O QUE FALAM OS LICENCIANDOS(AS) DO CURSO DE QUÍMICA-LICENCIATURA SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA DISCIPLINA DE DIDÁTICA PARA SUA FORMAÇÃO?

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Resumo
O QUE FALAM OS(AS) LICENCIANDOS(AS) DO CURSO DE QUÍMICA-LICENCIATURA SOBRE AS CONTRIBUIÇÕES DA DISCIPLINA DE DIDÁTICA PARA SUA FORMAÇÃO? INTRODUÇÃO Ao longo de alguns anos lecionando a disciplina de Didática, no Curso de Química-Licenciatura, temos nos deparado com alguns questionamentos recorrentes: O que tem levado os(as) estudantes a escolherem o curso de Licenciatura? Quais são as expectativas dos(as) estudantes com o curso? O que eles(elas) entendem por educação? Como eles(elas) se veem em relação ao ato de ensinar? Esses questionamentos sempre são renovados no início de cada semestre e vão influenciar os estudos e reflexões dentro e fora das aulas, como a pesquisa que estamos realizando que tem como objetivo: analisar as contribuições dos estudos da Didática na formação inicial de professores(as) de Química. Tomamos como fundamentação teórico-metodológica teóricos que têm contribuído historicamente no Brasil com os estudos da Didática como Libâneo (2013; 2015), Candau (2014) e Pimenta (2023). Bem como, dialogamos com teóricos que fazem reflexões sobre a formação inicial e continuada dos(as) professores(as) de ciências como Maldaner (2013), Santos e Schnetzler (2002). Apresentamos a seguir relatos de licenciandos(as) que cursaram a disciplina Didática no semestre 2024.2. Esses relatos foram obtidos através de questionários e contou com a colaboração de dezesseis licenciandos(as). Organizamos o texto trazendo inicialmente algumas reflexões sobre a formação dos(as) professores(as) de química, na sequência apresentamos alguns relatos dos(as) licenciandos(as) evidenciando a contribuição dos estudos na disciplina e sua formação. FORMAÇÃO DOS(AS) PROFESSORES DE QUÍMICA Um dos maiores desafios na formação docente, em especial as licenciaturas voltadas às ciências exatas, está na desarticulação entre o conhecimento pedagógico e o conhecimento disciplinar. Em se tratando dos cursos de licenciatura em conteúdos específicos, como o curso de Química-Licenciatura, ocorre a prevalência dos conteúdos das respectivas áreas de conhecimento em detrimento da formação pedagógica. “No caso destes cursos, o problema não é a ênfase dada aos conteúdos específicos, mas a desarticulação entre a formação na área específica e a formação para a docência” (Libâneo, 2015, p. 635). Para entender essa desarticulação, é necessário reconhecer a herança bacharelesca dos cursos. Entre 1968 e 1996, as políticas de formação de professores no Brasil focaram na formação instrumental e técnica, conhecida como “3 + 1”. Três anos foram dedicados à formação bacharelesca e um ano à formação pedagógica, delegando às universidades a responsabilidade pelo currículo (Brasil, 1968, art. 30). Porém, o Parecer CNE/CP 09/2001, a Resolução CNE/CP 01/2002 e a Resolução CNE/CP de 2015 mudaram para uma formação mais crítica e reflexiva, destacando a autonomia docente e o alinhamento teórico-prático. Nessa direção, Santos e Schnetzler (2002) defendem que a formação de professores(as) de ciências deverá favorecer a formação cidadã, para isso, é fundamental uma reformulação dos cursos, havendo a articular os conhecimentos pedagógicos e os conhecimentos disciplinares. Favorecendo, com isso, a construção de diferentes saberes docentes em articulação teoria e prática, enquanto práticas sociais que atravessam a concretização dos processos educacionais no curso. Nessa articulação, teoria-prática, os estudos mobilizados no curso são espaço-tempo de reflexões que favorecem a construção de saberes necessários à prática docente. Uma vez que, no processo formativo há toda uma construção que envolve a ação docente, pois “todo processo de formação de educadores – especialistas e professores – inclui necessariamente componentes curriculares orientados para o tratamento sistemático do “que fazer” educativo, da prática pedagógica (Candau, 2014, p. 13). DIDÁTICA E A FORMAÇÃO DOS(AS) PROFESSORES(AS) DE QUÍMICA: O QUE FALAM OS LICENCIANDOS(AS)? Quando perguntado aos(as) licenciandos(as) quais as contribuições dos estudos construídos na disciplina para sua formação eles responderam: Acredito que a principal contribuição dos estudos de Didática foi no sentido de me