QUALIDADE DE VIDA PÓS-TCTH: COMPARAÇÃO ENTRE A AUTOAVALIAÇÃO DAS CRIANÇAS E A HETEROAVALIAÇÃO DAS MÃES
Diversos autores se dedicam a compreensão da Qualidade de Vida (QV) das crianças pós tratamento, mas raros são os que analisam a concordância da QVRS aferida pela criança e a julgada pelos pais. Neste contexto, o objetivo do presente trabalho foi avaliar a qualidade de vida relacionada à saúde de crianças imediatamente pós o TCHT, e comparar os resultados da autoavaliação feita pelas crianças com o heteroavaliação realizada pelas mães. Utilizou-se o Questionário Pediátrico de Qualidade de Vida PedsQL™ - Relato da criança e Relato dos pai sobre a criança (8-12 anos), aplicado individualmente, face-a-face. As mães responderam às mesmas questões que os filhos, porém fazendo referências as crianças. Esse questionário avalia o nível de dificuldades com: a) dores e machucados; b) náuseas; c) ansiedade frente ao procedimento; d) ansiedade frente ao tratamento; e) preocupações pós tratamento; f) cognitivas; g) percepção da aparência física; h) comunicação. Após a aplicação foi dado um escore para cada questão, que posteriormente foi transformado numa escala de 0-100, em que o zero corresponde a um pior estado de saúde e 100 a um melhor. A amostra foi composta por 14 participantes, sendo sete mães e seus respectivos filhos. A idade dos pacientes variou de 8 a 10 anos. Os resultados (médias) das avaliações foram: a) dores: mães=97,9 (dp=4,6), crianças=70,4 (dp=22,1); b) náuseas: mães=79,1 (dp=21,8), crianças=70,8 (dp=22,61); c) ansiedade com procedimentos: mães=48,5 (dp=32,0), crianças=72,0 (dp=23,3); d) ansiedade com tratamento: mães=84,6 (dp=15,4), crianças=76,0 (dp=28,5); e) preocupações: mães=82,0 (dp=11,5), crianças=64,3 (dp=30,7); f) cognitivas: mães=70,8 (dp=28,1), crianças=66,6 (dp=30,7); g) aparência: mães=84,7 (dp=13,11), crianças=66,6 (dp=28,3) e h) comunicação: mães=67,9 (dp=24,2), crianças=68,0 (dp=45,2). Observa-se diferenças nos valores das avaliações das mães e das crianças, as mães, em geral, avaliam de forma mais positiva a QV dos filhos. Destaca-se o componente dores que apresentou uma diferença estatisticamente significativa nas pontuações (p=0,03), sendo que as mães superestimam a ausência de dor nos filhos. Esses dados indicam que as mães tendem a minimizar as dificuldades que os filhos vivenciam, acreditando que a QV destes é superior ao nível que eles avaliam. Este é um indicador importante da necessidade de intervenções com as duplas, visando facilitar o diálogo e ampliar a compreensão das vivências emocionais das crianças pelas mães.