GRUPO DE EDUCAÇÃO PARA MORTE: UMA ESTRATÉGIA COMPLEMENTAR À FORMAÇÃO DA GRADUAÇÃO
Os grupos de Educação para Morte aparecem como uma tentativa de preencher uma lacuna importante da formação acadêmica na área da saúde, trazendo à tona temas que são negligenciados, como o processo de morrer, atitudes frente à morte, cuidados paliativos, luto do profissional, dentre outros. Essa modalidade de intervenção nasce de uma necessidade desencadeada pela dificuldade de enfrentamento de situações de agravamento e perdas de pacientes por membros da equipe multiprofissional. Trata-se de um trabalho complexo, inserido em um cenário sociocultural de negação da terminalidade e que exige lidar com questões delicadas relacionados à finitude humana. Necessitam ter objetivos claramente definidos, configurando uma proposta pedagógica que busque introduzir uma postura mais humanista em cursos altamente tecnicistas. O objetivo deste estudo é descrever a implementação do Grupo de Educação para Morte e conhecer a percepção dos participantes sobre essa experiência. Participaram do estudo oito alunas do último ano de um curso da área de saúde de uma universidade pública, com idades entre 22 e 24 anos. Foi aplicado um questionário autopreenchido, em dois momentos: pré e pós-intervenção. As respostas às questões abertas foram submetidas à análise de conteúdo temática. Foram identificadas as categorias: expectativas iniciais, conhecimento prévio, apreciação sobre a intervenção em grupo e percepção do conhecimento adquirido. Pode-se afirmar que, na perspectiva das participantes, o trabalho cumpriu satisfatoriamente seu propósito, possibilitando reflexões sobre a morte e o morrer no hospital, por meio de uma aprendizagem significativa, que envolveu tanto aspectos cognitivos como afetivos, e que levou em consideração a experiência de prática clínica das alunas. Foi observada a possibilidade de reconsideração da morte e do luto na trajetória dos encontros grupais, de modo individual e coletivo, possibilitando uma revisão das práticas. Esses benefícios do Grupo parecem ser incrementados quando se considera a participação ativa do sujeito na construção desse conhecimento. É importante ressaltar que o intuito do trabalho é o de potencializar reflexões ininterruptamente e desencadear questionamentos sobre um tema ainda obscuro e pouco explorado. Também deve ser pontuado que é de fundamental importância para o sucesso dessa empreitada que os participantes estejam motivados e verdadeiramente disponíveis para a tarefa grupal, uma vez que serão tocados em experiências sofridas.