Programa de Cuidados Especiais ao Óbito
Como fator significativo da tarefa do psicólogo que atua no contexto hospitalar tem-se que esta é essencialmente permeada pela morte e o morrer no cotidiano, caracterizando assim, especificamente o contato, a atuação profissional do próprio psicólogo e da equipe, o momento de crise do paciente e dos familiares, a urgência dos atendimentos e o tempo de ação. É fato que o hospital é a instituição marcada pela luta constante entre a vida e a morte. Nele se encarceram as esperanças de melhora, de cura, de minimização ou suspensão do sofrimento. No entanto, também o hospital é a instituição marcada pela morte, sempre alerta e presente, curiosamente exercitando uma batalha constante diante das condutas terapêuticas, tensionando o profissional de saúde que está sempre preparado e treinado para a melhora, para a cura, mas sempre muito angustiado frente a perspectiva da morte, da derrota pois a instituição hospitalar existe para a cura, não admitindo nada que transcenda esse princípio. Nesse cenário, torna-se fundamental a implementação de ações e processos em saúde que possam atender e perceber as demandas mais amplas que ali se realizam.ObjetivoEste trabalho tem como objetivo apresentar os resultados do Programa de Cuidados Especiais ao Óbito, desenvolvido pelo Serviço de Psicologia Hospitalar do Hospital São Luiz / Rede D'Or - Unidade Anália Franco.ResultadosNo período de 23 meses (janeiro de 2015 à novembro de 2016), foram monitorados os resultados do Programa, evidenciando o acompanhamento de 269 óbitos, possibilitando o atendimento psicológico a 1601 familiares e acompanhantes. Quanto as unidades, 70% dos óbitos ocorreram nas Unidades de Terapia Intensiva Adulto; 8% na emergência do PSA, 8% na Clinica Médico Cirúrgica; 7% na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal; 4% na Maternidade e 3% na UTI Infantil.O Programa pode ser desenvolvido em todas as suas etapas, em pré, intra e pós óbito em 82% do óbitos. Em 18% dos óbitos, as ações em intra e pós óbito foram dificultadas pela ocorrência em período noturno (entre 22 horas e 8 horas da manhã). Em 86% dos óbitos acompanhados em todas as etapas do Programa, os familiares e acompanhantes puderam despedir-se do paciente no leito após a morte; 84% foram acompanhados pelo psicólogo até a Administração (como ação de acolhimento); 98% foram acompanhados até o Morgue e em 79% dos casos