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Experiência da doença crônica e adesão ao tratamento

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A adesão de pacientes com doenças crônicas a terapias de longo prazo em países desenvolvidos é, em média, 50%, com um percentual ainda menor nos países em desenvolvimento (WHO, 2003). Compreendendo a adesão como um fenômeno complexo, influenciado por fatores socioeconômicos, relacionados à equipe ou ao sistema de saúde, ao paciente, ao tratamento e à doença (WHO, 2003), propõe-se entender como a experiência de o paciente ter uma doença crônica pode influenciar a adesão ao tratamento prescrito pelo médico. Ou seja, a experiência de um cuidado crônico com a saúde, sem limites espaciais e temporais, sem experimentação da cura, da "life at risk?, da experiência convergente do risco e da doença crônica (ARONOWITZ, 2009). Com este propósito, realizaram-se entrevistas em profundidade com dez pacientes crônicos, que fazem uso contínuo de medicamentos, residem no Rio de Janeiro, possuem terceiro grau completo e plano de saúde. Como resultados, identificaram-se fatores que influenciam positivamente a adesão do paciente crônico à terapêutica, quais sejam: a aceitação da doença, as expectativas positivas em relação à terapêutica, a influência da religião na compreensão do advento da doença, o grau de responsabilidade atribuído pelo próprio paciente a si no surgimento da enfermidade (caso de doenças associadas a estilo de vida) e na gestão da mesma, a necessidade de autovigilância e de pensamento constante sobre a doença (ex: caso do paciente diabético dependente de insulina) e o compartilhamento de experiências com outros enfermos. Verificou-se também que a autoridade da experiência, conceito aqui adotado para abarcar a desestabilização do lugar do médico como perito em detrimento da experiência individual do paciente na gestão da doença, influencia negativamente a adesão ao tratamento proposto. Referências: ARONOWITZ, R. The Converged Experience of Risk and Disease. The Milbank Quarterly, v. 87, n. 2, p. 417-442, 2009. Disponível em: . Acesso em: 20 out. 2016. / WHO. World Health Organization. Adherence to long-term therapies: evidence for action. 2003. Disponível em: . Acesso em 05 nov. 2015.