Movimentos de Educação de Jovens e Adultos na perspectiva da Educação Popular em Manaus-AM (1989-2024)

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Resumo
MOVIMENTOS DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO POPULAR EM MANAUS/AM (1989-2024) 1. INTRODUÇÃO A pesquisa se fundamenta nos estudos realizados por Feitoza (2008, 2021, 2025) acerca dos movimentos de Educação Popular (EP) e Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Amazonas, buscando identificar suas contribuições histórico-conceituais e analisar suas potencialidades, limites e contradições. Num panorama amplo, as contribuições para a constituição de um projeto de educação emancipatória de base freireana, considerando as possibilidades e os desafios da condição amazônica. O estudo condensa as abordagens críticas da literatura sobre o campo, discutir eixos estruturais em disputa epistemológica e política e apontar tendências e desafios sobre o tema. Adota categorias de análise freirianas como eixos teórico-conceituais e metodológicos, ressaltando como se articulam os conceitos selecionados para configurar o campo da EP como “teoria do conhecimento, proposta de formação, pedagogia, metodologia e projeto de transformação social” (Feitoza, 2021, p. 96). Objetivou-se a identificação e a análise dos constitutivos da EP presentes nas experiências dos movimentos de EJA em Manaus-AM, à luz dos problemas enraizados na realidade social amazônica; para revelar os constituintes da pedagogia freireana que se consolidam como princípios, bem como para avaliar as suas potencialidades enquanto processos educacionais de caráter emancipatório e/ou as suas limitações enquanto políticas públicas de matrizes compensatórias. Diante do problema, formulou-se as questões norteadoras: “É possível afirmar que as experiências teórico-práticas de EJA na perspectiva da EP de matriz freireana, tal como sistematizadas em Manaus-AM, contribuem para a constituição de um projeto educacional emancipatório no contexto amazonense?” e “Analisando as experiências de EJA na perspectiva da EP em Manaus-AM, há uma predominância de iniciativas de base emancipatória ou compensatória?”. 2. MARCOS TEÓRICO-CONCEITUAIS O entrelaçamento teórico-conceitual da EP de matriz freiriana nas experiências de EJA no locus da sociodiversidade amazônica, nos defronta com o problema de pesquisa e remete à produção de diálogos com estudiosas (os) do campo, marcadamente Freire (1992; 2005), Ribeiro (1995); Feitoza (1996, 2008, 2021, 2025), Martins (2002; 2010), Fávero e Pinheiro (Org, 2012), Brandão (2009) e Freire e Nogueira (2011). Nesta direção, Feitoza (2008, 2021, 2025) concebe as categorias "emancipação" e "movimento" como norte dos estudos sobre as experiências de EJA na perspectiva da EP em Manaus-AM, asseverando que não são eles próprios movimentos sociais, embora suas constituições históricas derivem de esforços de alguns desses movimentos (movimentos católicos, movimentos docente e discente, movimentos sociais populares). Acerca do constituivo “emancipação” no pensamento freiriano, sustentamos que carrega um imperativo de transformações sócio-econômico-ambientais na sociedade vigente, de modo que defendemos que "[...] pensar a emancipação é buscar entender teoricamente e superar politicamente o seu contraditório: a opressão". (Feitoza, 2008, p. 46; 2021, p. 97). Apropriando-nos da categoria “movimento” em sua dimensão filosófica, compreendemos os movimentos de EJA no Amazonas em suas aproximações com as teses da dialética e do materialismo histórico, contemporaneamente nas proposições de transformação do paradigma ético-ecológico sobre as dinâmicas humano-ambientais (Silva Feitoza, 2024). Freire e Nogueira (2011, p. 41) definem a EP como prática diferenciada de valorização dos saberes e de respeito ao sujeito, humanizadora, nascida no cerne dos movimentos populares, com a classe trabalhadora, em contextos de luta, como forma de possibilitar a organização, a consciência sobre o mundo. 