MAPEAMENTO DE LABORATÓRIOS DE ALFABETIZAÇÃO NAS UNIVERSIDADES: A ESPECIFICIDADE DO CAMPO DA DIDÁTICA DA ALFABETIZAÇÃO EM EVIDÊNCIA

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Resumo
MAPEAMENTO DE LABORATÓRIOS DE ALFABETIZAÇÃO NAS UNIVERSIDADES: A ESPECIFICIDADE DO CAMPO DA DIDÁTICA DA ALFABETIZAÇÃO EM EVIDÊNCIA A alfabetização é um campo de pesquisa bastante polivalente e que se beneficia de perspectivas interdisciplinares para compreensão dos fenômenos relativos à apropriação da escrita alfabética. Deriva desse campo mais amplo a necessidade de definir contornos mais explícitos para o que fazem pesquisadores que se dedicam à especificidade da relação entre a alfabetização e a didática. Embora o campo da alfabetização esteja presente nas universidades, nem todos os pesquisadores dessa área se dedicam à especificidade da didática da alfabetização. Consequentemente, isso resulta em pouca visibilidade e delimitação da produção de conhecimento que atua nessa interface. Nesse sentido, é fundamental afirmar politicamente a existência da didática da alfabetização como um campo de conhecimento, desenvolvido ao redor das preocupações específicas de pesquisa sobre métodos, estratégias e processos de ensino e aprendizagem que relacionam professor, aluno e conhecimento na alfabetização. Pesquisadores/as que atuam na didática da alfabetização têm organizado ações para dar visibilidade a esse campo por meio de laboratórios de alfabetização que não sejam restritos a ações de ensino nos cursos de licenciatura. Um laboratório de alfabetização contemporâneo oferece ações contínuas que dão visibilidade aos movimentos que envolvem tradição e inovação na didática da alfabetização, com registros públicos de sua atuação, servindo como referência e elo visível entre universidade, produção de conhecimento na alfabetização e sociedade. A Rede de Laboratórios de Alfabetização nas Universidades (Rede AlfaLabs) foi institucionalizada em 2021 para organizar a interlocução entre esses projetos e incentivar a organização de novas iniciativas da mesma natureza em outras universidades públicas. Essas iniciativas têm sido incentivadas e congregado novos pesquisadores interessados no tema em encontros realizados no Congresso Brasileiro de Alfabetização (Conbalf) desde 2017. O panorama de constituição, atuação e desenvolvimento desses projetos vem sendo acompanhado pela pesquisa interinstitucional “Laboratórios formativos em rede: inovações na formação para a docência no campo da alfabetização”. Neste trabalho, apresentamos resultados parciais da primeira etapa dessa pesquisa, cujo objetivo foi mapear e caracterizar os projetos de laboratório de alfabetização que integram a Rede AlfaLabs. A pesquisa apresenta caráter exploratório e descritivo, utilizando como metodologia procedimentos de levantamento de dados como pesquisa bibliográfica e documental e questionário online. A categorização temática dos dados, para estabelecimento de padrões e particularidades dos projetos, foi realizada por meio da análise de conteúdo. Além disso, foi utilizada a representação cartográfica, por meio da ferramenta My Maps, para visualização de distribuição regional e evidenciar lacunas nessa distribuição dos laboratórios de alfabetização no país. Para iniciar o tabelamento de informações referentes a cada laboratório, foram coletadas informações a partir de um questionário em formulário digital. Disponibilizado aos participantes da Rede AlfaLabs, o formulário ficou aberto entre julho de 2023 e dezembro de 2024, gerando respostas de 10 laboratórios. Antes do preenchimento do formulário, os participantes assinaram termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE). Posterior à análise das respostas do questionário digital, realizou-se pesquisa virtual por novas informações de cada laboratório nos sites de buscas Google e Google Acadêmico, na página das universidades de origem, em redes sociais e no Currículo Lattes de coordenadores. Essa etapa da pesquisa buscou localizar informações públicas sobre os laboratórios de alfabetização. Dessa forma, foi possível verificar quais laboratórios estão consolidados ou não, com ações em funcionamento. Os dados gerados foram organizados em duas categorias: 1) laboratórios de alfabetização com ações em funcionamento; e 2) projetos de laboratório sem ações localizadas. A figura 1 mostra a distribuição geográfica dos laboratórios que integram a Rede AlfaLabs. O marcador em azul identifica os laboratórios classificados na categoria 1; já o marcador em verde identifica os projetos de laboratório classificados na categoria 2. Figura 1 – Localização dos 22 laboratórios e projetos de laboratórios vinculados à Rede AlfaLabs ​ Fonte: elaboração própria, utilizando a ferramenta My Maps (2025). Na categoria “laboratórios de alfabetização com ações em funcionamento”, foram identificados 09 laboratórios, localizados nas seguintes instituições: UFSM, UFRGS, FURG, UFPEL, UFBA, UFAM, UFPA, UFMG, UFJF. Em relação à distribuição geográfica, há 4 