PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E FORMAÇÃO DOCENTE NO ENSINO FUNDAMENTAL: DIMENSÕES POLÍTICAS, HISTÓRICO-CULTURAIS E SOCIOESPACIAIS EM ESCOLAS MUNICIPAIS URBANAS

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Resumo
PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E FORMAÇÃO DOCENTE NO ENSINO FUNDAMENTAL: DIMENSÕES POLÍTICAS, HISTÓRICO-CULTURAIS E SOCIOESPACIAIS EM ESCOLAS MUNICIPAIS URBANAS O trabalho refere-se a uma pesquisa em andamento que se constitui como desdobramento de estudos desenvolvidos no grupo de pesquisa, os quais foram indicando relações entre práticas pedagógicas, formação docente e condições políticas, histórico-culturais e socioespaciais em escolas do município de Pelotas-RS. É uma proposição que compreende os sistemas escolares e a formação docente como promotoras de práticas sociais que se constituem historicamente e se desenvolvem com distinções considerando os locais de ação. No âmbito institucional as escolas administradas nas esferas municipais possuem características que se diferenciam de escolas das demais esferas. Também, as bases políticas das administrações interferem nas apresentações dos projetos pedagógicos, bem como concretizam-se em legislações que expressam o universo cultural e simbólico de uma determinada realidade educacional. Estes contextos, que articulam uma complexa expressão da escolarização, projetam-se espacialmente em uma materialidade que produz lugares e territórios (Souza, 2016) e diferenciam as escolas conforme as comunidades em que se inserem, indicando uma dinâmica socioespacial, histórica e cultural. Produzem desigualdades espaço-temporais que merecem ser investigadas, tendo em vista a hipótese de que elas estabelecem e demarcam práticas pedagógicas e modos de pensar e fazer na docência. No delineamento da pesquisa, buscamos conhecer e compreender as práticas pedagógicas e as propostas de formação que incidem nas escolas municipais, da cidade de Pelotas-RS. O pressuposto é de que nelas estão imbricadas as condições políticas, histórico-culturais e socioespaciais referidas anteriormente. Assim, através do reconhecimento dessa complexidade, pretendemos identificar impasses, resistências e demandas locais, bem como êxitos, fragilidades e conquistas no ensino e na formação docente. A escolha por investigar escolas municipais se dá pelo fato de elas priorizarem o ensino fundamental. Acrescenta-se a isso, vínculos de parte dos pesquisadores com essas escolas por meio de orientação de estágios e participação em projetos de extensão. Nessa perspectiva, consideramos como referência princípios da Pedagogia Histórico-Crítica (Saviani, 2005; Saviani, 2019) e de aspectos da teoria de Bourdieu (2013), explicitando compreensões da educação e de condicionamentos históricos localizados. Embora partindo de abordagens distintas, ambos autores reconhecem na escolarização limites e, também, potenciais de mudança. Do mesmo modo, entendemos que dar visibilidade para uma combinação de aspectos, como a gestão da educação e a estruturação do espaço urbano, possibilita ter acesso a uma dinâmica a ser compreendida nas escolas e salas de aula (Nogueira, 2020), as quais formam uma arquitetura institucional e política (Azevedo; Oliveira, 2020) na complexidade da escolarização. Com este propósito, entendemos ser necessário percorrer um caminho que contemple a escuta docente bem como as demandas institucionais, para que possamos ampliar compreensões pedagógicas sobre as práticas docentes e sobre as práticas de formação da qual participam, as quais incidem na escolarização e na profissão em condições que se materializam no espaço e no tempo. Face às diferentes realidades que possam apresentar, a pesquisa se desenvolve considerando a distribuição nas regiões administrativas da cidade de Pelotas. Acreditamos que reconhecer esses espaços e verificar como as escolas do bairro estabelecem determinadas características, que tangenciam relações sociais em um espaço e em um tempo, é fundamental para entendermos que essas relações sociais configuram práticas pedagógicas que se expressam em modos de gestão, encaminhamentos de sala de aula, formas de planejamento e relações com a mantenedora. Desse modo, estruturou-se a questão de pesquisa que se constitui em saber quais inter-relações há entre práticas pedagógicas, formação docente e condições políticas, histórico-culturais e socioespaciais e como elas incidem nas escolas públicas municipais de Pelotas-RS. Quanto aos encaminhamentos metodológicos, a pesquisa se insere em uma perspectiva qualitativa, tendo no seu delineamento a geração de dados por meio de questionários de diagnóstico, mapeamento da distribuição espacial das escolas municipais, entrevistas semiestruturadas, análise documental e grupos focais. A análise dos dados tem como referência princípios da análise de conteúdo (Bauer, 2002). Na fase atual da pesquisa mapeamos as 41 escolas públicas do município inseridas na área urbana da cidade de Pelotas, identificando suas datas de fundação e reconhecendo a movimentação da expansão da oferta e ampliação da urbanização a partir dos anos 1920, na perspectiva