MOVIMENTO DE NÓS E A RESISTÊNCIA NA UNIVERSIDADE: EDUCAÇÃO FRENTE ÀS VIOLÊNCIAS DE GÊNERO EM CENTRO UNIVERSITÁRIO NA REGIÃO AMAZÔNICA

- 215673
Resumo Expandido - Trabalho
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo
MOVIMENTO DE NÓS E A RESISTÊNCIA NA UNIVERSIDADE: EDUCAÇÃO FRENTE ÀS VIOLÊNCIAS DE GÊNERO EM CENTRO UNIVERSITÁRIO NA REGIÃO AMAZÔNICA Introdução O texto apresentado é resultado de uma pesquisa de mestrado, tendo os discursos de preconceitos relatados por estudantes de um Centro de uma Universidade Pública na região Amazônica. Para saber sobre os preconceitos sofridos, o campo da pesquisa se fez em um Centro Universitário na Cidade de Tefé-AM, tendo os(as) próprios(as) acadêmicos(as) como interlocutores(as) da pesquisa. O texto está intitulado “Discursos de preconceitos acerca de uma educação para a diversidade na Universidade: um estudo de caso”. Apresenta como objetivo central evidenciar os discursos preconceituosos, no ambiente universitário, por meio da discussão de uma educação para a diversidade em um contexto de violência e discriminação. A problemática da pesquisa se deu, a partir do momento em que esses discursos de ódio eram relatados pelos(as) acadêmicos(as), em conversas que se tinham pelos corredores do local pesquisado. Foi por esses discursos de ódio colocado contra o corpo do outro que surgiu a pesquisa. Nesse movimento de nós e a resistência na Universidade, com uma educação frente às violências de gênero sofridas por acadêmicos(as), a relevância de se discutir essa temática no contexto da Universidade Pública é primordial nos dias de hoje. É com esse movimento de nós e a resistência na Universidade, que a resiliência desses corpos é um esforço na desconstrução desse cotidiano que gera muitas vezes inúmeras violências. Quanto a essa diversidade de pessoas que estão frequentando as universidades, Patríca Collins (2021) faz a seguinte observação: Hoje, faculdades e universidades abrigam um número maior de estudantes que, no passado, não tinham condições de pagar pelo ensino superior (questões de classe); ou estudantes que historicamente precisam lidar com barreiras discriminatórias à matrícula (devido a questões de raça, gênero, etnia, autoctonia, estatuto de cidadania); os estudantes que enfrentavam diferentes formas de discriminação (questões relativas a orientação sexual, capacidade, religião [...]. (p. 16). Diante de toda essa discussão, o trabalho se justifica pela importância de se mostrar que, em um espaço de educação, ainda existem muitos preconceitos contra o corpo do(a) outro(a). Isso foi comprovado no material coletado, durante a pesquisa de campo, foi possível identificar pelos discursos dos(as) interlocutores(as) que o Centro Universitário é preconceituoso, principalmente quando se refere a pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. Para que o respeito à diversidade possa ocorrer, é imprescindível que “[...] torne-se necessário ampliar a discussão do universo LGBTQIAPN+[...]” (Lua Lamberti, 2019, p. 109, grifo nosso). Nesse sentido, almejamos com a escrita deste trabalho, mostrar que o preconceito contra a diversidade ainda é uma realidade na Universidade. . Metodologia A metodologia do trabalho é o estudo de caso, sendo assim, Antônio Severino (2013) conceitua, esse estudo como sendo uma “pesquisa que se concentra no estudo de um caso particular, considerado representativo de um conjunto de casos análogos, por ele significativamente representativo [...]” (p. 104). Para a escrita do trabalho, além do estudo de caso que foi metodologia utilizada, teve como centralidade os seguintes procedimentos metodológicos: um questionário eletrônico e dois encontros com o grupo focal. Esses procedimentos foram essenciais durante as análises na coleta de dados. A pesquisa teve vinte e sete participantes, sendo doze que participaram dos dois encontros do grupo focal e quinze responderam o questionário eletrônico, todos(as) eles(as) são acadêmicos(as) do Centro Universitário pesquisado. Após análises dos procedimentos metodológicos utilizados se constatou, que o discurso de ódio ainda é uma realidade no ambiente da Universidade. Dessa forma, inferimos que esses instrumentos foram essenciais para a pesquisa. A investigação utilizou uma abordagem quali-quantitativa, por meio dessa abordagem, foi possível conhecer um pouco mais da diversidade de gênero de pessoas que estão estudando nesse centro universitário. Portanto, a metodologia e os procedimentos metodológicos foram relevantes na pesquisa, com os resultados obtidos identificamos que o local pesquisado é um ambiente preconceituoso. Como contribuição eficaz, durante a pesquisa de campo, cito os encontros realizados com o grupo focal e a utilização de um questionário eletrônico. Assim, podemos dizer que essa etapa realizada com o grupo focal e as respostas dadas no questionário eletrônico proporcionou resultados