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O tempo e a Modulação da Angústia na UTI Coronária

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Introdução: As equipes das UTIs Coronárias se deparam, frequentemente, com sentimentos de agonia, ansiedade, luto e tristeza. Os psicólogos devem identificar com precisão, esses sentimentos para a intervenção; desta identificação depende a escolha das técnicas necessárias para a atuação. Abordamos aqui, tais sentimentos, sob a perspectiva da temporalidade. Os estados agônicos são atravessados pela infinitude, e o tempo é o sempre. Na ansiedade a temporalidade está presente no futuro; no luto o tempo é compreendido como elemento necessário para sua elaboração; na tristeza o tempo é o presente, e refere-se a uma situação real.Objetivo: Compreender e nomear os sentimentos, sistematizando o atendimento psicológico em situações de crises de pacientes, familiares e equipe da unidade de terapia intensiva coronariana, a fim de conhecer o perfil das necessidades destes grupos, tornando eficazes as intervenções psicológicas. Do mesmo modo, em situações de urgência, possibilitar a modulação da angústia.Métodos: Foi designada a presença de um psicólogo no período da manhã diariamente, com apoio de outros profissionais voluntários da área, a fim de ativamente identificar pacientes, familiares e membros da equipe em situação de demanda emocional. A atuação destes é através da sistematização do atendimento, que incluí organização do ambiente tornando-o acolhedor; ouvir, compreender e dar suporte às pessoas em situação de crise; nomear e dar sentido aos conteúdos subjetivos dos pacientes em situação de crise; auxiliar na organização da linguagem da sua angústia seja ela corporal, gestual, estética ou verbal.Resultados: Em 8 meses foram desenvolvidos 638 atendimentos assim divididos: 422 familiares de pacientes, entre estes 5 crianças, 209 pacientes internados e 7 membros da equipe técnica.Conclusão: A intervenção psicológica na UTI Coronária, em todos os casos, interferiu positivamente na evolução dos casos clínicos. As ansiedades mais frequentes apresentadas pelos familiares foram associadas à morte; entre as crianças o terror ao ambiente hospitalar; entre os internos, a hospitalização e as fantasias de impotência frente à doença. Entre os membros da equipe técnica as queixas não se agrupam em um padrão.