3. METODOLOGIA Tratar do método exige o reconhecimento de que há um substrato epistemológico que inspira e estrutura uma pesquisa, razão por que adotou-se a abordagem crítico-dialética como eixo teórico-metodológico, partindo-se do concreto e perpassando-se o abstrato para produzir-se uma síntese no processo de conhecimento (Sánchez Gamboa, 2007). A pesquisa se organiza através das fontes bibliográficas, históricas, documentais e da interlocução com os estudiosos do problema, objetivando responder ao problema investigado. Ao identificar-se os constituintes, entendidos como princípios, características e diretrizes da EP e da pedagogia freireana, igualmente se constituem os elementos da análise. A escolha pela abordagem investigativa por meio dos constituintes da EP tem como fundamento os estudos de Feitoza (2008, 2021, 2025), que conduzem à identificação dos conceitos e categorias que delineiam a concepção de EP nos marcos da pedagogia de Paulo Freire, e que analisam as experiências de EP na perspectiva da EJA no Amazonas. No levantamento de dados das experiência de EJA em Manaus-AM, partimos da sistematização das concepções da EP nas práticas e nas pesquisas produzidas pelas pesquisadores do Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas Educacionais (NEPE/FACED-UFAM), bem como das demais das teses e dissertações do PPGE/FACED-UFAM (PPGE), no eixo temático da pesquisa. 4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DE RESULTADOS 4.1. Experiências de EP e EJA em Manaus-AM No processo de definição dos movimentos de EJA a serem analisados, pautando-nos pela dimensão filosófica da categoria "movimento", consideramos como critérios as suas origens a partir dos movimentos sociais, a defesa das pautas dos movimentos sociais populares, a promoção de um processo de uma educação humanizadora. A sistematização inicial das fontes documentais relativas aos referidos grupos e instituições nos conduziram à exposição do quadro contido na “Tabela 1”, ao fim do estudo. A amostra desta população para análise, no momento atual da investigação, partiu inicialmente dos seguintes grupos: Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas Educionais (NEPE), Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos (CEMEJA) e Fórum de EJA do Amazonas. Para mais, ressalta-se que os dados documentais coletados serão retomados, aprofundados e analisados na interlocução com o referencial teórico-conceitual, tal como explicitados nos objetivos do estudo. 4.2. Pesquisas de EP e EJA em Manaus-AM Para a fundamentação da pesquisa e para o levantamento e a análise dos dados, adotou-se os constituintes de EP consubstanciados por Feitoza (2008, 2021, 2025) tal como previamente expostos. Investigou-se os estudos realizados pelas pesquisadoras do NEPE, no tempo político da pesquisa (1989; 2024): Ribeiro (1992; 1995), Feitoza (1996; 2008), Chagas (1998), Martins (2002; 2010), Lima (2002), Santos (2005), Ferreira (2011), Belizario (2015; 2020) e Nogueira (2017). Em relação à sistematização das pesquisas, produziu-se dois quadros-síntese que reúnem as dissertações e teses no período, e estruturados em itens específicos, nas Tabela 2 e 3. As 12 produções selecionadas tiveram como critérios o tempo mínimo de 5 anos de atuação no NEPE e a relevância para a EP nos âmbitos do ensino, da pesquisa e/ou da extensão. A identificação dos constitutivos representativos da EP e da EJA na matriz freireana, nas pesquisas analisadas, teve por base os critérios de recorrência e de intensidade. Na sistematização, selecionou-se os constituintes com maior predominância, e deles, refinou-se a análise aos três mais suscitados: emancipação (6); formação (6) e trabalho (5). Posteriormente, abordar-se-á as concepções por detrás dos elementos selecionados, nas 12 produções elencadas, e como se relacionam organicamente ao NEPE. