ESPAÇO GRUPAL PARA CONVERSAR SOBRE CIDADANIA EM UM CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL
INTRODUÇÃO: O Ministério da Saúde preconiza que as diversas atividades oferecidas pelos Centros de Atenção Psicossocial devam ser um espaço de exercício coletivo da cidadania. Logo, a condição de sofrimento psíquico não deve servir de pretexto para excluir a cidadania como uma dimensão da vida das pessoas. Neste sentido, Paulo Freire nos auxilia pensar a relação entre diálogo e cidadania, pois a educação para a consciência critica, feita por meio da troca de experiências e saberes entre os indivíduos serve para combater a massificação do pensamento (condição de irracionalidade e temor da liberdade). OBJETIVO: Este trabalho discute a proposta de rodas de conversa em CAPS tipo II que abordaram assuntos do cotidiano das pessoas em situação de sofrimento psíquico que frequentavam o serviço do ponto de vista do exercício da cidadania , isto é, seus direitos e deveres civis, políticos e sociais, de modo a suscitar questionamentos, aprendizagem e compartilhamento de opiniões. MÉTODO: A proposta da oficina foi elaborada pelos estagiários de Psicologia em conjunto com uma psicóloga da unidade. Os dez encontros ocorreram uma vez por semana, com duração de 1h30 e os temas abordados envolveram Aborto, Estatuto da Família, Questões Trabalhistas e Religiosas, de acordo com o interesse dos usuários. RESULTADOS: Observamos uma grande participação dos usuários, mesmo dos que geralmente não aderiam a outras atividades do Serviço, o que nos apontou a necessidade que eles têm de conversar sobre outros aspectos da sua vida que não estejam restritas ao seu sofrimento mental. Uma média 12 pessoas participaram das oficinas. As rodas de conversa puderam oferecer um ambiente propício para o debate de ideias, com espaço de fala para todos, contribuindo para o respeito às diferenças de posicionamentos de cada um sobre os temas. Essa forma de conduzir a atividade implicou em possibilidade do exercício político do respeito às diferenças. CONCLUSÃO: É importante que os usuários do serviço tenham um espaço no próprio CAPS para conversar sobre questões de sua vida como cidadãos de direito, e assim, por meio de trocas, debates e discordâncias, seja possível construir um diálogo que os faça refletir sobre sua posição no mundo, a sua influência em sociedade, e as dinâmicas que permeiam a cada um de nós, fazendo do CAPS um espaço terapêutico, compreendido não apenas como condutas de profissionais de saúde para com usuários, mas um espaço onde a ação crítica e política estejam presentes.