PERCEPÇÕES QUE SUSTENTAM A REDE DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL: ESTUDO DE CASO COM COORDENADORES DE INSTITUIÇÕES DE MUNICÍPIO DO TRIÂNGULO MINEIRO
Introdução: O município mineiro selecionado como cenário da pesquisa conta com ampla Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) constituída por instituições municipais e filantrópicas de diferentes níveis: unidades de atenção básica (equipes saúde da família e equipe de matriciamento em saúde mental), Centros de Apoio Psicossocial (um Infantil, dois Adultos e um para Alcoolistas e Dependentes Químicos), urgências psiquiátricas nas Unidades de Prontoatendimento, hospital psiquiátrico, leitos em hospital geral, Consultório na Rua e Serviços de Residências Terapêuticas. Objetivos: Na presente comunicação são analisadas as percepções de coordenadores de instituições municipais e filantrópicas sobre direitos humanos, luta antimanicomial, dispositivos de cuidado, atenção humanizada, desafios e potencialidades da RAPS no município. Metodologia: Trata-se de estudo de caso descritivo e explicativo conduzido com metodologia qualitativa. A coleta de dados ocorreu com entrevistas semiestruturadas com coordenadores de instituições municipais (08), de filantrópicas (03) e gestor municipal (01). Na análise temática emergiram as seguintes categorias: direitos humanos e luta antimanicomial, dispositivos de cuidado, atenção humanizada, avanços e desafios da rede. Resultados: O estudo evidenciou os meandros da constituição da RAPS no município mineiro bem como as influências da luta antimanicomial e da reforma psiquiátrica. Dentre os participantes encontram-se trabalhadores da saúde mental que, desde os anos 1990, militam na área. Em suas percepções observamos conhecimento sobre direitos humanos, dispositivos de cuidado e, especialmente, avaliação crítica dos avanços e desafios postos à RAPS. A relação umbilical entre a atenção humanizada ao usuário da saúde mental e os direitos humanos foi intensamente explorada nas entrevistas e sintetizada como direito à singularidade, acesso aos direitos socioassistenciais, ao convívio comunitário e atendimento em serviço aberto. Os avanços citados referem-se à implantação da diretoria de atenção psicossocial e aos novos dispositivos de cuidado. De outro modo, os desafios se concentram na estigmatização, atendimento das urgências psiquiátricas em unidades de prontoatendimento terceirizadas, dispositivos inexistentes e retrocessos do contexto político contemporâneo. Conclusões: A compreensão ampliada da RAPS pode ensejar novas articulações entre as instituições. Neste intento, o diálogo com os coordenadores é primordial.