TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA ALÉM DA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES

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Resumo
TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA ALÉM DA FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES INTRODUÇÃO As tecnologias digitais influenciam o processo educacional, proporcionando inúmeras possibilidades de ensino e aprendizagem para além das práticas convencionais na sala de aula. O uso dessas tecnologias na prática pedagógica é um desafio para professores e alunos, especialmente no interior do Amazonas que têm características geográficas, políticas e culturais diferenciadas em comparação a outras regiões brasileiras. O estudo, vinculado a duas pesquisas de doutorado, possui abordagem qualitativa e analisou a relação que se estabelece entre a formação continuada para uso de tecnologias digitais na prática pedagógica de 108 professores da rede estadual no interior do estado do Amazonas, cujo acesso se dá apenas por via fluvial e aérea. Nos procedimentos técnicos, foi utilizada pesquisa bibliográfica, visando aprofundamento teórico sobre a formação continuada de professores e o uso de tecnologias digitais na educação. A de coleta de dados foi realizada por meio do Google Forms com professores das escolas da rede estadual do município, situado às margens do rio Madeira, no Amazonas. Ao longo de aproximadamente três décadas, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (SEDUC-AM) investe na formação de professores para uso de tecnologias e insere aparatos tecnológicos nas escolas para subsidiar o processo de ensino e aprendizagem. Para além dessas duas ações pontuais, importa entender como essas se refletem na prática dos professores das escolas estaduais do município? A análise foi realizada com base nas respostas dos professores participantes da pesquisa, oriundos de 08 escolas estaduais, e buscou identificar a relação estabelecida com a formação realizada pela SEDUC-AM e o uso das tecnologias digitais na prática docente. O trabalho encoraja a reflexão sobre a formação continuada de professores com enfoque no uso de tecnologias digitais nas escolas amazonenses. AS TECNOLOGIAS NO CENÁRIO EDUCACIONAL A presença das tecnologias na escola é vinculativa ao cenário social, marcado pela utilização das tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC), em todos os setores da vida em comunidade, pela produção acentuada e o acesso instantâneo à informação. De acordo com Vieira Pinto (2005, p. 233), vivemos uma era em que muitos entendem, de forma simplória, ser “[...] uma época excepcional, caracterizada pela assombrosa “explosão tecnológica” que engloba a vida da humanidade, a ponto de modificá-la em todas as suas manifestações”. No contexto educacional brasileiro, a inserção das tecnologias na escola se deu de forma gradativa, com os primeiros programas voltados para a informática na educação desde o final do século XX e início do século XXI, tais como EDUCOM (1985), PRONINFE (1992), ProInfo (1997), ProInfo Integrado (2007), Projeto UCA (2007) e PIEC (2017). Categorizar a trajetória da inserção das tecnologias na educação brasileira nos possibilita visualizar como as tecnologias foram se vinculando e mesmo corroborando para avanços nos processos de aprendizagem. Contudo, é preciso possibilitar formação aos professores para que possam não apenas manusear esses artefatos no cotidiano da sua prática, mas orientar os estudantes para uma leitura crítica do mundo e do uso das tecnologias no seu cotidiano. Apesar do Brasil, ao longo do tempo, vir trabalhando a inserção das tecnologias na perspectiva educacional como relata Valente e De Almeida (1997), é importante ressaltar que as TIC’s avançaram muito nos últimos anos nas áreas de inovação e de digitalização. Esses avanços disponibilizaram tecnologias, como inteligência artificial, automação, computação em nuvem, redes sociais, entre outras, para a utilização na comunicação e em outros setores da vida diária, gerando no campo educacional novos desafios e novas possibilidades de aprendizagem. Cada professor pode encontrar uma forma mais adequada para integrar as tecnologias e os diversos procedimentos metodológicos na sua prática pedagógica (Moran, 2012). É importante destacar que o uso pedagógico das tecnologias digitais não se limita a técnica, mas na possibilidade de práticas que favoreçam o uso crítico e reflexivo dos recursos tecnológicos. OS ACHADOS DA PESQUISA Neste estudo, os dados são oriundos de um questionário com 10 questões objetivas, das quais foram selecionadas apenas 04 por atenderem ao objetivo da pesquisa sobre a formação continuada e o uso das tecnologias digitais na prática docente. Para garantir a integridade dos participantes, conforme os princípios éticos estabelecidos na pesquisa com seres humanos e pela ANPED, antes da coleta de dados, os participantes foram informados do objetivo do estudo e tiveram autonomia para participar ou/não da pesquisa. Os dados permitem inferir que dos 108 professores participantes da pesquisa, a maioria (50%) atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Os demais, 40% são professores dos