levar a refletir mais sobre a prática docente e sobre o processo de ensino-aprendizagem; pensar sobre aspectos que eu nunca havia pensado e, portanto, contribuir com um "pontapé inicial" à compreensão de vários aspectos importantes acerca do ser professor, bem como sobre a sua atuação enquanto profissional e agente social (L16). Quando o(a) licenciando(a) fala que a disciplina contribuiu com um “pontapé inicial”, cabe destacarmos os contextos e vivências que envolvem a formação docente, visto que, a formação é uma prática que vai além do ensinar/apreender um conhecimento científico, pedagógico e didático que possa favorecer uma análise da prática docente. Concordamos com Imbernón (2011, p. 39), quando afirma que a formação é para que os(as) professores(as): Aprendam e se adaptem para conviver com a incerteza e a mudança pois vivemos em uma sociedade democrática e o professor tem que ter a formação para ter por meio do desenvolvimento de capacidades reflexivas, autonomia profissional compartilhada com o contexto. Neste processo, os(as) professores(as) são “produtores da sociedade e do meio e se não forem confrontados com essas questões da produção científica, nos seus cursos de formação específica, tenderão a repetir e reforçar as mesmas crenças e dogmas sobre a ciência” (Maldaner, 2013, p. 59). Ainda falando sobre os estudos na disciplina de Didática os(as) licenciandos(as) afirmaram que: “Estou levando uma bagagem de conhecimentos que serão extremamente relevantes para a minha jornada. Entendo hoje, que um professor deve pensar e se preparar para todas as possibilidades” (L8). Nessa bagagem, estão os saberes construídos e as reflexões mobilizadas na disciplina. Enquanto componente curricular, a disciplina de Didática tem como objeto de estudo o processo de ensino-aprendizagem ligado à apropriação de conhecimentos, em determinados contextos, com foco na formação do aluno. Dessa forma, constitui-se como um sistema teórico de referência para dar suporte à análise de aspectos da formação profissional de professores, especialmente no que se refere à relação entre conhecimento disciplinar e conhecimento pedagógico (Libâneo, 2015). CONSIDERAÇÕES FINAIS Identificamos a partir dos relatos dos(as) licenciandos(as) que houve significativas contribuições dos estudos na disciplina para sua formação, seja para apresentar aspectos teóricos-metodológicos do processo de ensino-aprendizagem e quanto da prática docente. Destacamos também que a Didática é considerada uma disciplina pedagógica essencial para a atuação profissional, servindo como referência na formação de professores. E que os estudos na disciplina socializam os fundamentos teóricos e conceituais que sustentam, com base nas práticas reais de ensino-aprendizagem, os conhecimentos profissionais necessários para a ação docente. Dessa maneira, visa integrar teoria e prática na formação profissional, pois “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou construção” (Freire, 1996, p. 47). REFERÊNCIAS CANDAU, V. M. A didática e a formação de educadores – da exaltação à negação: a busca da relevância. In. A didática em questão/ Vera Maria Candau (org.). 36. Ed. – Petrópolis, RJ; Vozes, 2014. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. IMBÉRNON, Francisco. Formação Docente e Profissional: formar-se para a mudança e a incerteza. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2011. LIBÂNEO, J. C. Formação de Professores e Didática para Desenvolvimento Humano. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 40, n. 2, p. 629-650, abr./jun. 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/2175-623646132. MALDANER, A. O. A formação inicial e continuada de professores de química. 4. ed. Ijuí: Unijuí, 2013. PIMENTA. S. G. As ondas críticas da Didática em movimento: resistências ao tecnicismo/neotecnicismo neoliberal. In. Didática crítica no Brasil/ André Maturano Longarezi, Selma Garrido Pimenta, Roberto Valdés Puentes (orgs). – 1 ed. – São Paulo: Cortez, 2023. SANTOS, Wildson Luiz P. dos.; SCHNETZLER, Roseli Pacheco. Função social: o que significa ensino de química para formar o cidadão? Química Nova na Escola, São Paulo, v. 6, n. 4, p. 28-34, nov. 1996. Disponível em: http://qnesc.sbq.org.br/. Acesso em: 11 ago. 2024.

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  • 1 UFPE - Universidade Federal de Pernambuco
Eixo Temático
  • GT04 - Didática