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Introdução: a vivência da transexualidade, muitas vezes permeada por violências físicas, psicológicas e simbólicas, pode acarretar problemas relacionados à saúde mental, geralmente marcada pela não adequação ao sistema sexo biológico e gênero, além de discriminações, preconceitos, exclusão social, dificuldades provenientes de problemas familiares e de relacionamentos sexuais e afetivos. Objetivo: Analisar a partir da ótica de transexuais, a dor emocional da discordância do sistema sexo/gênero. Método: Pesquisa exploratória com abordagem qualitativa, realizada a partir de entrevistas em profundidade com quatro transexuais cadastrados e referidos pelo Centro de Referências de Direitos Humanos de LGBT e Combate à Homofobia na Paraíba – ESPAÇO LGBT, nos meses de abril e maio de 2016, sob aprovação do CAAE: 45466515.2.0000.5188. A análise do material empírico foi feita a partir da análise Categorial Temática. Resultados: As pessoas que participaram dessa pesquisa foram duas mulheres biológicas com gênero masculino e dois homens com gênero feminino, com idade entre 23 e 48 anos, todos (as) com algum tipo de relação afetivo sexual e orientação sexual heterossexual. A partir da análise das entrevistas, emergiram duas categorias temáticas: 1. Esse corpo não é meu e 2. A dor da não aceitação e os desejos ocultos. Na categoria 1, as (os) transexuais referiram a não aceitação do corpo biológico, com dificuldades de se olharem no espelho e até mesmo de realizar higiene nas genitálias. O desconforto em ter algo que não lhes pertence. A rejeição ao corpo levando muitas vezes a desconfortos extremos e a busca de auxílio psicológico. Na Categoria 2, emergiram fragmentos de falas que reportavam à dor que sentiam e as vontades ocultas de acabar com o sofrimento que estavam passando, com intenções e tentativas de mutilações e de término da vida. O desejo de ter o corpo certo emerge também desde muito cedo, quando os (as) entrevistados (as) se reportavam às preces e orações pedindo que fossem devolvidos seus corpos verdadeiros, o que os (as) fazia sentir desespero, medo, confusão e tristeza. Conclusão: A discordância do sistema sexo/gênero e das normas sociais, refletem o corpo enquanto identidade social, fortemente impregnado por conotações de um não pertencimento do Eu e do Eu no mundo. A patologização do corpo transexual enquanto um transtorno de identidade, mostra a invisibilidade do sujeito em função de uma marca sexual.