O USO DE CANNABIS E TRANSTORNOS MENTAIS
Na atualidade, dentre as drogas ilícitas utilizadas, no Brasil, a cannabis encontra-se em primeiro lugar de consumo. Sendo que, 10% das pessoas que a experimentam fazem o uso diário. As consequências negativas do uso são mais observadas quando há o consumo frequente, tendo como implicações as alterações no funcionamento dos sistemas de neurotransmissores, comportamento paranóide, déficits das habilidade motoras, apatia e diminuição da capacidade cognitiva, sendo que os prejuízos são maiores quando o consumo ocorre na adolescência. Nesta fase do desenvolvimento, o uso crônico pode levar a problemas de aprendizagem, redução de memória de curto prazo e agravar distúrbios já existentes como bronquite e infertilidade. Considerando a complexidade associada aos efeitos do uso da cannabis este trabalho objetiva, através da Revisão Integrativa de Literatura científica brasileira, identificar como o consumo de cannabis pode se relacionar com o desenvolvimento de transtornos mentais. Foi utilizado o método de Revisão Integrativa da Literatura através do banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) utilizando a combinação dos decs cannabis, transtornos mentais e substâncias químicas; enquanto critérios de inclusão foram considerados materiais científicos de pesquisa de campo brasileiras publicadas entre o período de 2000 e 2016. No total foram encontrados 13 artigos, dos quais sete foram excluídos por não se enquadrarem nos critérios de inclusão. Os principais resultados encontrados apontaram que: ao longo da vida várias pessoas já consumiram a substância, ao menos, uma vez não havendo diferença significativa entre os sexos; há uma correlação positiva entre o uso de tabaco, álcool e cannabis; e em adolescentes há presença de comorbidade do uso com Transtorno de Conduta, Transtorno de Déficit de Atenção, Hiperatividade, Transtorno Desafiador e de Oposição; há uma correlação entre o uso e desenvolvimento de Transtornos Ansiosos e Obsessivo Compulsivo. Este estudo identificou que, as pesquisas encontradas foram, em sua maioria, realizadas com adolescentes e abordaram temas de drogas em geral, e que os efeitos em relação ao uso da cannabis são menos trabalhados por seus danos serem menos evidentes comparados aos de outras drogas. Assim, no Brasil há poucas pesquisas relacionando o uso da substância com transtornos mentais na população em geral. Deste modo, considera-se necessário que haja mais estudos sobre suas consequências orgânicas e psicológicas.