anos finais do Ensino Fundamental e 23%, do Ensino Médio. Do total de professores, aproximadamente 9% atuam na Educação Especial e apenas 3% na Educação de Jovens e Adultos. Logo, todas as etapas da educação básica estão representadas na pesquisa. Em resposta à pergunta “você faz uso de tecnologias digitais nas suas atividades pedagógicas?”, dos 108 docentes, 90,7% responderam que sim e 9,3% responderam que não. Esse fato é indício, para nós, de que a maioria dos professores reconhece a importância dos recursos tecnológicos como ferramenta pedagógica e que contribuem para a construção de processos metodológicos de uma aprendizagem mais significativa (Moran; Masetto e Behrens, 2013). Figura 1 - Tecnologias digitais na prática docente Fonte: Dados da pesquisa, 2025. Sobre formação continuada, foi perguntado: “Você participou de formação continuada para uso de tecnologias digitais ofertado pela SEDUC/AM?”. Em resposta 63% dos docentes confirmaram ter participado, enquanto 37% afirmaram que não, conforme figura 2. Observa-se um quantitativo significativo de docentes que participaram de formação ofertada pela SEDUC-AM, porém destaca uma parcela de professores que não tiveram acesso às formações, deixando transparecer que a formação para as tecnologias não alcança a todos, ou seja, nesse processo “alguns beneficiam mais do que os outros da tecnologia que nos rodeia” (Feenberg, 2015, p. 99). Figura 2 - Formação ofertada pela SEDUC/AM Fonte: Dados da pesquisa, 2025. Em relação à pergunta “Você fez algum curso de aperfeiçoamento para uso das tecnologias na sala de aula por conta própria?”. Os dados mostram um percentual bem dividido, como aduz a figura 3, ou seja, 50% do total fez cursos por conta própria com objetivo de incorporar as tecnologias em suas aulas. Figura 3 – Curso de aperfeiçoamento Fonte: Dados da pesquisa, 2025. Observa-se duas realidades distintas, de um lado, os docentes que demonstraram proatividade na sua atuação profissional, buscando meios para a inserção das tecnologias. Por outro lado, os docentes que não buscaram formação, preconizando a necessidade de políticas públicas direcionadas à formação continuada de professores para uso das tecnologias digitais. Outro aspecto importante verificado com a pesquisa diz respeito aos professores que utilizam tecnologias nas atividades pedagógicas, mesmo sem ter participado de formação continuada para uso dessas tecnologias. Dos 108 participantes, 90 afirmaram utilizar tecnologias em suas aulas, enquanto 37 sinalizaram não ter participado de formação ofertada pela SEDUC-AM. Os dados demonstram o protagonismo dos docentes na busca por utilizar as tecnologias na sua prática docente independente dos investimentos feitos pela Secretaria. Compreende-se que, embora um quantitativo significativo de professores não tenha participado de formação, as tecnologias estão integradas as suas atividades, tal fato pode ser atribuído a disponibilidade de recursos na escola e ao engajamento dos professores na busca por proporcionar aos alunos mais meios de acesso ao conhecimento. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados apontaram que os professores reconhecem a necessidade de formação continuada para o aprimoramento de sua prática e o desenvolvimento de habilidades técnicas e pedagógicas para incorporar as tecnologias no processo de aprendizagem dos estudantes, pois mesmo com a distância e condições técnicas e geográficas adversas mais de 60% dos docentes participaram de processos formativos. No entanto, a oferta da SEDUC/AM não atinge todos os professores, os quais precisam buscar, por iniciativas próprias, cursos para atender suas necessidades profissionais. Portanto, essa realidade exige políticas de suporte para a formação continuada dos docentes, principalmente no interior do estado do Amazonas, onde a diversidade cultural e geográfica faz parte da identidade amazônica. Por fim, importa mencionar que no final do século XX, parecia que a introdução e uso da tecnologia na sociedade era parte da responsabilidade da escola, mas com a chegada do novo século, mesmo espaços longínquos como o município analisado, apresentam um uso da tecnologia de forma consolidada na sociedade. Desse modo, se reafirma a necessidade de pensar e repensar o uso de tecnologias digitais na prática pedagógica dos professores. REFERÊNCIAS FEENBERG, Andrew. Tecnologia, modernidade e democracia. Organização e tradução Eduardo Beira, Senior Research Fellow IN+ Center for Innovation, Technology and Public Policy (IST, Lisboa), 2015. MORAN, José Manuel; MASETTO, Marcos Tarciso; BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 21ª ed. Campinas: Papirus, 2013. MORAN, José Manuel. A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. 5ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2012. VALENTE, José Armando; DE ALMEIDA, Fernando José. Visão analítica da informática na educação no Brasil: a questão da formação do professor. Revista Brasileira de Informática na educação, v. 1, n. 1, p. 45-60, 1997. VIEIRA PINTO, Álvaro. O conceito de Tecnologia: volume I. Contraponto, 2005.

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Eixo Temático
  • GT08 - Formação de Professores