Jornalismos entre ruínas e refúgios

Vol. 23, 2025 - 342366
Proposta de Sessão Coordenada
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Resumo

Partindo de três Coordenadas anteriores (Jornalismos e Contextos descentralizados, 2019; Jornalismos para além do jornalismo, 2023; e Apropriações jornalísticas: modos outros do fazer e leituras de mundos outro, 2024), essa Sessão Coordenada propõe refletir sobre o jornalismo desde a tensão entre representações noticiosas e o papel jornalístico na produção de mundos possíveis na contemporaneidade. Buca-se problematizar acerca de coberturas e materiais jornalísticos que têm como referente a crise socioambiental e o cenário neoliberal que configura, nas últimas décadas, modos de vida, principalmente ocidentais, perguntando, desde objetos históricos e atuais, sobre formatos informativos que tanto corroboram com visões de mundo desenvolvimentistas quanto vislumbram mediações jornalísticas capazes de denunciar assimetrias espaçotemporais e/ou inaugurar narrativas que buscam subverter hegemonias vigentes, intervindo simbolicamente em cotidianidades colonizadas sob vários aspectos. Reconhece-se, nesse contexto, o tempo presente marcado por descontinuidades relacionadas às ruínas do capitalismo (Tsing, 2019, 2022), desde onde se possa pensar processos jornalísticos e práticas midiáticas, em suas distintas maneiras de circulação, como construtores de refúgios (nos termos de Donna Haraway, 2016) e insurgências afinadas a maneiras de se adiar o fim do mundo (Krenak, 2019). Em suma, a Coordenada pretende acolher estudos e análises que lancem luz, desde uma perspectiva crítica e plural, sobre a leitura e a criação de mundos, entendendo tal construção não apenas como a elaboração de algo novo, mas também como entrelaçamento de existências Ao buscar compreender o jornalismo, em suas diversas manifestações, como ocupando uma dimensão humana desse processo, a coordenada se interessa por propostas cujos objetos redirecionem a atenção para pontos de vista que tensionem o realismo capitalista (Fisher, 2020), trazendo críticas e interpretações sobre potencialidades jornalísticas. Sem deixar de pôr em relevo questões que habitam a pauta comum que envolve os estudos do jornalismo e suas epistemologias, a intenção é também pensar esta prática em diálogo com estudos que abarcam visões multiespécies e/ou voltados para o bem viver. Integram esse escopo de preocupações alguns eixos possíveis de discussões: 1) a relação entre jornalismo e catástrofes cotidianas; 2) tensões entre jornalismo, territórios e temporalidades; 3) narrativas jornalísticas e Antropoceno; 4) representações jornalísticas, identidades e necropolíticas; 5) práticas jornalísticas e ativismos sociais; 6) experiências coletivas na apropriação de saberes jornalísticos; 7) fabulações e experimentações no fazer noticioso. A partir do conjunto dos textos da Coordenada, pretende-se alcançar contribuições teórico-analíticas que toquem os fenômenos jornalísticos de distintas épocas, por meio de problemas e epistemologias transdisciplinares contemporâneas.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Ouro Preto
  • 2 Universidade Federal Fluminense | (Universidade Federal Fluminense)
Área de Avaliação
  • Sessão Coordenada
Palavras-chave
Jornalismo
Capitalismo
Bem Viver
Mundos Possíveis
Antropoceno