Formação dos Professores do Curso de Artes Visuais Modalidade Educação à Distância da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) 1 INTRODUÇÃO Este estudo analisa os impactos da formação inicial e continuada dos docentes do Núcleo Docente Estruturante (NDE) do curso de Licenciatura em Artes Visuais (LAV), ofertado na modalidade a distância pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), na trajetória formativa dos discentes. Busca-se compreender como tais processos repercutem na constituição da identidade profissional dos egressos. O enfoque fundamenta-se nas especificidades e desafios da Educação a Distância (EaD), que, apesar dos avanços, ainda demanda reflexões sobre a formação docente. Pimenta e Anastasiou (2017) destacam que as transformações digitais exigem requalificação constante dos educadores, articulando formação contínua às demandas contemporâneas. Essa requalificação deve garantir que a arte-educação preserve práticas essenciais e incorpore inovações tecnológicas. Contudo, a forma como muitos cursos EaD foram implementados evidencia lacunas sobre a formação dos professores e seus efeitos nos egressos. Faltam estudos aprofundados sobre docentes formadores atuantes na EaD em Artes Visuais. Almofrey (2020) defende a ampliação das reflexões sobre qualidade e avaliação da docência, incluindo sujeitos como conteudistas, executores e tutores. Alvarenga (2022) aponta as exigências para a docência no Ensino Superior e destaca a importância de formar profissionais que articulem os eixos artístico, teórico e pedagógico, desenvolvendo o perfil do professor-artista-pesquisador. A formação docente na EaD em Artes Visuais avançou no Brasil a partir dos anos 2000, com estudos como Lima (2002, 2013), Guimarães (2008), Sardelich (2010) e Sampaio (2012). Nesse cenário, o curso da UFRPE, criado em 2009 e reestruturado em 2016 e 2019, articula teoria, prática e tecnologias digitais. Ofertado em polos no Nordeste, integra AVA, tutoria híbrida e encontros semi-presenciais. Com perfis formativos variados, contribui para democratizar o ensino e qualificar a arte-educação. Diante disso, a pergunta de pesquisa é: Como a formação inicial e continuada dos professores do NDE do LAV-UFRPE influencia o processo formativo dos egressos? 2 METODOLOGIA Adota-se abordagem qualitativa, situada no campo das ciências humanas, fundamentada no interacionismo simbólico, que compreende os significados como construções sociais mediadas por interações, sobretudo pela linguagem (Vygotsky, 2019). Essa perspectiva possibilita compreender a constituição da identidade docente em diálogo com contextos institucionais, ambientes digitais e saberes compartilhados. Utilizou-se o método documental, considerando sua riqueza de dados (Gil, 2019). O objeto de investigação é o curso de Licenciatura em Artes Visuais – Ênfase em Digitais, da UFRPE, cuja seleção se justifica por sua configuração curricular inovadora e relevância institucional. Analisaram-se documentos institucionais, como o Projeto Pedagógico do Curso (PPC – 2019), ementas e currículos Lattes dos docentes. A análise de conteúdo, conforme Bardin (2016), permitiu identificar categorias estruturadas em três eixos: artístico (práticas autorais), teórico-histórico (fundamentação crítica) e pedagógico (mediações didáticas). A triangulação de dados reforça a confiabilidade e profundidade da análise. Do ponto de vista ético, a pesquisa segue a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, com anonimato dos participantes, uso de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e liberdade de desistência. 3 RESULTADOS PARCIAIS E DISCUSSÃO Os dados preliminares revelam que a formação docente no curso da UFRPE é marcada por articulação entre saberes artísticos, teóricos e pedagógicos, influenciada pelos percursos formativos dos docentes do NDE. No eixo artístico, destaca-se a valorização das práticas autorais. Professores incentivam a criação de obras visuais próprias, inclusive em ambiente digital, promovendo repertórios estéticos e identitários. Portfólios analisados confirmam que essa abordagem estimula autonomia criativa e a compreensão da arte como linguagem expressiva, em consonância com Almonfrey (2020), que defende a centralidade da experiência estética na formação. No eixo teórico-histórico, evidenciou-se a construção de fundamentos epistemológicos voltados à crítica cultural e aos estudos visuais. As ementas apontam para a