Efeito da estocagem no conteúdo de compostos bioativos do óleo de soja adicionado de antioxidantes naturais
O uso de antioxidantes naturais vem ganhando destaque em relação aos sintéticos, e em muitas pesquisas vêm sendo avaliados quanto à eficiência na adição e preservação de compostos bioativos. Dessa maneira, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito de antioxidantes naturais no conteúdo de compostos bioativos do óleo de soja sob estocagem acelerada em estufa. Os frutos da palma (Elaeis guineensis) maduros foram desidratados em estufa a 40 ºC e o óleo da polpa, extraído por prensagem a frio. A matéria insaponificável foi obtida por meio da saponificação com KOH 50% e lavagem para retirada dos sabões formados. Os antioxidantes naturais, α-tocoferol (T) em sua forma comercial e matéria insaponificável do óleo de palma (M), foram aplicados ao óleo de soja (OS) na concentração de 200 mg/kg. O óleo de soja foi obtido do comércio local, e purificado (OSP) em coluna de alumina, para eliminar interferentes. Os tratamentos: OS (óleo de soja), OST (óleo de soja adicionado de α-tocoferol), OSM (óleo de soja adicionado de matéria insaponificável de óleo de palma), OSP (óleo de soja purificado), OSPT (óleo de soja purificado adicionado de α-tocoferol) e OSPM (óleo de soja purificado adicionado de matéria insaponificável de óleo de palma) foram submetidos à estocagem acelerada em estufa (60 ºC/20 dias) e avaliados quanto ao teor de carotenoides totais, analisado por espectrofotometria de varredura, expresso em µg β-caroteno/g. E quanto ao conteúdo de compostos fenólicos totais, analisado espectrofotometricamente, resultado expresso em mg equivalentes em ácido gálico/g. A análise estatística foi realizada utilizando teste de Tukey a 5% de probabilidade. Não foram detectados carotenoides totais nos tratamentos OS, OST, OSP e OSPT, para OSM o teor variou de 11,21 a 7,10 μg/g do tempo zero ao vinte, e para OSPM, de 12,30 a 6,73 μg/g, e não houve diferença significativa entre os tratamentos (p > 0,01). A análise de variância para os teores de compostos fenólicos totais dos tratamentos não foi significativa (p > 0,05), entre os tempos zero e vinte dias, os valores variaram de 133,24 a 127,16 mg/g para OS, de 107,94 a 139,71 para OST, de 127,16 a 134,80 para OSM, de 127,75 a 145,59 para OSP, de 104,61 a 186,96 para OSPT e de 145,98 a 136,18 para OSPM, os quais não diferiram entre si (p > 0,01). A purificação do óleo de soja não interferiu sobre o conteúdo de compostos bioativos. O α-tocoferol não acrescentou carotenoides totais ao óleo de soja, porém, preservou os compostos fenólicos totais presentes. Já a adição da matéria insaponificável foi capaz de restituir os carotenoides totais perdidos durante o processo de refino do óleo de soja, bem como preservar os compostos fenólicos totais. Pode-se concluir que a matéria insaponificável atuou como antioxidante natural de forma mais efetiva, em comparação com o α-tocoferol, agregando e preservando os compostos bioativos do óleo de soja. Representa também um bom aditivo para óleos vegetais, pois, além de apresentar atividade antioxidante, enriquece o alimento industrializado com compostos bioativos, substâncias importantes à saúde do consumidor.