NECESSIDADES FORMATIVAS DA POPULAÇÃO DO CAMPO DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO PARA A EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS

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Resumo Expandido - Trabalho em Andamento
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Resumo
NECESSIDADES FORMATIVAS DA POPULAÇÃO DO CAMPO DO SEMIÁRIDO BRASILEIRO PARA A EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS INTRODUÇÃO O Semiárido brasileiro, que abrange 12% do território nacional e mais de 1.400 municípios, é uma região marcada por condições climáticas desafiadoras, como longos períodos de seca, irregularidade nas chuvas e altas temperaturas (Sudene, 2024). A seca, o uso inadequado dos recursos naturais e as mudanças climáticas têm ampliado a vulnerabilidade do Semiárido, afetando diretamente as populações camponesas e autóctones que dependem da terra para sua sobrevivência, exigindo estratégias específicas de convivência com o clima, considerando as suas particularidades socioeconômicas e culturais (Souza et al., 2017). Nesse contexto, a educação científica é fundamental para o desenvolvimento de soluções sustentáveis e inovadoras para os desafios locais, como a escassez de água, a degradação do solo e as mudanças climáticas (Lima; Florentino, 2020; Santos et al., 2023; Silva et al., 2024). Assim, o objetivo deste trabalho em andamento é identificar as necessidades formativas da população camponesa do Semiárido brasileiro na área da educação em Ciências visando a convivência com o Semiárido. O objetivo foi reforçado pela carência de estudos sobre necessidades formativas em educação em ciências, considerando a heterogeneidade da região semiárida (Silva; Lopes; Takahashi, 2021). Desse modo, o problema que norteia a investigação é: quais são as necessidades formativas da população camponesa quanto à educação científica para a convivência com o Semiárido brasileiro? Como etapa inicial do processo de pesquisa, apresentamos neste texto os primeiros dados da pesquisa bibliográfica. METODOLOGIA A pesquisa para este texto foi bibliográfica, que se baseou em material teórico sobre o tema, encontrado em livros, artigos, teses, dissertações e outros trabalhos acadêmicos. Dessa forma, utilizou dados ou categorias teóricas trabalhados por outros pesquisadores e cientificamente registrados (Severino, 2007). As próximas etapas da pesquisa incluirão as fases de diagnóstico, análise e avaliação, conforme Tejedor (1990) e López (2017), que envolverão, dentre outras ações, o mapeamento de comunidades, movimentos e práticas inovadoras; e a realização de visitas de campo, com pesquisa-ação e oficinas de cocriação com comunidades. EDUCAÇÃO EM CIÊNCIAS PARA A CONVIVÊNCIA COM O SEMIÁRIDO O paradigma de convivência com o Semiárido surgiu na década de 1990 a partir da necessidade de encontrar formas de se conviver de maneira mais harmoniosa com as particularidades da região, promovendo ações que permitam aproveitar melhor os recursos disponíveis e fortalecer a resiliência das comunidades locais diante dos desafios socioambientais (Silva; Pereira, 2020). Podemos definir a convivência com o Semiárido como uma forma de conceber esse território considerando o seu povo e as políticas públicas de inclusão social, a equidade e o controle social sobre os seus recursos naturais (Dourado, 2012). Para isso, um dos seus eixos tem sido a educação contextualizada, presente nas experiências dos movimentos sociais (Braga, 2004; Martins, 2006). A educação em Ciências no Brasil, especialmente nas áreas rurais e no Semiárido, tem sido alvo de estudos que abordam a necessidade de contextualização do ensino às realidades locais (Figueiredo, 2017; Figueiredo; Gonzalez; Xavier, 2021; Sousa et al., 2022; Araújo et al., 2023; Oliveira; Florentino, 2023; Pereira; Florentino, 2023). Os estudos e experiências supramencionados demonstram a importância de integrar os saberes tradicionais e científicos na formação de uma educação em Ciências que, ao ser contextualizada às condições do Semiárido, pode contribuir significativamente para a construção de uma sociedade mais resiliente às mudanças climáticas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Embora exista uma crescente produção de estudos sobre