REGISTRO DE LÍNGUA DE SINAIS DOS SURDOS INDÍGENAS IKOLEN-GAVIÃO E ESTUDO DO LÉXICO: UMA PROPOSTA DE CRIAÇÃO DE DICIONÁRIO INTRODUÇÃO A pesquisa sobre línguas de sinais indígenas é crucial para preservar a herança cultural dos povos indígenas no Brasil, focando na comunidade Ikolen-Gavião. O estudo documenta sinais usados por surdos indígenas e analisa sua estrutura em contextos escolares e comunitários, promovendo um diálogo intercultural. Além de preservar a diversidade linguística, busca valorizar as comunidades indígenas surdas, fortalecendo sua identidade na construção da identidade nacional. O desenvolvimento dos estudos linguísticos em línguas de sinais foi impulsionado pelo reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (Libras), através da Lei Federal 10.436/2002 e do Decreto 5.626/05, promovendo a inclusão dos surdos e respeitando suas diferenças linguísticas. A Libras assegurou a identidade cultural e empoderamento dos surdos no Brasil. Historicamente, a trajetória dos surdos é marcada por lutas políticas e conquistas significativas. A língua de sinais, antes considerada mímica, foi reconhecida como legítima devido às pesquisas do linguista William Stokoe, que evidenciaram sua gramática própria. Essa mudança de perspectiva transformou a surdez de uma visão clínica para uma compreensão linguística abrangente, abordando aspectos fonológicos, morfológicos, sintáticos, semânticos e pragmáticos. (Finau, 2006). O estudo é uma possibilidade do registo de sinais utilizados por uma determinada comunidade indígena, verificando como a cultura influencia na constituição destes sinais. É uma maneira de preservação das línguas de sinais não oficiais, para Leite e Quadros (2016, p. 19), “[...] todas as diferentes variedades de línguas de sinais utilizadas no Brasil necessitam de um projeto de documentação e vitalização.” Conforme as autoras, a falta do registo dessas línguas de sinais em potencial de comunidades indígena, espalhadas pelo país as tornam como línguas em risco de desaparecer e constitui uma perda para o patrimônio cultural brasileiro. A partir de estudos na educação indígena de surdos, destacam-se algumas pesquisas relevantes: Giroletti (2008): “Cultura surda e educação escolar Kaingang” em Ipuaçu, SC; Luciana Lopes Coelho (2011): “A constituição do sujeito surdo na cultura guarani-kaiowá”, focando na interação familiar e escolar; Shirley Vilhalva (2012): “Índios surdos: Mapeamento das línguas de sinais do Mato Grosso do Sul”; Pereira (2013): Tese “Fazendo cena na cidade dos mudos”, um estudo antropológico sobre surdez no Piauí; Priscilla Alyne Sumaio (2014) entre outras. As discussões teóricas se baseiam em Stuart Hall (1997), abordando identidades no contexto social e político contemporâneo, através dos Estudos Culturais. Estes ajudam a entender o 'ser surdo' pela diferença cultural, enfatizando sujeitos capazes de representar uma identidade surda, fundamentada na experiência visual. METODOLOGIA A metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa será o estudo de caso adota uma abordagem metodológica flexível e pós-crítica, inspirada nas perspectivas de Meyer e Paraíso (2012). Ao invés de se prender a um método predefinido, a pesquisa valoriza a construção livre do processo investigativo, priorizando a adaptação às particularidades do objeto de estudo. A pesquisa de campo será guiada pela concepção de “metodologia” proposta por Meyer e Paraíso, que a entendem como um processo de questionamento e formulação de problemas, em vez de um conjunto rígido de técnicas. A metodologia, nesse sentido, é um “modo de perguntar, de interrogar, de formular questões e de construir problemas de pesquisas que é articulado a um conjunto de procedimentos” (Meyer & Paraíso, 2012). Em consonância com essa perspectiva, a coleta e análise de dados serão encaradas como uma “produção” de informações, que envolve estratégias de descrição e análise flexíveis e adaptáveis às necessidades da pesquisa. Essa abordagem permite uma investigação mais profunda e sensível às complexidades do objeto de estudo. Devido estarmos aguardando a aprovação do Comite de Ética em Pesquisas (CEP), a coleta de dados ainda não começou, mas espera-se que inicie em breve. A pesquisa visa observar e registrar as características linguísticas dos sinais usados pelos indígenas surdos Ikolen-Gavião, explorando sinais no ambiente escolar, de animais e da comunidade. A análise comparará os sinais do povo Ikolen-Gavião com a Libras. RESULTADOS E DISCUSSÕES Espera-se que os resultados deste estudo possam fornecer subsídios para a criação de um glossário ou dicionário, podendo ter uma versão digital e outra impressa, promover o reconhecimento e a valorização das comunidades indígenas surdas, e contribuir para o debate acadêmico sobre a variação linguística e a aquisição de línguas de sinais. Além disso, a pesquisa almeja fortalecer a identidade cultural dos indígenas surdos Ikolen-Gavião, conferindo-lhes protagonismo na construção da história e memória de sua comunidade. A pesquisa em surdez em comunidades indígenas do Brasil,tem tido um avanço nas últimas décadas, em Rondônia, este despertar se deu através das pesquisas de Eler (2020 e 2023), Gregianini (2017) e Costa (2017), Carvalho (2023), que iniciaram os registros das línguas de sinais indígenas dos povos Paiter Suruí, na cidade de Cacoal/RO. Essas pesquisadoras fizeram registro de sinais dos indígenas surdos Paiter Suruí, Eler (2023), deu continuidade no doutorado com o objetivo de comparar os sinais da Língua de sinais Americana - ASL, Libras e da Língua de sinais Paiter Suruí - LSPS. A pesquisa de Carvalho (2023), teve por objetivo encontrar os parâmetros das Libras dos sinais Paiter Suruí em sua pesquisa de mestrado. Assim essa pesquisa pretende fazer os registros de língua de sinais de outra etnia indígena, os povos Ikolen-Gavião. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa proposta, ao buscar registrar e analisar a língua de sinais dos indígenas surdos Ikolen-Gavião, representa um passo fundamental para a preservação da diversidade linguística e cultural do Brasil. A criação de um dicionário bilíngue (língua de sinais Ikolen-Gavião/Libras) não apenas facilitará a comunicação e o aprendizado, mas também fortalecerá a identidade cultural dessa comunidade, garantindo a transmissão de sua herança ancestral para as futuras gerações. O estudo irá avançar as pesquisas sobre línguas de sinais indígenas no Brasil, documentando os sinais dos Ikolen-Gavião em diversos contextos. Os dados obtidos serão valiosos para a linguística e a educação bilíngue de surdos indígenas, e espera-se que inspirem novas iniciativas para valorizar essas línguas e promover a inclusão cultural. A pesquisa deve ser realizada de maneira ética, com a participação da comunidade Ikolen-Gavião, visando um futuro mais justo e inclusivo para os surdos indígenas. REFERÊNCIAS BARRETOS, E A. A situação de comunicação dos Akwê-Xerente Surdos. Dissertação (Letras e Linguística), Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2016. BRASIL. Decreto nº 5.626/2005. Disponível em: . Acesso em: 20 set. 2022. BRASIL. Lei nº 10.436, de 24/04/2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais. Disponível em: . Acesso em: 20 set. 2022. CARVALHO, J.I. R. F. 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