A INTERFACE DA EDUCAÇÃO COM OS SABERES TRADICIONAIS NA COMUNIDADE QUILOMBOLA SÃO JOSÉ DE ICATU-MOCAJUBA-PA

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Resumo
A INTERFACE DA EDUCAÇÃO COM OS SABERES TRADICIONAIS NA COMUNIDADE QUILOMBOLA SÃO JOSÉ DE ICATU-MOCAJUBA-PA INTRODUÇÃO O trabalho em questão justifica-se pela necessidade de se falar sobre cultura, linguagem e saberes tradicionais presente na comunidade quilombola São José do Icatu, no Município de Mocajuba, no Pará, que são adquiridos no dia a dia dos habitantes dessa povoação, os quais podem sofrer alguns impactos cronológicos ao longo do tempo. Conforme afirma Hall (2006), a cultural de uma determinada população vem passando por transformações, por isso requer um olhar atencioso dos pesquisadores para que possam distinguir de qual grupo étnico esse indivíduo pertencem na sociedade (Hall, 2006. p.22). Neste contexto, a pesquisa em questão tem como objetivo identificar de que forma os(as) professores(as) da Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Arthur Igreja vêm trabalhando os conteúdos curriculares associando esses assuntos com a vida dos alunos da comunidade quilombola São José de Icatu, visando observar se existe algum conteúdo ou atividade voltada para a temática envolvendo os saberes e a cultura quilombola. A educação para as comunidades quilombolas precisa ter como base o território, a etnicidade e a valorização da memória, que estão presente nas narrativas dos sujeitos que compõem esses lugares, com intuito de construir novas metodologias que ajudaram na elaboração dos conteúdos a serem desenvolvidos dentro da sala de aula. Carril diz que, essas metodologias precisam proporcionar em cada sujeito uma aprendizagem tendo como ponto de partida elementos referentes as realidades locais da comunidade onde estão inseridos (Carril, 2017. p. 555). A construção do Currículo escolar precisa levar em consideração três pilares do ensino para o povo quilombola, que é o território, a etnicidade e a memória presente nesses lugares onde estão inseridos estes sujeitos, Silva e Scaramuzza afirmar que é “fundamental a compreensão de cada conhecimento produzido por todos os envolvidos na construção do currículo, em busca de atender às demandas existentes no contexto escolar”, contribuindo não só para a transformação social, cultural e econômica, mas também gerando novos saberes. (Silva e Scaramuzza, 2024. p. 10). Preservar a cultura local é um ato para manter viva a história dos seus antepassados que por muito tempo foram silenciados e que hoje os jovens têm a missão de dar continuidade nesse processo de reconstrução da identidade negra. Conforme afirma o jovem Andrey, se “hoje deixarmos morrer nossa história, quem contará os nossos grandes feitos”: Participo do grupo cultura viva, nós tocamos o samba de cacete cultural, o carimbo trabalhamos muito com os jovens, o nosso objetivo é manter basicamente a Cultura Viva né, não deixa a cultura morrer, se nós deixarmos quem é que vai sustentá-la. (Andrey, morador da comunidade São José de Icatu). Nesse sentido, a cultura é um marco importante para afirmação da identidade social, pois configura-se um lugar de fala e de expressão corporal das pessoas que vivem nessa comunidade, assim, através dos movimentos culturais os jovens vêm lutando diante das relações de poder, “pela demarcação do território quilombola e pelo enfrentamento de diversas formas de assujeitamento e desumanização que o seu povo está sujeito na sociedade” (Costa, 2017, p. 94). METODOLOGIA Metodologicamente, a pesquisa está sendo desenvolvida em duas etapas: a primeira se realiza o levantamento bibliográfico e de estudo de obras de autores, que se ocupam da temática em questão. Assim, para fundamentar os conceitos sobre educação quilombola, identidade cultural e os conhecimentos ancestrais presentes nesses territórios destaca-se os seguintes autores: Pinto (2020, 1999), Borges (2013), Costa (2017), Monteiro (1957), Ribeiro (2019). E parar se pensar sobre os movimentos sociais que estão diariamente lutando contra o preconceito racial, o racismo, a discriminação e na luta pelos direitos das populações quilombolas, dialoga-se os seguintes autores(as) Petrônio (2007), Gomes (1987), Portelli (1957), esses e outros autores estão auxiliando a refletir sobre o processo de ensino aprendizagem, que envolve as comunidades quilombolas e também a se questionar como futuros professores estão sendo preparados para ocupar esses espaços com a nossa práxis. Na segunda etapa, realiza-se a pesquisa de campo com a observação em lócus, e realização de entrevistas com os moradores e professores da comunidade quilombola São José de Icatu. As entrevistas estão se constituindo em forma de diálogo com os moradores da comunidade, fazendo essa interação entre o pesquisador e o interlocutor/ colaborador da pesquisa. A participação observante ou observação ativa consiste na participação real do conhecimento vivido pela comunidade, onde o pesquisador se propôs a pesquisa. Neste sentido, trata-se, de uma abordagem qualitativa devido à proximidade com os sujeitos da pesquisa. Bloch diz que: Para que a dúvida se torne instrumento