abordagem de conteúdos artísticos em dimensões históricas, sociais e coletivas (Barbosa, 2023). Contudo, o PPC (2019) aponta descontinuidades em parcerias e projetos de extensão e lacunas na mediação didática desses conteúdos, sobretudo na vivência com pesquisa, extensão e formação específica refletida nos egressos. Tal cenário remete à reflexão de Pimenta e Anastasiou (2017) sobre a articulação entre teoria e prática, com a pesquisa como eixo estruturante. No eixo pedagógico, destaca-se o empenho dos docentes em construir mediações que valorizem a dialogicidade, a participação ativa e o uso crítico das tecnologias. Estratégias como fóruns, vídeos autorais e feedbacks foram consideradas exitosas. Porém, ainda há dificuldades na personalização do ensino e no aprofundamento das pesquisas, o que dificulta a consolidação de práticas mais inclusivas. Essas observações dialogam com Moran (2018) e Alvarenga (2022), que defendem a articulação dos três eixos na constituição do professor-artista-pesquisador na EaD. A formação inicial e continuada dos professores do NDE, alinhada às necessidades específicas do curso, é fundamental para o aprimoramento artístico, pedagógico, tecnológico e investigativo, refletido nos TCCs. Tal processo contribui para o fortalecimento da qualidade do curso e sua adaptação às transformações do cenário educacional. Lagarto (2023) ressalta que a formação contínua é vital para a ressignificação da prática docente diante das novas demandas sociais e tecnológicas. A atuação do NDE, ainda que marcada por ações inovadoras e compromisso com a qualidade, enfrenta desafios na integração curricular e na consolidação da tríade professor-artista-pesquisador. A mediação proposta por Vygotsky (2019) é ferramenta essencial nos processos formativos, pois é na interação entre sujeitos, conteúdos e tecnologias que se constrói o conhecimento e a identidade docente. Está em andamento o primeiro projeto de pesquisa do curso, com foco na interface entre cinema e escola, vinculado ao Pibid/UFRPE, com apoio da CAPES e da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (PREG), incluindo participação voluntária. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Como pesquisa em andamento, este estudo apresenta contribuições significativas para o debate sobre formação docente na Licenciatura em Artes Visuais na modalidade EaD. Os dados indicam que a formação oferecida pelo NDE contempla aspectos relevantes da arte-educação contemporânea, como a valorização do professor-artista e o estímulo à reflexão crítica. No entanto, persistem desafios na articulação entre teoria e prática, na inserção da pesquisa como eixo formativo e na superação das dificuldades impostas pelas mediações tecnológicas. O estudo está alinhado às exigências contemporâneas da formação docente, ao examinar as influências dos docentes do NDE na constituição do professor-artista-pesquisador entre os discentes, a partir de suas experiências investigativas e dos TCCs, que articulam tradição artística, tecnologias digitais e contextos socioculturais. Conforme Alvarenga (2022, p. 116), há uma lacuna de estudos sobre a formação de professores formadores em Artes Visuais, especialmente no Brasil e na América Latina. Esses profissionais, inseridos no ensino superior, exercem papel estratégico na formação de outros docentes e na construção de práticas pedagógicas inovadoras e de qualidade no campo da arte-educação. 5 REFERÊNCIAS ALMONFREY, L. A. de. Processos criativos e formação docente em Artes Visuais. São Paulo: Ed. Artes em Diálogo, 2020. ALVARENGA, C. de S. Tecnologias digitais e formação de professores: desafios e possibilidades na EaD. Belo Horizonte: Autêntica, 2022. BARDIN, L. Análise de conteúdo. 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A educação que desejamos: novos desafios e como chegar lá. Campinas: Papirus, 2018. PIMENTA, S. G.; ANASTASIOU, L. G. C. Docência no ensino superior. São Paulo: Cortez, 2017. SAMPAIO, Jurema. O que se ensina e o que se aprende nas licenciaturas em Artes Visuais a distância? Divers!, v. 5, 2012. SARDELICH, M. E. A formação do professor de educação artística a distância. EDUCAÇÃO, FORMAÇÃO & TECNOLOGIAS, 4(1), 53–65. 2010.Obtido de
https://eft.educom.pt/index.php/eft/article/view/104. UFRPE. Projeto Pedagógico do Curso de Licenciatura em Artes Visuais EaD – Ênfase em Digitais. Recife: SEAD/UFRPE, 2019. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 2019.