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS; No contexto amazônico amazonense, identificamos movimentos radicados na dinâmica do Estado, outros consorciados com Igrejas, associações civis, políticas públicas de educação e práticas sociais, alternando-se na história política de nossa organização social e cultural. Revelam práticas e projetos de assistência, integração, escolarização, mediações de consenso, tutela e organização política, com existência de mais de um século em nossa frágil tradição republicana. As contribuições de Paulo Freire comprometem-se com ideais críticos, com a educação humanizadora e emancipatória. São fecundas na EP e na EJA, nos movimentos sociais de origem popular, estruturando-se na tese de que teoria e prática se retroalimentam, que a história é possibilidade, estando aberta às mudanças. A educação humanizadora tem a realidade social como eixo: partir da realidade, analisá-la, fazer o percurso do desvelamento, histórico e dialético e a ação transformadora. A educação defendida nas experiências analisadas, nos campos da EJA e da EP, com destaque especial para a multiplicidade de experiências manifestadas a partir do NEPE entre 1989-2024, representadas pelos constituintes estudados, vem caminhando, por razões éticas, na antecipação da sociedade justa, igualitária, humanista, pública, isto é, voltada para todos, produzida pela e para a dimensão coletiva e socialista e, por isso, intrinsecamente nova, original e revolucionária. REFERÊNCIAS BRANDÃO, C. R; ASSUMPÇÃO, R. Cultura Rebelde: escritos sobre a educação popular ontem e agora. – São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2009. CHAGAS, L. M. de M. Alfabetização de Jovens e Adultos: Trajetória de uma Experiência. UFSC, 1998 (Dissertação de mestrado). FÁVERO, O.; PINHEIRO, M. das G. S. P. (Org.). Diversidade na educação de jovens e adultos. Brasília: Líber Livro; Manaus: EDUA, 2012. FEITOZA, R. da S. Educação e Participação Feminina: contradições, resistências e desafios do Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas Educacionais da FACED/UFAM. PUCCAMP, 1996. (Dissertação de Mestrado) _____. Movimentos de Educação de pessoas jovens e adultas na perspectiva da educação popular no Amazonas: Marcos históricos, matrizes conceituais e impactos políticos. Universidade Federal da Paraíba, julho de 2008. (Tese de Doutorado). _____. Os constitutivos da educação popular e o pensamento freiriano nas práticas do NEPE/FACED-UFAM (1989-2019). XI Colóquio Internacional Paulo Freire. Eixo 9. Ensino, pesquisa e extensão como práticas emancipatórias. Vol. 1. 2021. FEITOZA, R. da S.; FERREIRA, M. da C. M.; SILVA FEITOZA, T. J. Movimentos de Educação de Jovens e Adultos na perspectiva da Educação Popular em Manaus/AM: processos de emancipação ou matrizes compensatórias? Editora do Centro Paulo Freire – Estudos e Pesquisas, Recife/PE: 2025. FERREIRA, M. da C. M. Aceleração da aprendizagem para jovens e adultos: um olhar sobre o Projeto Tempo de Acelerar em Manaus. PPGE, FACED:UFAM, 2011. (Dissertação de Mestrado). FREIRE, P. Pedagogia do Oprimido. 42. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005. FREIRE, P.; NOGUEIRA, A. Que fazer: teoria e prática em educação popular. 3. