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Introdução: A dependência química pode ser compreendida como uma doença que revela questões biopsicossociais, econômicas, culturais e políticas de cada indivíduo em seu contexto. Objetivo: Identificar o perfil de adictos em recuperação quanto ao uso e abuso, recaídas e tratamento de drogas. Método: Estudo transversal, descritivo e exploratório com abordagem quantitativa, realizado com 180 adictos do sexo masculino, maiores de 18 anos, de 11 clínicas terapêuticas para tratamento de álcool e drogas do município de Uberaba, MG. Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Triângulo Mineiro e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, os participantes responderam questionário contendo variáveis sociodemográficas, socioeconômicas e dados referentes ao uso e abuso, recaídas e tratamento de drogas. Foi realizada análise univariada apresentada por meio de freqüências absolutas e relativas para variáveis qualitativas; e medidas de tendência central e de variação, para variáveis quantitativas. Resultados: A idade dos adictos em tratamento variou de 18 a 77 anos e houve predomínio de solteiros (61,7%), que viviam com os pais (43,3%), com 9 a 12 anos de estudo (29,4%), com ocupação não profissionalizante (35,6%) e renda pessoal de 1 a 2 salários mínimos (32,8%). Sobre o uso de drogas, a idade de início de uso foi entre 11 e 20 anos (75,6%), com álcool (66,1%), motivados por curiosidade (66,7%) e 62,2% já experimentaram outras drogas. O principal problema social consequente do uso foi o desemprego (36,1%). Dos pesquisados 52,2% tiveram recaídas e no atual episódio, o uso de álcool se destacou (87,2%). Nessa fase, verificou-se a presença de apoio (58,3%), principalmente da família (50,6%), sendo esta citada como fator de proteção para recaídas (48,9%). Referente ao tratamento, apenas 32,2% completaram a primeira internação, basicamente em clínicas terapêuticas (85,6%), com ajuda dos familiares (76,7%), sendo o psicólogo o profissional mais atuante (56,7%). Conclusão: O conhecimento do perfil de adictos auxilia na proposição de estratégias e ações de prevenção, promoção, tratamento e reinserção do indivíduo na sociedade. A problemática da drogadição deve ser assistida de forma ampla pelos profissionais visando a construção do cuidado mais direcionado as particularidades e necessidades biopsicossociais que compõe a complexa relação entre o indivíduo e o uso abusivo de drogas.