Compostos bioativos e capacidade antioxidante de hortaliças não convencionais
São denominadas hortaliças não convencionais (HNC) as espécies vegetais presentes em determinadas localidades ou regiões e que exercem uma expressiva influência na alimentação de populações consideradas tradicionais. Estas hortaliças, foram largamente consumidas pela população no passado. Entretanto, em virtude das mudanças no comportamento alimentar, tiveram reduzidas as suas expressões econômica e social perdendo espaço para outras hortaliças. Este trabalho teve como objetivo avaliar o perfil de compostos bioativos e o potencial antioxidante das HNC: bertalha (Anredera cordifolia.), peixinho (Stachis lanata L.), azedinha (Rumex acetosa L.), beldroega (Portulaca oleracea) e caruru (Amaranthus viridis L). O material vegetal foi coletado do Banco de Hortaliças Não Convencionais da EPAMIG no município de Prudente de Morais, situado na região Centro-Oeste do estado de Minas Gerais com coordenadas geográficas 190, 28´ 33´´ latitude sul e 440 , 11´ 53´´ longitude oeste. As folhas de cada uma das hortaliças foram colhidas ao acaso, em locais em que o material correspondia às folhas jovens e em estádio homogêneo de maturação. O teor de ácido ascórbico foi avaliado por HPLC. Os carotenóides totais, após extração, foram quantificados por espectrofotometria a 450 nm. O conteúdo de β- caroteno avaliado por HPLC. O conteúdos de compostos fenólicos totais foi quantificado pelo método espectrofotométrico de Folin-Ciocalteau. A avaliação da atividade antioxidante foi realizada pelo método fotocolorimétrico do radical livre estável DPPH. Todos os experimentos foram realizados em triplicata. Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey com 5% de probabilidade. Não foi detectada a presença de vitamina C nas hortaliças, exceto na azedinha (72mg /g de massa seca). Todas as hortaliças não convencionais apresentaram quantidades relevantes de compostos fenólicos com destaque para o peixinho (0,77) seguido pelo caruru, beldroega, azedinha e bertalha (0,56; 0,40, 0,35 e 0,25 mg de EAG/g de extrato, respectivamente). Detectou-se para o caruru o maior teor de carotenoides totais (192,77 µg /g de massa fresca) seguido pelo peixinho (103,24), azedinha (83,85), bertalha (83,73) e beldroega (70,49). O peixinho e a bertalha apresentaram os maiores valores de β caroteno (7,78 e 7,36 µg/g de massa fresca, respectivamente) seguidos pelo caruru (1,71) e beldroega (1,05). Em valores absolutos, o extrato metanólico de peixinho exibiu forte capacidade de seqüestro do radical DPPH nas concentrações de 1mg/mL e 0,1mg/mL, sendo semelhante à capacidade antioxidante do BHT e da quercetina na maior concentração, evidenciando o potencial antioxidante deste extrato. Na menor concentração, todos os extratos apresentaram capacidade antioxidante superiores ao padrão rutina. Este estudo, que traz o primeiro relato sobre o teor dos referidos compostos em HNC e aponta que as mesmas podem representar uma nova opção de matéria prima para a indústria alimentícia e ainda que seu consumo pode ser associado a uma dieta saudável que proporcione benefícios à saúde da população através do da sua utilização in natura.