EDUCAÇÃO SEXUAL: UM ESTUDO SOBRE A PRÁTICA DOCENTE EM UMA CRECHE ESCOLA MUNICIPAL NA CIDADE DE SÃO LUÍS- MA. INTRODUÇÃO A referida pesquisa em andamento está pautada em analisar e discutir as práticas docentes utilizadas para trabalharem a educação sexual no ambiente escolar, desmistificando medos e preconceitos produzidos pela sociedade, que muitas vezes se difundem por informações errôneas. Esta pesquisa científica e analítica está fundamentada nas obras de Lev Vygotsky (1998) e Michael Foucault (1990) Guacira Louro (2001) dentre outros autores e autoras. Tradicionalmente, a escola de educação infantil tem enfrentado um debate entre o duplo caminho. Por um lado, o de transformar-se em uma estrutura assistencial comprometida somente com a guarda de crianças pequenas e bem pequenas. Por outro lado, o de se transformar em um período escolar mínimo com enfoques e exigências na aprendizagem. Em ambos os casos, o deslocamento em um sentido ou no outro tem significado sempre correlativo. Conforme Figueiró (2006), os educadores, famílias e os demais profissionais em geral deverão contribuir para que educandos tenham informações sobre sexualidade (educação sexual). Nos últimos anos, grande parte dos discursos pedagógicos e sociais sobre a infância tem enfatizado a melhora da qualidade de vida das crianças. Os riscos que a sociedade atual representa acabam afetando as condições de vida das crianças e tornando-as vulneráveis. Segundo Vygotsky (1998) a instrução escolar perpassa desde o nascimento da criança, com conceitos espontâneos que serão futuramente científicos pela instrução escolar. Infere-se afirmar que o perfil docente e sua práxis, interferem de forma contundente neste processo de desenvolvimento infantil consolidando afeto e conhecimento de modo complementar, orientado por meio de metodologias pedagógicas e aspectos holísticos de visão de mundo. O nosso ponto de partida está centrado numa investigação sobre como a educação sexual é percebida e trabalhada pelas professoras com as crianças na educação infantil. Em correspondência, temos como objetivo geral: investigar como as professoras da educação infantil percebem e abordam sobre a educação sexual. Os objetivos específicos ressaltam a importância de: Compreender como a educação sexual está presente no cotidiano da creche escola e as demandas que surgem das crianças; demonstrar os principais desafios encontrados pelas professoras no processo de esclarecimento sobre questões relacionadas à sexualidade e construir coletivamente um material didático-pedagógico que contribua na formação docente e no trabalho sobre sexualidade na educação infantil. Essa pesquisa faz-se necessária para ressaltar a importância da educação sexual no ambiente escolar, promovendo aprendizagens e encontros de saberes para os sujeitos. METODOLOGIA A pesquisa de campo está sendo desenvolvida em uma escola de educação infantil, pública no município de São Luís, localizada no núcleo central da cidade, povoado por famílias de média e baixa renda, muito relevante diante do contexto social, enfatizado por Vygotsky (1998). Esse tipo de pesquisa faz com que o autor entre em contato direto com o ambiente onde o problema ocorre. Com uma abordagem qualitativa, consideramos que existe uma relação entre o mundo e o sujeito, ou seja, há subjetividades e nuances que não são quantificáveis. Minayo (1994, p.56) diz que a pesquisa qualitativa responde a questões particulares, enfoca um nível de realidade que não pode ser quantificado e trabalha com um universo de múltiplos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes. A pesquisa é exploratória e descritiva e envolve técnicas de coleta de dados padronizados, como questionários. Os sujeitos da pesquisa são: Equipe pedagógica, visando responder aos questionamentos propostos por meio das observações e as crianças, através do desenvolvimento das práticas pedagógicas. RESULTADOS PARCIAIS E DISCUSSÃO Estamos no processo de coletar dados para elaboração do questionário, visto que já fizemos as observações da estrutura da escola, salas, crianças e equipe pedagógica. Durante as observações da equipe pedagógica, ficou evidente a angústia dos profissionais, que muitas vezes não conseguem por falta de