A EXPRESSÃO ATRAVÉS DA OFICINA DE ARGILA
Introdução: O emprego de recursos artísticos no campo da saúde mental no Brasil não é novo tendo a figura de Nise da Silveira como uma das pioneiras. Atualmente, diferentes estratégias em serviços de atenção à saúde mental lançam mão desse recurso como forma de cuidado ao outro. Tais recursos permitem a expressão sem a necessidade do uso da palavra e da escrita, que exigem maior grau de organização psíquica e podem ser utilizados com usuários da rede de saúde mental em situação de crise ou sofrimento intenso.
Objetivo: Promover, ao longo de estágio profissionalizante em Psicologia, um espaço de criação expressiva para usuários de dois Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) com baixa adesão às atividades já existentes no serviço e/ou que estejam com proximidade dos critérios de crise, propiciando acolhimento, estabelecimento de vínculo com o serviço e apropriação, pelo usuário, de suas criações, sem a necessidade de expressão verbal.
Método: A proposta da oficina com uso de argila foi elaborada após discussão em supervisão e posteriormente debatida com cada equipe para implementação. O intuito era que através do material o usuário promovesse a descarga de emoções, com liberdade, respeitando seu tempo e formas de simbolização. Foi escolhido o local mais adequado para a realização da oficina em cada um dos serviços contando com mesa, cadeiras, água, argila e bacia para água. Após o início das atividades do período da tarde, os usuários não integrados nas mesmas foram convidados para a oficina de argila pelos estagiários.
Resultados: Foram realizados 7 encontros em cada serviço, com 5 a 7 usuários em média, nas segundas-feiras à tarde. Pode-se perceber que os usuários compreenderam o espaço de acordo com a proposta, ou seja, eles circulavam livremente na oficina da forma que desejavam, produziam obras e compartilhavam seus sentimentos e pensamentos conforme sentiam-se à vontade. Esta postura não-diretiva do coordenador da oficina é necessária para uma abertura de tais pessoas a novos significados de si mesmas e do outro.
Conclusão: Houve adesão de usuários que, segundo as equipes, tinham dificuldade em participar de outros espaços oferecidos pelo CAPS. Assim a oficina de argila serviu como possibilidade para uma maior apreensão da necessidade de cuidado para com estes usuários, para que se sintam mais integrados no serviço e também aceitos, ainda que em condição de sofrimento profundo, de modo a contribuir para sua autopercepção sobre limites e potenciais.