PESQUISA DOCUMENTAL SOBRE PROMOÇÃO DE SAÚDE E BIOPODER: PERSPECTIVA EMANCIPATÓRIA

Vol 1, 2018 - 101838
Oral
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Resumo

Apresentação/Introdução
Este estudo buscou temas que entrelaçam práticas de saúde e biopoder em documentos das políticas de promoção da saúde. Ao considerar estas políticas como biopoderes, descortinam-se tecnologias para controle e se compreende nos modelos de atenção uma relação civilizatória com a sociedade, a partir da proteção da vida e regulação dos corpos, na medida em que esses se tornaram preocupações políticas


Objetivos
Identificar, no campo da promoção da saúde, temas que entrelaçam práticas de saúde e biopoder, entendendo a promoção da saúde como campo de discursos, saberes e poderes, com dimensões regulatórias, disciplinares, participativas e emancipatórias


Metodologia
Estudo qualitativo a partir de pesqusia documental. Os documentos e leis utilizados para este estudo contemplaram o período de 1980 a 2015, foram selecionados e acessados na íntegra (www.scielo.org, www.bireme.br, www.saude.gov.br, www.saude.sp.gov.br), categorizados de acordo com seus conteúdos. À pesquisa documental procedeu-se análise de conteúdo identificando-se as regularidades de discurso sobre as propostas de ações coletivas e suas interfaces com a categoria Biopoder (Foucault, 2004; Agamben, 1998; Deleuze, 1992; Negri; Hart,2002) e o processo civilizador (Elias, 1994).


Resultados
As análises descortinam um discurso sobre “proceder na sociedade”, sinalizando as ações de cunho coletivo como executoras das políticas de saúde desde 1990. As Políticas de Promoção da Saúde atuam por sujeitos e seus modos de viver, porém apostam em modelos de atenção focados na medicalização, correção de comportamentos e transformação de indivíduos, buscando normalização. Constituem tecnologias de poder para população a fim de controlar a vida. Desta forma, destaca-se a necessidade de discutir os modelos de saúde na dimensão de potencializar os sujeitos para discutir e assumir seus modos de levar a vida, responsabilizando o Estado pelas condições de vida e não culpabilizando indivíduos


Conclusões/Considerações
Os discursos das políticas de promoção da saúde refletem a formação individualista voltada para a regulação e a vigilância, com incentivo a estilos de vida saudáveis, associadas com práticas disciplinares dos corpos. São modelos que produzem prescrições e controles e que, apesar do discurso de conhecer o outro e respeitar suas diferenças culturais, fortalecem uma modelização do comportamento em nome do discurso da saúde e da qualidade de vida.

Instituições
  • 1 USP
  • 2 UFRGS
  • 3 FSP/USP
Eixo Temático
  • Saúde Bucal Coletiva