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" O que mais importa para as mulheres: uma análise qualitativa das concepções e expectativas de mulheres sobre o atendimento em hospitais no trabalho de parto e no parto

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A atenção obstétrica no Brasil caracteriza-se por grande variabilidade nos padrões de prática clínica, precipitação nas tomadas de decisões, comprometimento da segurança e fragmentação, com baixa valorização de aspectos inerentes à intersubjetividade. Objetivo: explorar o que realmente é mais importante, na opinião de mulheres, para que elas vivenciem boas experiências no trabalho de parto e no parto. Metodologia: estudo qualitativo com primíparas, atendidas maternidades públicas municipais da cidade do Rio de Janeiro. Foram feitas 27 entrevistas com base em um roteiro previamente elaborado, privilegiando elementos importantes para a conformação do cuidado centrado na pessoa, tais como relações interpessoais, comunicação e informação, decisão compartilhada e participação da mulher e acompanhantes. Para análise das transcrições foi utilizado o método de análise de conteúdo e, como referencial teórico, os elementos que conformam a prática do cuidado centrado na pessoa. As categorias foram organizadas em uma estrutura de codificação e indexação usando o software NVivo11. Os resultados demonstraram diferenças nas percepções das entrevistadas com relação ao trabalho de parto, algumas, dentro da mesma instituição, sugerindo diferenciadas formas de abordagem entre os plantões. Aspectos destacados como relevantes para um bom atendimento foram: a atenção dos profissionais para com a dor e o sofrimento; a utilização das boas práticas de atenção ao parto; a presença de um profissional durante o processo de trabalho de parto; e informações da evolução do parto à mulher e seu acompanhante. Algumas mulheres associaram sua experiência negativa ao desrespeito dos profissionais durante o trabalho de parto, caracterizado por procedimentos cientificamente não recomendados, comentários, posturas e atitudes desrespeitosas e discursos ofensivos. Apesar de toda política em prol da melhoria do cuidado obstétrico, da humanização do parto, do fortalecimento do protagonismo da mulher e do cuidado centrado nas necessidades da mulher, ainda há resistência e muito a ser feito nos serviços de saúde no que se refere ao desenvolvimento de uma relação mais acolhedora, pautada no diálogo e escuta. Palavras-chave: assistência centrada no paciente; serviço de saúde materno-infantil; qualidade do cuidado.