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992. LIMA, A. S. de. A interação dos universos linguísticos e a ação do educador no processo de alfabetização: um estudo de caso de uma escola alternativa na periferia de Manaus. Manaus, AM: 1995. MARTINS, A. C. F. As Políticas Públicas em EJA: reflexões sobre as ações do PAS desenvolvidas através da UFAM (1998 - 2000). Manaus, AM: 2002. _____. Entre picadas e trilhas: trajetórias de famílias em área de assentamento em Manaus, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto. USP, 2010. NOGUEIRA, J. B. Trabalho e Educação: Precarização da formação e profissão do Pedagogo da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Amazonas. PPGE/FACED, UFAM: 2017. (Tese de doutorado) RIBEIRO, M. A Universidade vai ao Povo ou o Povo vai à Universidade? Um estudo sobre a crise da universidade moderna e de alternativas para uma universidade brasileira democrática e competente. Tese de Doutorado. Porto Alegre: UFRGS/FACED, 1995. SANCHEZ GAMBOA, S. Pesquisa em Educação. Métodos e Epistemologias. Chapecó: Argos, 2007. SANTOS, A. G. Os Fundamentos Históricos da Educação Popular e as formas de organização dos moradores do Bairro de São Lázaro - Manaus/AM: 1956 a 2001. PPGE/FACED-UFAM, 2005. SILVA FEITOZA, T. J. Os direitos de fraternidade na constituição de um novo paradigma ético-ecológico: historicidade dos constitutivos jusantropológicos na relação entre humanidade e natureza e implicações para a questão socioambiental contemporânea. Editora Asces-Unita, Recife-PE: 2024. 6. QUADROS OU TABELAS Tabela 1 - Experiências de EP e EJA em Manaus-AM Associação de Educação Católica do Amazonas - Setor de EP Central de Movimentos Populares Centro de EJA Profa. Jacira Caboclo Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos Coletivo Café com Paulo Freire Coletivo da Educação do Campo Fórum Estadual de EJA do Amazonas Fórum de Leituras Paulo Freire da Região Norte Formação em EJA/EPPT - IFAM Instituto de Educadores Populares do Amazonas Movimento de Educação de Base - AM Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas Educacionais Pastoral da Criança PRONERA/INCRA Programa “Reescrevendo o Futuro” Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE-UFAM) Projeto SARES SESC/AM - Setor de EJA Tabela 2 - Dissertações Autora Título Ano Instituição Constitutivos FEITOZA, R. da S. Educação e Participação Feminina: [...]. 1996 PUC-CAMP Participação, Emancipação, Formação CHAGAS, L. M. de M. C. Alfabetização de Jovens e Adultos: [...]. 1998 UFSC Transformação, Formação, Trabalho MARTINS, A. C. F. M. As Políticas Públicas em EJA: [...]. 2002 UFAM Política, Transformação, Humanização SANTOS, A. G. dos S. Os Fundamentos Históricos da Educação Popular, o Projeto Raio de Luz e as Formas de Organização dos Moradores do Bairro de São Lázaro- Manaus/AM: [...]. 2005 UFAM Cultura, Autonomia, Emancipação FERREIRA, M. da C. M. F. Aceleração da aprendizagem para jovens e adultos: [...]. 2011 UFAM Emancipação, Formação, Trabalho BELIZARIO, M. R. de J. Políticas públicas de Educação de Jovens e Adultos no Amazonas: [...]. 2015 UFAM Política, Trabalho, Movimento Tabela 3 - Teses Autora Título Ano Instituição Constitutivos RIBEIRO, M. A Universidade vai ao povo ou o povo vai à Universidade? [...]. 1995 UFRGS Democratização, Formação, Movimento LIMA, A. S. de L. A Lenda da Vitória-Régia: [...]. 2002 PUC-RS Conscientização, Emancipação, Participação FEITOZA, R. da S. Movimentos de Educação de Pessoas Jovens e Adultas na Perspectiva da Educação Popular no Amazonas: [...]. 2008 UFPB Emancipação, Movimento, Humanização MARTINS, A. C. F. M. Entre Picadas e Trilhas: [...]. 2010 USP Trabalho, Movimento, Política NOGUEIRA, J. B. Trabalho e Educação: [...]. 2017 UFAM Trabalho, Formação, Emancipação BELIZARIO, M. R. de J. Influência das agendas internacionais nas políticas de Educação de Jovens e Adultos: [...]. 2020 UFAM Política, Formação, Trabalho

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Instituições
  • 1 UFAM - Universidade Federal do Amazonas
Eixo Temático
  • GT06 - Educação Popular