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Nesta roda de conversa propomos dialogar sobre as escolas que inovam e se alteram nas suas relações com a comunidade ampliada, com a sua comunidade proximal, ou seja, relacionada ao lugar a que se vinculam e com a dinâmica interna da sua comunidade específica, no que tange as relações entre educador/educando, os seus métodos pedagógicos e a definição do que é aprender e como se aprende. A partir do paradigma abordado na linha anunciada por Boaventura de Sousa Santos e Edgar Morin, com enfoque nos conceitos de Educação, Educação Escolar e Escola discutidos por pesquisadores de diferentes áreas, com especial atenção para os grupos que operam com tais conceitos inserindo-os nos movimentos históricos, sociológicos e culturais, tais como Paulo Freire, José Gimeno Sacristán e Bernard Charlot, objetivamos abordar o conceito de inovação com especial destaque para as diferentes interpretações que tal conceito sucita. A temática proposta faz parte do Projeto de Pesquisa em andamento, denominado “Escolas não-tradicionais: aprofundando o mapeamento e a pesquisa teórica da inovação pedagógica”, financiado pelo CNPQ. Os resultados parciais da pesquisa nos levaram a diagnosticar (no Brasil e na América Latina) centenas de escolas com características inovadoras e, seguindo os critérios de “sustentabilidade” e de força do seu caráter “inovador”, definimos 37 (trinta e sete) escolas no Brasil com marcantes características de pedagogias não-tradicionais. Para tanto, tivemos como método a investigação de livros, filmes documentários, plataformas e páginas na internet que apresentam pesquisas as quais divulgam escolas entendidas como “alternativas”, “transformadoras”, “criativas”. Objetivamos utilizar fragmentos dos documentários estudados durante a roda de conversa como gatilho deflagrador para as apresentar e debater sobre os paradigmas da educação tradicional e como as escolas estudadas se alteram em um constante movimento de desconstruções e reconstruções do fazer pedagógico.
Justificamos a presente proposta no fato de que há uma tradição de pesquisa no Brasil, no campo da educação, que aborda a escola a partir de seus problemas. São excelentes pesquisas e que precisam e devem ser cada vez mais realizadas, pois nos apresentam dados importantes para avançarmos na direção de uma escola de qualidade para todos.
Porém, as escolas que apresentam propostas inovadoras são objetos de poucas pesquisas. Ocorre que, na última década principalmente, surgiram várias produções midiáticas que viram como possível fazer uma escola diferente, porém tais produções apresentam as escolas que identificam sem considerar o processo pelos quais passam tais instituições e sem aprofundar teoricamente suas análises.
Em síntese, há uma mensagem subliminar para os outros professores de que se alguém conseguiu realizar a mudança, então todos podem realizá-la também. Assim, a situação de calamidade no qual se encontra a maioria das escolas públicas no Brasil acaba por não ser debatida.
É preciso avançar contextualizando histórica e pedagogicamente tais alterações. Quais os conflitos? O que se redimensiona sobre o que ensinar? Quais as tensões mais latentes vivenciadas pela equipe? O que não dá certo? Avançar nesse campo de pesquisa é fundamental para entendermos tais escolas e utilizar suas experiências no processo de formação para professores.
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