Construção e análise de indicadores de desempenho do processo de acesso à atenção secundária de Saúde do Sistema Único de Saúde
INTRODUÇÃO: A literatura evidencia que não há um equilíbrio entre a oferta e a demanda dos serviços da atenção secundária à saúde no SUS. O objetivo deste estudo é identificar informações que possam ser utilizadas para analisar a eficiência do processo de acesso à atenção secundária de dois hospitais públicos no interior de São Paulo. MÉTODO: Foram analisados os processos de acesso à especialidade de Gastrocirurgia do Hospital Estadual de Ribeirão Preto (HERP) e Hospital Estadual de Américo Brasiliense (HEAB). Para identificar as informações que seriam analisadas foram entrevistados 31 envolvidos no processo (gestores, médicos, enfermeiros e funcionários administrativos) em 16 organizações de saúde (Unidades Básicas de Saúde, Secretarias Municipais de Saúde, Departamentos Regionais de Saúde e Hospitais). Os dados secundários, referentes a 2014, foram coletados dos sistemas de informação utilizados pelas organizações de saúde e analisados por estatística descritiva. RESULTADOS: As informações identificadas para ambos os processos foram: "Distribuição de vagas por município? e "Situação do paciente após à primeira consulta?. O "Tempo para triagem? é exclusivo ao HERP, sendo 33 dias o tempo médio da triagem em 2014. A proporção de "casos novos? foi diferente para cada processo HERP (84,2%) e HEAB (48,9%). A maior proporção de pedidos de interconsulta (PI) ocorreu no HEAB (40,2%) comparando-se ao HERP (2,1%), sugerindo que, em vista da falta de um sistema que permita a triagem eletrônica dos pacientes, torna necessária a triagem presencial no HEAB. A distribuição de vagas por município, foi proporcionalmente maior em municípios de pequeno porte. Após a primeira consulta, 23,9 % dos pacientes do HEAB receberam alta, sendo 12,7% no HERP, o que sugere que os pacientes podem ter sido encaminhados à especialidade ou complexidade inadequadas. CONCLUSÃO: Essas informações podem ser utilizadas para caracterizar os processos, compará-los e identificar oportunidades de melhoria. Além de torná-los mais transparentes aos envolvidos. Entretanto, deve haver cautela na análise desses dados, uma vez que não foram consideradas informações dos municípios que podem influenciar os indicadores como resolutividade da atenção básica, disponibilidade de prestadores, características epidemiológicas e acesso à planos de saúde.