significativos na investigação, pois levou o pesquisador a aprofundar a temática em análise. Análises e discussões de resultados É esse movimento de nós que nos impulsiona a ir além. De encontro, contra os preconceitos e discriminação sofridos pelos(as) acadêmicos(as), a resistência de quem sofre nesse espaço esse tipo de discernimento tem feito com que as outras pessoas repensem as suas atitudes e passem suas atitudes que são colocadas contra corpos que frequentam o mesmo espaço, para que assim sua dignidade seja respeitada. Nesse movimento de nós e a resistência na Universidade, com uma educação frente às violências de gênero, destacamos que os preconceitos vividos por essas pessoas no ambiente universitário não são um acontecimento ocasional. E esse respeito ao corpo de uma outra pessoa poderá se fazer nos espaços de educação, incluindo nesses lugares os excluídos e combatendo, assim, os preconceitos contra uma classe que ainda é em muitos locais invisibilizada. Nesse sentido: “O saber conviver com as diferenças é saber conviver com pessoas possuidoras de crenças, compreensão de vida e interesses diferentes. A educação cultivando valores de solidariedade está ao lado dos excluídos [...]” (Mendes; Helienai, 2017, p. 18). Muitas vezes a diversidade do(a) outro(a) é também motivo de piadinhas de mau gosto nos espaços sociais em que frequenta. Em relação ao respeito à diversidade de outro ser humano nos espaços sociais, Michel Foucault (1988) salienta que “[...] no espaço social, como no coração de cada moradia, um único lugar de respeito [...]” (p. 9, grifo nosso). No esforço de desfazer o preconceito vivido por um grupo social marginalizado, enaltecer esses corpos na Universidade, colocando em evidência os discursos de preconceitos sofridos como ponto de partida nas discussões que podem acontecer nos espaços do Centro Universitário. Assim, de falar de educação dando destaque o respeito à diversidade do(a) outro(a) nos mais variados espaços, é essencial para romper com a mentalidade preconceituosa que ainda permanece arraigada no seio da sociedade. Esse diálogo deve ser conduzido de forma inclusiva, uma vez que a diversidade de pessoas e culturas nesses espaços sociais é bem heterogênea. [...] assim, discutiremos juntos a sexualidade como uma construção social, que se produz a partir de relações estabelecidas com aquilo que tomamos e vemos para nós nos diferentes lugares, seja materialmente ou nos discursos enunciados ou saberes com os quais lidamos desde o nosso nascer e tido aqui como dispositivo da sexualidade (Previtalli, 2017, p. 122). Muitos desses corpos já em muitos ambientes já foram abusados, estuprados e até mesmo condenados à morte por outros grupos sociais que simplesmente não aceitam a diversidade de um ser humano. Perante esse cenário de crueldade, como forma de resistência, cada movimento desses grupos de pessoas ganha visibilidade. Apesar dessa atitude de resistência, o machismo ainda é um dos problemas em nossa sociedade. Nesse movimento de resistência, colocando-se contra os discursos de ódio, em respeito ao gênero e a sexualidade de uma pessoa, Sara York (2020) frisa que precisamos investir em uma educação para diversidade, que possa contribuir pedagogicamente para combater a mentalidade de pessoas que não aceitam a presença desses corpos em lugares sociais, fazendo com que pelo menos o respeitem. Em muitos espaços o corpo de um ser humano é sempre motivo de perseguição por parte da sociedade que não aceita e nem respeita a escolha do(a) outro(a). Para que a desconstrução desse discurso de ódio contra essas pessoas ocorra, é necessário debater na Universidade temas que enalteçam o respeito à diversidade, para que assim se possa combater o preconceito. É por essa razão em não deixar que o ódio do outro chegue até nós que, juntos, dentro do Centro Acadêmico, fazemos esse movimento de resistência dentro da Universidade. Para que as pessoas que nos criticam saibam que não estamos caminhando sozinhos(as), estamos caminhando de mãos dadas. Vejamos o que diz uma das participantes da pesquisa, na resposta que deu em um dos encontros do grupo focal “A universidade precisa refletir sobre o respeito à diversidade do(a) outro(a)” (Pérola, 2024). Nesse caminho de resistência, percebemos que não há um discurso que enalteça o respeito ao outro onde se realizou a pesquisa. Sob esse viés, resistir na Universidade é uma maneira de traçar um novo caminho em suas vidas. E será com essa resistência dentro de um espaço público, mesmo encontrando rejeição, que se poderá evitar os preconceitos, principalmente para quem sonha em um dia mudar sua trajetória de vida. Rita Machado (2021) aponta a necessidade de “[...] avançar no reconhecimento e no respeito a toda a sua diversidade e com educação de qualidade no empenho de eliminar as desigualdades sociais [...]” (p. 137). Assim, esses corpos, com essas