52977

SENTIDOS CONSTRUÍDOS SOBRE A INTERNAÇÃO EM COMUNIDADES TERAPÊUTICAS COM PESSOAS EM TRATAMENTO POR USO DE DROGAS

Favoritar este trabalho

Introdução: na assistência em saúde mental organizada atualmente pela RAPS existem diferentes formas de tratamento para o uso problemático de drogas, contudo, tem ocorrido aumento de políticas públicas que financiam as internações principalmente em Comunidades Terapêuticas. Objetivo: compreender os sentidos construídos sobre a internação em Comunidades Terapêuticas por indivíduos que passaram por estas instituições e atualmente são usuários de um Centro de Atenção Psicossocial II – álcool e drogas. Método: foram realizadas entrevistas semiestruturadas com pessoas em tratamento em um CAPS- AD do município de Ribeirão Preto – SP, que passaram por pelo menos uma internação em Comunidades Terapêuticas, seguindo os critérios éticos (CAAE 31307414.7.0000.5407). Foi realizada uma análise de categoria temática tendo como referencial epistemológico o construcionismo social. A análise dos resultados foi realizada com 10 entrevistas, sendo construídas quatro categorias: 1) Comunidades Terapêuticas e equipamentos da rede de atenção psicossocial; 2) Momentos marcantes como desencadeadores da decisão de internação e suas expectativas; 3) Funcionamento das Comunidades Terapêuticas; e 4) A saída da Comunidade Terapêutica: decisão e experiências na sociedade. As CTs trabalham unicamente com a abstinência propondo atividades domésticas, do campo (laborterapia) e espirituais, como principais intervenções. Há uma construção social, pautada no discurso moral religioso e jurídico, de que as internações prolongadas seriam a resolução para os problemas relacionados ao uso de drogas, sendo as CTs privilegiadas pelo financiamento público. Contudo, os usuários e familiares são constantemente enganados e expostos a situações de violência (coerção, imposição e punições). Conclusões: ao abrir espaço nas políticas públicas para financiamento das CTs, tem-se investido em um modelo em que se desconhece a proporção de sua atuação e o modo como essas vem atuando, ao mesmo tempo em que apresentam contradições com as diretrizes da Reforma Psiquiátrica e da RAPS. Tem-se dessa forma desconsiderado a complexidade social e de cuidado na saúde no campo das drogas, impactando na forma como usuários de drogas são descritos e se descrevem.