A VULNERABILIDADE E O CONSUMO DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS PELAS TRAVESTIS
O consumo de drogas é um problema de saúde pública, para as travestis esse problema se agrava devido à violência e a vulnerabilidade social que estão expostas. As travestis vivenciam/rompem com os padrões de gênero impostos/construídos socialmente e por isso sofrem intenso preconceito e discriminações. Colocando-as em situações de risco e extrema vulnerabilidade social. O objetivo do trabalho foi analisar a vulnerabilidade e o consumo de álcool e outras drogas pelas travestis da cidade de Anápolis-GO. Trata-se de um estudo descritivo transversal com abordagem qualitativa. A amostra foi composta por onze travestis, selecionada de forma aleatória e por conveniência. A coleta de dados ocorreu nos meses de março e abril de 2014 na cidade de Anápolis, com as travestis residentes, maiores de 18 anos, que trabalhavam como profissionais do sexo e que aceitaram participar da pesquisa, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Este estudo conta com parecer favorável CAEE: 23450813.0.0000.5076 do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de Anápolis-UniEvangélica. Os dados foram trabalhados na categoria temática: vulnerabilidades potencializadas. Percebeu-se uma potencialização das vulnerabilidades das travestis, por exercerem uma profissão não regulamentada, a prostituição (dificilmente encontram outra forma de subsistência, simplesmente por serem travestis); o que não garante nenhum direito trabalhista e nem previdenciário. O consumo de álcool e outras drogas neste contexto em que a prostituição, na maioria dos casos, não é escolha, mas única alternativa e que o consumo dessas substâncias é usado para suportar este ofício. E se somando a todo este contexto, o cliente paga para consumirem álcool e outras drogas durante o programa. Evidencia-se uma desigualdade nas relações de poder de barganha com o cliente, por não terem outras opções elas acabam aceitando, o que as colocam em situações de risco. Como de contrair doenças sexualmente transmissíveis e, conseguentemente, de se tornarem dependentes químicas. Considera-se a complexidade advinda do consumo de álcool e outras drogas pelas travestis no contexto da prostituição por extrapolar o campo da saúde e, principalmente, por evidenciar como valores morais, socialmente construídos, interferem na vida não só das travestis, mas de todas as pessoas que se relacionam com elas.