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Apresentação/Introdução
Segundo dados da OMS, até 2050 haverá mais de 70 milhões de idosos no Brasil. Alguns desses idosos acabam morando em asilos. Tal realidade nos leva a indagar: como cuidar dos velhos? Como pensar formas de cuidado para velhos em asilos? Foi pensando nessas questões que iniciei uma etnografia em um asilo na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Objetivos
O objetivo consiste em verificar como o cuidado, para além de tratamentos médicos-hospitalares, pode ser percebido em um asilo. Observar como os velhos ressignificam suas velhices em oficinas de literatura. Seria a poesia uma forma de cuidado?
Metodologia
Estou realizando uma etnografia em um asilo. Realizei a pesquisa durante o segundo semestre de 2017, por meio de observação participante, entrevistas e acompanhamento da vida cotidiana dos velhos no asilo. Por meio dessa experiência etnográfica acompanhei oficinas de leitura nas quais os idosos entraram em contato com diversos textos e formularam diversas questões, que vão desde a conjuntura política atual às memórias de infância. Registrei sistematicamente esses encontros-eventos. A etnografia objetivou, nesses encontros, nessas instâncias imprevisíveis, observar os entrecruzamentos de desejos e modos de cada pessoa a partir de suas próprias vivências e formulações.
Resultados
Percebi com o decorrer da pesquisa, que essas oficinas são instâncias, são momentos – eventos a partir dos quais meus interlocutores se transformam, se repensam e imaginam o mundo e a si mesmos com outros olhos. A partir das produções dos idosos nas oficinas observei as possibilidades e as formas de participação em uma Instituição de longa permanência. A poesia mostrou-se uma forma de cuidado e o cuidado em forma de poesia. Lendo Cecília Meireles, Moacyr Scliar, entre outros outro(a)s, construíram-se outras formas de habitar o mundo.
Conclusões/Considerações
Por meio dessa troca intersubjetiva foi possível pensar como a poesia/literatura é eficaz para se pensar na própria velhice dentro da instituição. As oficinas de literatura tornaram-se espaços de resistência, de cuidado, de resgate de memórias. Esta pesquisa, no entanto, não buscou um estudo externo que trata o velho como “problema a ser resolvido”, mas procura pensar em como os próprios velhos ressignificam suas próprias velhices.
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