atitudes, de resistir dentro da Universidade, as pessoas precisam aprender a respeitar à diversidade e, para isso, esses corpos devem ter como ponto de partida resistir e ocupar espaços onde eles(as) nem sempre são bem-vindos(as). Os resultados de uma discussão sobre os discursos de preconceitos vividos pelos(as) acadêmicos(as) dentro de um ambiente universitário é evidente nas respostas que foram dadas durante a pesquisa de campo. Mediante os resultados obtidos na pesquisa, enaltecemos que essa atitude de respeito ao próximo que gostaríamos de também receber em outros espaços. Logo, precisamos estar atentos “Para o fato de que vivemos um momento no qual todos nós somos agentes responsáveis por uma educação igualitária [...]” (Oliveira; Maio, 2016, p. 170). Assim, inferimos que; com os resultados obtidos durante a pesquisa de campo, tendo como suporte de instrumentos os procedimentos metodológicos supracitados na metodologia, foi possível identificar durantes as análises que foram feitas que o centro universitário é preconceituoso. Portanto, os resultados obtidos mostraram pesquisa mostraram que o local pesquisado é marcado pelo preconceito contra a diversidade de outros(as) acadêmicos. Ademais, a contribuição dos procedimentos metodológicos se mostrou muito útil no momento em que se fazia a discussão, principalmente nas análises dos resultados. Dessa forma, mediante os preconceitos que são colocados contra a diversidade do(a) outro(a), a importância da pesquisa é mostrar para a sociedade que a figura desses seres humanos que sofrem apagamentos nos locais que frequentam não é apenas uma fantasia. Eles(as) devem ser valorizados, sendo tratados(as) com respeito, mesmo diante de uma sociedade que em certos momentos os(as) exclui. Considerações finais Contudo, apesar desses avanços que dão maior visibilidade a essas pessoas cada vez mais frequentes nesses espaços, o discurso de ódio contra a diversidade do(a) outro(a) ainda é uma realidade na Universidade, e isso foi possível evidenciar por meio desta pesquisa. As pessoas que são alvo desse discurso de ódio são seres humanos que procuram à Academia para ter uma formação acadêmica e no futuro, possam contribuir com o processo de educação em nosso país. Ao encontro dessa forma de resistência contra os discursos preconceituosos colocado em outras pessoas, cito como exemplo o GT 23 da ANPEd (Gênero, sexualidade e educação) que, graças aos(as) pesquisadores(as), com suas pesquisas potentes, colocam em destaque pessoas que em muitas situações são subalternizados (as) na própria Universidade. Nessa perspectiva de se discutir a temática no Centro Acadêmico, Paulo Freire (2016) diz: “[...] quanto mais a universidade estimular diferentes formas de pensar, de sonhar, tanto mais estudantes terão a possibilidade de fazer escolhas no futuro [...]” (p. 31). Para evidenciar essa temática na Universidade, acreditamos que é fundamental oferecer nesses espaços oportunidades de debate e reflexão sobre tais temas, de modo a despertar o interesse de mais pessoas e propiciar e fortalecer novas pesquisas. Palavras-Chave: educação e diversidade, gênero e identidade de gênero, preconceito, estudo de caso. REFERÊNCIAS COLLINS, Patrícia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. Trad. Rane Souza. São Paulo: Boitempo, 2021. FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: a vontade de saber. 13. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988. FREIRE; Paulo; FREIRE, Ana Maria Araújo; OLIVEIRA, Walter Ferreira de. Pedagogia da solidariedade. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2016. OLIVEIRA JÚNIOR, Isaias Batista de, MAIO, Eliane Rose. Re/des/construindo in/diferenças: a expulsão compulsória de estudantes trans do sistema escolar. Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 25, n. 45, p. 159-172, jan./abr. 2016. LAMBERTI, Lua de Abreu. Pe-drag-ogia como modo de tensionar/inventar territórios educacionais heterotópicos. 2019. 120f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-graduação em Educação. Universidade Estadual de Maringá, Maringá (PR), 2019. MACHADO, Rita de Cássia Fraga et al. (Org.). As Pensadoras – v. 1. São Leopoldo, RS: Editora As Pensadoras, 2021. Fenimismo, subalternidade e decolonidade p. 129-148. MENDES, Marcos Oliveira; HELIENAI, Netiê Valente. Atuação docente na diversidade. Pará de Minas, MG: Virtual Books, 2017. PREVITALLI, Ivete Miranda. Educação e diversidade. Londrina, PR: Educacional S.A., 2017. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2013. YORK, Sara Wagner. Tia, Você é Homem? Trans da/na educação: des(a)fiando e ocupando os “cistemas” de pós-graduação. 2020. 185f. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2020.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Instituições
  • 1 UEA-PPGED- Universidade do Estado do Amazonas
Eixo Temático
  • GT23 - Gênero, Sexualidade e Educação