de conhecimento, é preciso que cada caso particular, o grau de verossimilhança da combinação possa ser sopeao com alguma exatidão. Aqui, a pesquisa histórica, como tantas outras cruzam seu caminho com a via regia da teoria das probabilidades (Bloch, 2001, p.82). Na comunidade quilombola São José de Icatu a cultura faz parte do pressuposto de que o sujeito se reconheça como ser atuante do processo de construção dessas culturas, que são postos para essas comunidades, onde possam ter um contato de pertencimento. Segundo afirma Ribeiro, o “território é uma concepção histórica do sujeito, que está vinculado aos costumes, a linguagem que envolve esse povo e ao seu modo de falar dentro e fora dos seus territórios”, levantando também outros fatores políticos, econômico aos quais esses grupos estão subordinados a vivência no seu dia a dia (Ribeiro, 2019, p. 165). RESULTADOS PARCIAIS No transcorrer da pesquisa foi observado que dentro da comunidade quilombola São José de Icatu os saberes culturais estão vivos nas memórias dos mais velhos, dos guardiões da memória, precisam passar esses ensinamentos para as crianças e os jovens da comunidade para que eles preservem e dei prosseguimento a esses saberes que fazem parte da vida desses moradores da comunidade quilombola São José de Icatu. Portanto, a educação escolar quilombola precisa considerar a praticidade do modelo educacional que leve em consideração a legitima história e cultural local, o modo de vida, as reinvindicações do meio social, por meio das práticas educativas fazendo essa interação ente o conhecimento ancestral de matriz africana, a formação da identidade quilombola e as relações de poder, estando vinculada ainda a uma noção de democratização e transformação da sociedade (Silva, 2017, p.33). CONSIDERAÇÕES FINAIS Adentrar os espaços desta comunidade foi um privilégio pois conseguir perceber em suas falas e nos seus gestuais a importância da sua história de vida para o desenvolvimento do trabalho, onde eles foram os protagonistas desta escrita, compreender como a união entre os moradores e a escola faz parte deste processo de construção de novos saberes. Neste sentido, tenta-se trazer neste estudo um pouco da história da comunidade quilombola São José de Icatu, contextualizando os aspectos culturais que são trabalhados na EMF Arthur Igreja. Uma vez que a cultura Ancestral está presente no dia a dia de cada sujeito, através da caça, da pesca, da produção da farinha ou mesmo na plantação de alimentos como a feijão, o Arroz, a abóbora, o maxixe entre outros, que são consumidos pelos próprios moradores dessa comunidade, como: o bacuri, o cupuaçu, a castanha do Pará que são culturas deixadas pelos seus antepassados. Conforme afirma Miranda, todos esses rituais que estão por trás das tradições culturais é um fator determinantes na vida dos quilombolas, pois isso faz parte do ofício diário presente nos trabalhos dos moradores da comunidade quilombola São José de Icatu, assim esses feitos culturais constitui a identidade de cada membro da comunidade (Miranda, 2017, p. 122). REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA BLOCH, Marc. Apologia da história, ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. CARRIL, Lourdes de Fátima Bezerra. Os desafios da educação quilombola no Brasil: o território como contexto e texto. 2017. COSTA, João Paulo Alves. Gênero, Saberes e poder: O protagonismo de mulheres negras organização política e Social da comunidade remanescente de quilombo São José de Icatu – Mocajuba PA. Dissertação de Mestrado apresentado ao PPGEDUC/UFPA- Cametá, 2017. MONTEIRO, Aloisio de Jesus. Memória e perspectiva do movimento de educação Escolar indígena no Brasil. In: Marcia Ângela da S. Aguiar. (Org.). educação e Diversidade: estudos e pesquisa. 1ed. Recife: Mec\ UFPE, 2009, v.1, p.39-56 HALL, Stuart. A identidade cultural na Pós- modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. OLIVEIRA, Roberto Cardoso de. O trabalho do antropólogo: olhar, ouvir, escrever. Revista de Antropologia. São Paulo USP, v.39, n.1, p. 13-37, 1996. PINTO, Benedita Celeste de Morais: História, Educação e Diversidade de produção de Material didático em Povoações Remanescente de Quilombolas da Região do Tocantins, no Pará, 1999. PINTO, Benedita Celeste de Morais, et al: HISTÓRIA, MEMÓRIA E EDUCAÇÃO DOS REMANESCENTES QUILOMBOLAS DE BOA ESPERANÇA -PARÁ. Trabalhos necessários 115V.18, nº 37, set-dez (2020). RIBEIRO, Antônio Samir; Saberes tradicionais e educação ambiental. Encontros e desenvolvimentos no quilombo de Mesquita- Goiás. 2019. SILVA, Julian Ferreira da. Educação quilombola: um olhar sobre as práticas educativas, na Escola Municipal Professora Antônia do Socorro Silva Machado/ João Pessoa; UFPB, 2017. SILVA, n. c. da, & SCARAMUZZA, g. f. currículo escolar e práticas docentes na perspectiva das identidades/diferenças em uma escola pública amazônica. linguagens, educação e sociedade, 28(56). 2024

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Instituições
  • 1 UFPA-PPGEDUC – UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
Eixo Temático
  • GT03 - Movimentos Sociais, Sujeitos e Processos Educativos