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MERCADO DE TRABALHO, REDE DE APOIO SOCIAL E A NORMATIVA CISGÊNERA: ENTRELAÇAMENTOS POSSÍVEIS NA VIDA DE PESSOAS TRANS

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Introdução: Transgênero é um termo guarda-chuva utilizado para se referir às pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído no nascimento. Em uma sociedade marcada pela normativa cisgênera, as pessoas que escapam à exigência de coerência entre o sexo biológico e a identidade de gênero vivenciam uma intensa discriminação em diversos âmbitos, inclusive no mercado de trabalho. Comumente, pessoas trans que estão inseridas no mercado de trabalho sofrem preconceito sexual, agressões, intimidações, dificuldades de contratação e de promoção/ascensão na carreira. Diante dessas adversidades, uma importante fonte de apoio para a pessoa é a rede de apoio social, que são as relações que o indivíduo percebe como significativas ou diferenciadas em relação à massa da sociedade. Objetivo: O objetivo deste estudo é inquirir como se dá a inserção de pessoas trans no mercado de trabalho e circunscrever os limites e potencialidades da rede de apoio social de pessoas trans. Método: Participaram seis mulheres transgêneras. Os instrumentos utilizados foram roteiro de entrevista semiestruturada, Genograma e Mapa de Rede. A análise dos dados foi pautada na literatura disponível sobre o tema e na teoria queer. Resultados: Principalmente no início da transição de gênero, a rede de apoio social é um contexto de aprendizagem da performance trans. No decorrer da vida, a rede de apoio social é fundamental na superação na inclusão das pessoas trans em ambientes heteronormativos, como a escola e o trabalho. A militância também é uma importante fonte de apoio social, e engajar-se nessas atividades diminui a sensação de exclusão social. As entrevistadas relatam enfrentar diversas dificuldades no mercado de trabalho: de contratação, de ascensão na carreira, recusa de outros funcionários de subordinar-se a um gerente trans, infantilização da pessoa trans perante os clientes do estabelecimento. Conclusão: O contato com outros(as) trans molda a construção relacional da própria transgeneridade. Pessoas trans que conseguem superar as barreiras da contratação e ingressar no mercado de trabalho não vivenciam plena inclusão. Isso porque são mantidos práticas e mecanismos informais de controle sobre as pessoas trans, o que torna o ambiente laboral hostil às diferenças. Nesse cenário, as entrevistadas contam com o apoio de membros de sua rede, que as incentivam a não se autoexcluírem desses espaços. (FAPESP, processo número 2015/24006-3)