de localizar e identificar aspectos socioeconômicos, demográficos, históricos e culturais das sete regiões administrativas em que as escolas se inserem. Como ilustração do processo em desenvolvimento, indicamos a região administrativa Laranjal, na zona leste da cidade e banhada pela Lagoa dos Patos. Nela existem duas escolas municipais fundadas na década de 1950. Uma região que teve sua expansão urbana mais recente representada por setores de classe média, resultando na expansão da escolarização privada em detrimento da pública. Também, estamos selecionando as escolas participantes da pesquisa, as quais representam as distintas regiões administrativas da cidade de Pelotas, considerando uma combinação entre o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e o número de matrículas, dando preferência ao menor índice e ao maior número de estudantes matriculados nas escolas inseridas em cada região administrativa. O propósito é estabelecer um cruzamento das informações entre características das escolas selecionadas e necessidades formativas de seus docentes, considerando o contexto socioespacial da escola, do bairro e seu entorno. Na continuidade, iremos estruturar um banco de dados a partir do arcabouço teórico-prático desenvolvido ao longo da pesquisa, no propósito de subsidiar e possibilitar o aprofundamento e a ampliação de estudos de caráter socioespacial e sociocultural no âmbito do grupo de pesquisa. No contexto e efetivação da proposta, o mapeamento das escolas municipais de Pelotas proporcionará um mapa interativo (WebSIG) que divulgará os resultados levantados, tendo como potencialidade a sua constante atualização mediante a estruturação de um sistema integrado de banco de dados e uma interface acessível às escolas participantes e aos docentes para fornecimento de informações sobre o aprimoramento dos dados. Acreditamos que o instrumento irá contribuir para a proposição e a consolidação de uma metodologia de levantamento de dados para sistematização de informações de escolas e demandas docentes. Assim, os resultados poderão indicar necessidades efetivas dos profissionais da educação, bem como possibilitar proposições e compreensões contextualizadas sobre as dinâmicas escolares. Nessa perspectiva, ampliaremos compreensões pedagógicas sobre ações e práticas educacionais no intuito de dar visibilidade para as conexões entre as condições das instituições escolares, oferecendo dados para subsidiar projetos político-pedagógicos tanto de escolas quanto da secretaria municipal de educação na intenção de qualificar, de modo socialmente referenciado, políticas educacionais para a educação básica e contribuir na oferta de formação continuada de professores, tendo em vista que a formação não pode ser generalizada, mas constituída considerando as dimensões estudadas na perspectiva desta pesquisa. Trata-se de uma investigação de abordagem multifatorial e, ao mesmo tempo, contextualizada. A investigação, ao buscar um conhecimento local sobre a formação docente e sobre as práticas pedagógicas, se distingue de estudos mais generalizantes e contribui para a criação e efetivação de políticas educacionais e iniciativas político-pedagógicas mais direcionadas. Nesse contexto, tem potencial de impacto na medida em que vem identificando dificuldades enfrentadas em distintos locais da cidade, com capacidade de orientar estratégias para a redução de desigualdades nos desempenhos escolares, principalmente em áreas mais vulneráveis. Também identifica práticas culturais locais, possibilitando incorporá-las ao currículo, contribuindo para a preservação da memória e da identidade cultural de diferentes bairros da cidade. REFERÊNCIAS AZEVEDO, Janete Maria Lins de; OLIVEIRA, João Ferreira de. Gestão, monitoramento e avaliação dos planos de educação: retrocessos e desafios. Revista Retratos da Escola, v. 14, n. 30, set./dez. 2020. p. 622-639. BAUER, Martin W. Análise de conteúdo clássica: uma revisão. In: BAUER, Martin W.; GASKELL, George. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som. Petrópolis: Editora Vozes, 2002 BOURDIEU, Pierre. Espaço físico, espaço social e espaço físico apropriado. Estudos Avançados, São Paulo, v. 27, n.79, 2013. p. 134-144. COSTA, Elisangela André da Silva; PIMENTA, Selma Garrido. Desafios e aprendizagens do diálogo e da profissão: com a fala os/as professores/as da educação básica. Acta Scientiarum. Education, v. 43, n. 1, e55483, nov. 2021. p. 1-13. FARIAS, Ricardo Chaves de; LEITE, Cristina Maria Costa. Unidade territorial de aprendizagem: o território simbólico de estudantes no espaço geográfico mobilizado pela escola. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 13, n. 23, p. 5-25, jan./dez., 2023 NOGUEIRA, Amélia Regina Batista. Geografia e a experiência do mundo. Geografia, v. 45, n.1, 2020. p. 9-23. SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. Campinas, Autores Associados, 2005. SAVIANI, Dermeval. Pedagogia Histórico-Crítica: novas aproximações. Campinas, Autores Associados, 2019. SOUZA, Marcelo Lopes de. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2016.

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