laboratórios na região sul, sendo todos no Rio Grande do Sul. Esse estado também conta com o laboratório mais antigo: o laboratório da UFSM está em funcionamento desde a década de 1990. A região sudeste tem 2 laboratórios em Minas Gerais. Nessa região, a UFJF teve um projeto de laboratório de alfabetização com registros de funcionamento entre 2007 e 2015; a partir de 2024, encontram-se novos registros que indicam a reativação do laboratório. Na região norte, há 2 laboratórios, sendo 1 no Amazonas e 1 no Pará. Na região nordeste, foi localizado apenas o laboratório da UFBA. Na região centro-oeste, não foi localizado nenhum laboratório com ações em funcionamento; no entanto, a UFMS tem registros de um laboratório de alfabetização em funcionamento entre 2008 e 2019. Considerando que 8 dos 9 laboratórios analisados iniciaram suas atividades na última década, é possível inferir que a necessidade de afirmar o espaço das ações no campo da didática da alfabetização nas universidades vem ganhando fôlego. Em períodos anteriores, surgiram laboratórios de ensino em universidades – inclusive com foco na alfabetização –, impulsionados pela necessidade de espaços para o desenvolvimento de práticas vinculadas aos estágios curriculares das Licenciaturas. No entanto, os 8 novos laboratórios de alfabetização identificados têm se dedicado a ações que ultrapassam (ou mesmo nem incluem) os estágios obrigatórios, priorizando atividades extensionistas como principal articulação entre ensino, pesquisa e sociedade. Essa mudança de enfoque ocorre em um contexto em que as universidades foram incentivadas a ampliar a interlocução entre sua produção de conhecimento e as demandas sociais, integrando estudantes de graduação em práticas extensionistas a partir da efetivação da curricularização da extensão, conforme previsto entre as estratégias da meta 12 do PNE (2014-2024). Os projetos de 13 universidades foram classificados na categoria “projetos de laboratório sem ações localizadas” nos últimos 2 anos em registros públicos: UFFS-Chapecó, UFRJ, UERJ, UNIFESP, UEMG, UFOP, UFMS, UNIFAP, UFRR, UNIR, UFS, UEFS, UFMA. Identificou-se diferentes situações: 1) laboratórios que já existem, mas apresentam outro escopo e poderiam ser reconfigurados com o foco na alfabetização; 2) laboratórios com ação pontual e com potencial de reativação; 3) laboratórios descontinuados em ações públicas, mas com potencial de reativação; 4) laboratórios registrados como grupo de pesquisa e com potencial de oferecer ações articuladas aos âmbitos de ensino e pesquisa; e 5) laboratórios que permanecem apenas como intenção manifestada. Na continuidade da pesquisa, a aplicação de um novo questionário com os pesquisadores da Rede AlfaLabs ajudará a identificar os desafios institucionais que dificultam a efetiva implementação desses laboratórios de alfabetização. Uma hipótese pertinente é que esses projetos não tenham continuidade ou não saiam do plano das ideias como efeito da ampliação da precarização do trabalho docente nas universidades (Vargas; Zuccarelli; Honorato, 2021), que cada vez mais precisam atender a extensas demandas de ordem burocrática e de produtividade. É necessário incentivar iniciativas com potencial de organizar espaços em que a cultura profissional da alfabetização, principalmente em seus aspectos didáticos, possa se alimentar em comunidades colaborativas de prática (Darling-Hammond; Bransford, 2019), reunindo diferentes gerações de professores. Nesse sentido, concordamos com Nóvoa (2017) a respeito da urgência de as universidades se preocuparem mais com espaços propícios à produção de um terceiro gênero de conhecimentos para formar professores, que é o conhecimento profissional, o qual extrapola a dicotomia usual entre outros dois gêneros de conhecimento: o conhecimento das disciplinas e o conhecimento pedagógico. Ampliando os espaços e a visibilidade do campo da didática da alfabetização nas universidades, espera-se contribuir para que os/as professores/as alfabetizadores/as possam aprofundar a sua formação e orientar com segurança o processo de alfabetização (Soares, 2016). REFERÊNCIAS DARLING-HAMMOND, Linda; BRANSFORD, John. Preparando os professores para um mundo em transformação. In: HAMMERNESS, Karen; DARLING-HAMMOND, Linda; BRANSFORD, John. Como os professores aprendem e se desenvolvem. Porto Alegre: Penso, 2019. P. 306-332. NÓVOA, António. Firmar a posição como professor, afirmar a profissão docente. Cadernos de Pesquisa, v. 47, n. 166, p.1106-1133, out./dez. 2017. SOARES, Magda. Alfabetização: a questão dos métodos. São Paulo: Contexto, 2016. VARGAS, Hustana Maria; ZUCCARELLI, Carolina; HONORATO, Gabriela de Souza. Século XXI e desigualdades nas condições de trabalho docente na educação superior. Revista Diálogo Educacional, v. 21, n. 69, p. 874-900, abr./jun. 2021. ​

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Instituições
  • 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL/FACULDADE DE EDUCAÇÃO
Eixo Temático
  • GT10 - Alfabetização, Leitura e Escrita