COMPORTAMENTO AUTOLESIVO COM E SEM INTENÇÃO SUICIDA ENTRE ADOLESCENTES
Introdução: A automutilação tem sido considerada uma maneira disfuncional de enfrentar situações-problema, geralmente com grande carga emocional (GARRETO, 2015). O comportamento autolesivo ocorre em diversas faixas etárias, sendo predominante em adolescentes, sobretudo do sexo feminino (CEDARO, NASCIMENTO, 2013;PAIVA & COSTA, 2015; PIROCCA, 2012). Tais atitudes consistem em provocar, de forma consciente, feridas no próprio corpo, como cortes, arranhões, queimaduras ou perfurações, não havendo nessas ações o desejo manifesto de suicídio, embora nas falas dos pacientes, seja comum aparecerem ideações nesse sentido.
Objetivo: Analisar as características do comportamento auto lesivo com e sem intenção suicida entre adolescentes.
Método: Realizado estudo exploratório, transversal e descritivo com abordagem quantitativa.
Os dados foram coletados com 200 adolescentes de 10 a 16 anos matriculados no ensino fundamental de cidade do interior do Estado de Minas Gerais (Brasil). Para coleta dos dados foi utilizada a Escala de Comportamento de Automutilação (Functional Assessment of Self-Mutilation- FASM). O estudo foi aprovado pelo CEPES/UFSJ.
Resultados: Identificado automutilação com intenção suicida (12,5%) sendo a maioria mulheres (64,71%), matriculadas no 8º ano, com prática de automutilação leve ou moderada (94,12%), com auto relato de sentir dor (58,82%), idade média na primeira prática auto lesiva de 9,41 anos. Quando comparada as características do comportamento auto lesivo com e sem intenção suicida identifica-se que os adolescentes com intenção apresentam menor idade média na primeira prática de automutilação (9,41 anos x 10,20 anos), encontravam-se sob efeito de álcool ou outras drogas (5,88% x 0,87%) e a maioria com relato de automutilação leve (morder e/ou aranhar-se propositalmente) e moderada (bater, arrancar os cabelos, auto tatuar e/ou inserir-se objetos embaixo da unha ou sob a pele propositalmente). A maioria dos adolescentes com automutilação sem intenção suicida apresentaram relato de comportamento auto lesivo grave (cortar a pele, cutucar um ferimento, queimar a pele, beliscar ou cutucar até sangrar e/ou esfolar a pele propositalmente).
Conclusões: Destaca-se a relação entre a prática da automutilação precoce e intenção suicida em adolescentes escolares, sendo importante a realização estudos para identificação dos fatores de risco e proteção do comportamento suicida entre adolescentes com prática de automutilação.