conhecimento, formação e suporte material/teórico, lidar com a abordagem da educação sexual na educação infantil. Destacaram-se também, os questionamentos das crianças e a forma como os educadores lidam com eles, observou-se o quão relevante o papel do professor é referência para essa discussão. Nesse sentido, verificou-se que o conceito de Vygotsky (1998) em uma perspectiva sócio-histórico-cultural é apropriado para uma evolução teórica do conceito sexualidade, pois enfatiza o contexto atual, a diversidade e a questão de gênero. Maio (2011) destaca que, uma proposta de educação sexual adequada, consciente e emancipadora poderia contribuir para o objetivo de discussão de toda comunidade educativa sobre a área da sexualidade. Para Foucault (1990) o conhecimento tem o poder de controlar por meio da argumentação lógica instituindo e solidificando mecanismos articulados de intervir conceitualmente no indivíduo, quer seja dentro do âmbito escolar ou em qualquer outro local. O conhecimento nas mãos de professores traduz-se em disciplina, desta forma, na visão de Foucault (1990) a disciplina se coloca como controle pela “docilização dos corpos”, ou seja, o adulto possui o poder de moldar estruturas mentais de valores em uma criança. Em relação ao nível de conhecimento a situação tem variado muito nos últimos anos, mas a identidade plena está sendo alcançada, em níveis aceitáveis, somente nas escolas de maior qualidade. No resto das escolas infantis tudo isso permanece como um desafio fundamental para os próximos anos (Louro, 2001). Para finalizar faremos a aplicação dos questionários que serão fundamentais para uma pesquisa aplicada objetivando gerar conhecimentos novos para aplicações práticas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Tendo a escola de educação infantil como cenário dessa temática abordada, destacando questões sobre ela e a família, algumas considerações se fazem necessárias. Há que se considerar que a postura do educador frente às descobertas da sexualidade na educação infantil dependerá de alguns fatores como: O conhecimento que ele tem frente ao desenvolvimento infantil e, em especial, da sexualidade infantil, a consciência que possui sobre desenvolvimento integral da criança e da importância conferida à sexualidade, os significados pessoais e pedagógicos que confere a esses conhecimentos e sua intervenção pedagógica. É importante que haja um movimento ativo em defesa da educação sexual nas escolas, com base em princípios como a liberdade de ensino, o respeito à diversidade e a promoção do bem-estar dos estudantes. Isso inclui um trabalho conjunto de educadores, movimentos sociais, profissionais da saúde e toda sociedade, para garantir que os alunos tenham acesso a informações que os ajudem a tomar decisões sobre sua própria saúde, sexualidade e identidade, a “educação como prática de liberdade transgressora” (Bell Hooks, 2017). Palavras-Chave: Educação Sexual. Educação Infantil. Formação Docente. REFERÊNCIAS CABRAL, Juçara Terezinha. A sexualidade no mundo ocidental. São Paulo: Ed. Papirus, 1995. FIGUEIRÓ, M. N. D. Formação de Educadores Sexuais: adiar não é mais possível. Londrina: Editora da UEL,2006. FOUCAULT, Michel. A história da sexualidade1: A vontade de saber. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1990. GABRIEL, Gabryela dos Santos; RIBEIRO, Marco Aurélio de Patrício. Relações de Gênero no Contexto Escolar e o Papel do Educador. v. 9, n. 1, 2019: Anais do XV Encontro de Iniciação Científica da UNI7. GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4.ed. São Paulo: Atlas, 2002. HOOKS, Bell. A teoria como prática libertadora. In: hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. 2 eds., São Paulo: WMF Martins Fontes, 2017. LOURO, Guacira Lopes. Pedagogias da Sexualidade. O Corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2001. LOPES, J. O fazer do trabalho científico em ciências sociais aplicadas. Recife: UFPE, 2006. MAIO, Eliane Rose. O nome da coisa. Maringá: Editora Uni Corpore, 2011 MINAYO, M. C. S. Ciência, técnica e arte: o desafio da pesquisa social. In: . (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 18. ed. Petrópolis: Vozes, 1994. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.