COMUNICAÇÃO SUICIDA DE GRUPOS DE AUTOMUTILAÇÃO EM REDE SOCIAL VIRTUAL
Introdução: O comportamento autolesivo se constitui como comportamento intencional de agressão direta ao próprio corpo e sem intenção consciente de suicídio. (GIUSTI, 2012) Entretanto mesmo sem intenção consciente de suicídio, a automutilação se manifesta como importante fator preditivo para o comportamento suicida. Estima-se que cerca de 50-60% das pessoas que se suicidaram tiveram história de automutilação, e aumento da frequência dos episódios próximo ao desfecho do suicídio (Foster ET AL. 1997; Da Cruz, ET AL., 2011) De acordo com Harris, Roberts (2013) o número de páginas na Internet sobre o comportamento autolesivo vem aumentando. Entretanto mesmo com tamanha procura sobre o assunto, pouco se tem abordado sobre o tema. Dessa forma, o objetivo do estudo foi analisar a comunicação suicida em postagens de grupos de automutilação em Redes Sociais Virtuais. Método: Realizada pesquisa qualitativa em Rede Social Virtual. Os dados foram coletados em grupo de automutilação do Facebook. Os dados se referem a depoimentos e comentários publicados pelos participantes do grupo. Os critérios de inclusão definidos foram: depoimentos com mais de 10 comentários postados no período de dezembro de 2014 a dezembro de 2015. Os dados foram analisados a partir do recurso metodológico da análise de conteúdo de Bardin. O estudo foi aprovado pelo CEPES/UFSJ sob o parecer nº 975.511. Resultados: A partir da análise do material coletado emergiram duas categorias: Comunicação do Comportamento Suicida no conteúdo dos depoimentos e Resposta ao Comportamento Suicida no conteúdo dos comentários. A Comunicação do Comportamento Suicida apresenta como subcategorias: notas suicidas, significado do suicídio, vulnerabilidades (familiar, pessoal e relacionamento) e meios de perpetração do suicídio. A Resposta ao Comportamento Suicida apresenta como subcategorias: contextos que aumentam a vulnerabilidade (Efeito Contágio, Identificação, Vulnerabilidade, Pró Suicida, Indução ao Comportamento Autodestrutivo, Apoio Superficial) e contextos que diminuem a vulnerabilidade (Oferta de Apoio: Religioso, Religioso Institucional e Espiritual). Conclusões: A comunicação suicida em grupos virtuais é contemporânea e nos impele a repensar os desafios do comportamento suicida na atualidade. Assim, o estudo expõe particularidades dessa comunicação e propõe reflexão sobre novas estratégias para enfrentamento do fenômeno.