sustentabilidade na Educação do Campo e para o Semiárido no Brasil, há uma lacuna significativa no que tange à educação científica voltada para as populações rurais do Semiárido. Esse projeto pretende preencher essa lacuna, criando subsídios teóricos e didáticos que não só visam à formação científica, mas também ao empoderamento da população camponesa para enfrentar os desafios ambientais e melhorar suas práticas produtivas, respeitando as especificidades locais. Os resultados esperados deste projeto incluem a elaboração de um inventário de boas práticas e diretrizes, materiais e estratégias pedagógicas, contextualizados às necessidades da população camponesa do Semiárido, com um foco específico em sustentabilidade e mudanças climáticas. REFERÊNCIAS ARAÚJO, G. S. et al. O semiárido como tema gerador no ensino de ciências da natureza pela perspectiva da educação popular. Geoconexões, [S. l.], v. 2, n. 16, p. 166–180, 2023. BRAGA, O. R. Educação e convivência com o Semiárido: uma introdução aos fundamentos do trabalho político-educativo no semiárido brasileiro. In: KUSTER, A.; MATTOS, B. H. O. M. (Ogs.). A educação no contexto do semiárido brasileiro. Fortaleza: Fundação Konrad Adenauer, 2004. DOURADO, L. A educação contextualizada: saberes tecidos no contexto e na interação natureza e cultura. Cadernos de Estudos Sociais, v. 24, n. 1, p. 71-86, 2012. FIGUEIREDO, G. A. Educação contextualizada e convivência com o semiárido brasileiro: perspectivas para o ensino de ciências. 2017. Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2017. FIGUEIREDO, G. A.; GONZÁLEZ, F. E.; XAVIER, M. K. O ensino de ciências naturais: uma proposta de educação contextualizada para o Semiárido/Sertão. Revista Pedagógica, v. 23, p. 1-26, 2021. GOMES, F. I. B. P.; ZANELLA, M. E. Histórico, causas e características da semiaridez do Nordeste do Brasil. Geografares, Vitória, v. 3, n. 37, p. 209–233, 2023. LIMA, M. J. S.; FLORENTINO, H. S. Educação ambiental popular como estratégia de convivência com o semiárido: uma proposta formativa para a comunidade do Sítio Angico Torto, Santana de Mangueira (Paraíba). Educação Ambiental, v. 1, n. 3, p. 18-31, 2020. LINS, C. M. A. et al. Educação para a Convivência com o Semi-Árido – A proposta de Elaboração de um livro didático. In: Rede de Educação do Semiárido Brasileiro – RESAB. Educação para a Convivência com o Semiárido Brasileiro: reflexões teórico-práticas. Juazeiro: Secretaria Executiva da RESAB, 2006. LOPEZ, M. J. D. Necesidades formativas. Modelos para su análisis y evaluación. Revista de Estudios e Investigación en Psicología y Educación, Santiago de Compostela, v. 6, p. 6-10, 2017. MARTINS, J. S. Anotações em torno do conceito de educação para a convivência com o semi-árido. In: RESAB. Secretaria Executiva. Educação para a Convivência com o Semiárido: Reflexões teórico-práticas. 3.ed. Juazeiro: Secretaria Executiva da Rede de Educação do Semiárido Brasileiro, Selo Editorial RESAB, 2006. p. 37-68. OLIVEIRA, G. L.; FLORENTINO, H. S. Educação ambiental contextualizada para a convivência com o semiárido: saberes e práticas de estudantes de uma escola no sertão paraibano. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 14, n. 1, p. 1-23, 2023. PEREIRA, A. A.; FLORENTINO, H. S. Representação imagética do semiárido brasileiro nos livros didáticos de ciências naturais do ensino médio aprovados no PNLD 2021 e suas implicações para o ensino contextualizado. Revista de Ensino de Ciências e Matemática, v. 14, n. 3, p. 1-17, 2023. SANTOS, Y. C. et al. Enfrentamento aos riscos das mudanças climáticas no semiárido brasileiro: a adaptação climática como uma nova agenda governamental. Revista de Gestão dos Países de Língua Portuguesa, Rio de Janeiro, v. 22, n. 1, p. 46–66, 2023. SEVERINO, J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007. SILVA, A. L. S. et al. Ensino de ciências contextualizado para a convivência com o Semiárido. In: Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino – ENDIPE, 22, João Pessoa, PB, 2024. Anais [...]. João Pessoa: ANDIPE/UFPB, 2024. SILVA, A. L. S.; LOPES, S. G.; TAKAHASHI, E. K.. Necessidades formativas de professores de ciências de escolas do campo: uma investigação no semiárido piauiense. 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