim, o discurso machista como formação discursiva influencia tanto o gênero e como o sexo, isso porque certamente o sujeito que é machista na maioria das vezes também tem discursos e pensamentos homofóbicos.
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