LEVANTAMENTO EPIDEMIOLÓGICO EM SAÚDE MENTAL
A história da reforma psiquiátrica brasileira e a criação dos Centros de Atenção Psicossocial proporcionaram grandes avanços na assistência às pessoas em sofrimento mental. O conjunto de patologias classificadas como transtornos mentais tem apresentado alta prevalência entre a população geral do Brasil, tendo assim, grande importância para a saúde pública nacional, principalmente quando assistidas pela Atenção Primária à Saúde. O objetivo deste estudo foi levantar informações correspondentes a dados epidemiológicos em Saúde Mental em um município da Região do Alto Paranaíba de Minas Gerais. A metodologia utilizada foi exploratória, descritiva e transversal, de natureza quantitativa, a fim de levantar dados epidemiológicos em saúde mental. O procedimento de coleta de dados deu-se por meio dos 154 prontuários de pacientes com diagnósticos de transtornos mentais, atendidos nos serviços de saúde mental, no período de 01 de outubro de 2013 a 01 de abril de 2014. O estudo atendeu aos princípios éticos da Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº. 466, de 12 de dezembro de 2012, para pesquisa com seres humanos, o qual foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Franca, Parecer: 688.119 de 13 de junho de 2014. Os resultados obtidos demonstraram uma predominância do atendimento em mulheres (60,39%), com faixa etária de 20 a 39 anos (34,42%) e com diagnóstico de transtornos de ansiedade (38,96%) e de depressão (35,06%). Os principais medicamentos prescritos identificados foram antidepressivos (63,64%), ansiolíticos (42,86%) e benzodiazepínicos (40,91%). Dos encaminhamentos poucos são para a psicologia em controvérsia ao psiquiatra, resultando em escassez de tratamento finalizado por melhora. Concluiu-se que a Política Nacional de Saúde Mental deve ser expandida para a criação de mais serviços de saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial em consonância com a Rede de Atenção Psicossocial com maior oferta de equipes multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde, principalmente para atendimentos promocionais à saúde mental e acompanhamentos das pessoas com transtornos mentais em todas as fases de suas vidas com intervenções na lógica do modelo assistencial biopsicossocial visando à utilização de ferramentas de tecnologias leves de escuta, vínculo, projeto terapêutico individual, contratualidade, matriciamento, assim como articulação entre a rede de serviços locais em prol de assistência compartilhada.