RODAS DE CONVERSAS COMO PRATICAS E FUNDAMENTO DA INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA EM SAÚDE INDÍGENA: RELATO DE CASO
INTRODUÇÃO. As concepções de saúde e doença mental dos povos indígenas emergem das práticas relacionais comunitárias e da observância aos ritos e costumes que mediam as relações entre os seres dos mundos físico e cósmico. O respeito às especificidades e conhecimentos indígenas deve ser o alicerce para a construção de soluções. A transmissão dos conhecimentos acerca dessas práticas e observância aos ritos e costumes é passada de geração a geração pela tradição oral, onde os mais velhos se reúnem com os mais jovens ao redor de uma fogueira, ocasião que configura a roda de conversas. Transplantadas para os espaços formais, as rodas de conversas instituem um modelo dialógico, onde os sujeitos se “comprometem como atores sociais críticos e reflexivos da realidade”. Portanto, caracterizam-se como espaços de cuidados, discussões, trocas e aprendizado. OBJETIVO. Descrever uma experiência de rodas de conversas cujos resultados influenciaram uma intervenção terapêutica de sucesso em um caso de surto psicótico. MÉTODO. Relato da experiência de enfermeiras de uma instituição pública de atenção à saúde de povos indígenas no noroeste do Amazonas, a partir da prática das rodas de conversas. RESULTADOS. Através das rodas de conversas, as concepções sobre práticas de promoção e proteção da saúde e de prevenção e tratamento de doenças da medicina tradicional indígena e da medicina ocidental foram cotejadas e proporcionaram para a equipe de saúde aprendizados que fundamentaram as intervenções terapêuticas da condição de uma jovem indígena em surto esquizofrênico. Ao compreenderem que aquelas concepções indígenas são necessariamente forjadas no âmbito coletivo e que a doença individual compromete a comunidade como todo, as enfermeiras consideraram os saberes da medicina indígena e discutiram-nas em reunião com os demais profissionais de saúde, cujo consenso permitiu articular práticas de pajelança ao tratamento biomédico, obtendo como consequência o êxito terapêutico. CONCLUSÕES. As rodas de conversas aproximaram profissionais e usuários e possibilitaram a troca de saberes A combinação do uso de psicofármacos associado às práticas de pajelança atenderam às expectativas da família e contemplaram as recomendações da Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas, promovendo a articulação das práticas tradicionais indígenas com as da biomedicina.